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RODRIGO ARROYO GARCIA

Pesquisador da Embrapa fala sobre vazio sanitário em MS

02 julho 2015 - 06h37

A entrevista desta semana do Dourados News é com Rodrigo Arroyo Garcia,32, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste na área de fitotecnia e abordará sobre o período de vazio sanitário da soja que foi iniciado no dia 15 de junho.

O profissional é natural de São Caetano do Sul em São Paulo e tem graduação em Agronomia com pós graduação e doutorado na área de produção vegetal pela Unesp em Botucatu-SP.

Rodrigo já lecionou em cursos de graduação da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) em Presidente Prudente (SP) e após essa experiência assumiu o cargo na Embrapa, o qual está desde 2010.

Durante esse tempo de dedicação as pesquisas, Rodrigo acompanhou a evolução das plantações de soja no Estado após a implantação do vazio sanitário e afirma que as melhorias nas perdas por conta da doença são notórias.

A medida consiste em que haja uma pausa na plantação do grão para que a doença não encontre situações favoráveis para se proliferar nas lavouras.

Ele destaca que é fundamental que o produtor monitore a área no período do vazio e evite plantar a soja, além de também se atentar a retirada desses grãos que por ventura venham de forma espontânea no local.


Para isso, Rodrigo cita que atualmente é possível realizar a retirada dessas plantas por manejo químico com herbicidas ou manejo manual e o produtor deve ficar atendo a algumas técnicas para realizar esses trabalhos.

O produtor rural que não respeita a prática pode ter perdas na lavoura e receber multas pelo órgão fiscalizador, o Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal).

O profissional ressalta que com a medida, os registros da doença são poucos na região e que as pesquisas na área continuam para se chegar a meios de mais resultados nesse quesito.

Confira a entrevista na íntegra

Dourados News- O que é o vazio sanitário?

Rodrigo Arroyo Garcia- O vazio sanitário é um período em que não se pode ter plantas de soja por determinado período da entressafra ou seja, o produtor não pode fazer uma nova semeadura e cultivar essa planta, assim como também não pode manter planta do cultivo anterior de sementes que caíram no solo e germinaram.

D.N- Como funciona?

R.A.G- Então, são duas situações que devem ser respeitadas nesse vazio sanitário. O produtor não pode fazer uma nova semeadura, aí normalmente ele cultiva soja de outubro até meados de março/ abril, então depois já não pode fazer uma nova semeadura que vai entrar nessa janela que é o vazio. E também há o caso de quando já se teve o cultivo de soja e normalmente caem sementes e nascem novas plantas espontaneamente, então ele também tem que controlar isso para que não tenha plantas de soja no período de 15 de junho a 15 de setembro. A medida foi adotada há vários anos, não lembro exatamente quando mas, foi decorrente do aumento da ferrugem asiática que é a principal doença da soja. Essa doença começou a ganhar importância em 2003/2004.



D.N- Qual o período e porquê?

R.A.G- O período é esse devido a característica da doença. Se você tem sempre planta de soja na área a tendência é o inóculo do fungo ficar nela e quando tiver um novo plantio de soja, esse fungo disseminar de forma mais rápida. Então se a gente tem essa janela de três meses sem soja na área, a tendência é que o fungo não tenha o hospedeiro na planta, então ele vai morrer e aí vai se poder fazer um novo plantio numa condição muito melhor tanto que isso tem obtido um grande efeito prático e os focos de ferrugem de soja estão cada vez diminuindo no Mato Grosso do Sul. Nas últimas três ou quatro safras foi diminuindo a quantidade de áreas em que foi detectado essa ferrugem, o que mostra que o produtor está fazendo esse controle certo na região.

D.N- O que o produtor tem que fazer durante esse tempo?

R.A.G- Ele tem que monitorar a área dele para que no período estabelecido não tenham plantas de soja em produção. Caso tenham plantas espontâneas na área ele tem que fazer a retirada ou por manejo químico com herbicidas ou manejo manual mesmo, uma catação quando são em poucas quantidades. O período determinado nem sempre foi esse, teve uma alteração faz em média de três safras, quando o período terminava em 01 de outubro, só que aí os estados vizinhos como Paraná e Mato Grosso adotavam 15 de setembro, aí foi uma reivindicação do setor produtivo para ficar igual.

D.N- O que acontece com o produtor que não segue ou respeita o vazio sanitário?

R.A.G- Ele pode sofrer uma autuação em função da fiscalização do Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal) do Mato Grosso do Sul que faz esse controle dessa defesa do caso fitossanitário. Isso pode acontecer por uma denúncia de alguém da área ou mesmo uma fiscalização esporádica e pode autuar caso seja constatada a negligência.

D.N-Fale sobre a ferrugem asiática ou ferrugem da soja.

R.A.G- É uma doença causada por um fungo e é com certeza a principal doença e que mais causa prejuízos ao produtor. Normalmente no Estado os primeiros focos ocorrem em Chapadão do Sul por causa das condições climáticas, condições do local, proximidade com o estado de Mato Grosso e também com Goiás por esses fatores, porém tem também às vezes relatos de casos em Naviraí, Dourados, Amambaí e outras cidades. Essa doença aparece geralmente na fase reprodutiva da soja e não na fase inicial e sim quando a lavoura está grande e em fase de enchimento de grãos aí que ela começa a aparecer. É importante então o produtor fazer o monitoramento, lembrando que são duas práticas de manejo, o preventivo ou seja que é feito com produtos que se aplica na lavoura que é para prevenir a entrada e a manifestação da doença e aqueles produtos que são curativos, nesse caso a doença já está na área e aí a busca é controlar para que não ganhe proporção muito grande. Normalmente quando se entra com o método curativo já houve perdas e se não tratar pode se alastrar mais ainda. Lembrando que as condições climáticas são de grande influência para que a ferrugem se manifeste, ela prefere quando o tempo está chuvoso, com vários dias nublados, aí quando volta aparecer o sol e limpar o tempo, normalmente é nesta condição que a doença aparece. No momento temos dias frios e a situação na época do cultivo da soja é diferente, mas, mesmo na entressafra há dias mais nublados e depois chuvosos aí depois começa a aparecer o calor, vem aquele mormaço, essa aí é a condição ideal da ferrugem que acontece muito quando se está tendo o cultivo da soja. Tem ano que é mais seco e não há a necessidade de fazer a aplicação de produtos, esse manejo tem que ser bem criterioso já que não necessariamente vai se ter condições ambientais favoráveis. Na safra passada, alguns locais foram mais chuvosos e as condições foram favoráveis, outros não, tem local que foi bastante seco nessa fase mais crítica e não houve necessidade de manejo químico. É preciso ter uma série de cautelas, saber acompanhar as condições climáticas, as fases da lavoura, se vai fazer a aplicação ou não de produtos e tudo isso requer técnica do produtor.

(Foto: Rodrigo Bossolani)

D.N- Quando o Estado adotou o vazio sanitário?

R.A.G- Acredito que há pelo menos umas dez safras, mas, não sei data ao certo. Foi notório que essa doença começou em Mato Grosso, na cidade de Primavera do Leste, lá tem muito pivô de irrigação, então o pessoal começa a plantar soja sem dar nenhum tempo, faziam plantios seguidos, aí a doença começou a explodir naquelas condições. Lá é quente e praticamente o ano inteiro tem irrigação, está sempre tudo molhado e aí se faz plantios sequenciais, não tem como controlar a doença em uma situação dessas. Aí eles perceberam que o problema era esse cultivo sucessivo, onde sempre se vai ter hospedeiro para o fungo, então tem que se quebrar essa ponte, dando a janela na plantação de soja. O produtor colheu a soja, fez um bom manejo químico, matou todas as plantas da soja e fez o plantio do milho, então o fungo vai morrer.

D.N- Desde a implantação, houve casos de ferrugem asiática no Estado?

R.A.G- Sim, tem casos, ainda que estejam diminuindo a cada safra. É que depende muito da condição daquela safra se é favorável ou não. Às vezes se tem uma condição muito favorável a pressão é muito grande, aí algum caso sempre aparece e tem épocas em que as safras são menos favoráveis quando se está mais seco. Nos últimos cinco anos houve queda no número de pontos em que foi diagnosticado a ferrugem, isso em Dourados também.

D.N- Produtores da região tiveram perdas com a doença?

R.A.G- Não porque o produtor que faz um bom manejo e o acompanhamento normalmente ele tem sucesso. Atualmente há muitos produtos bons no mercado para prevenir e controlar, o que ajuda, aí quando há perdas são mínimas.

D.N- Em quantos por cento a medida reduz ou reduziu a incidência de ferrugem asiática no Estado e em Dourados?

R.A.G- Em porcentagem não temos esse dado. Podemos afirmar que nas últimas safras tem diminuído o número de casos pois, os produtores têm respeitado e se conscientizado que é preciso deixar essa janela de vazio para não ter problemas futuros com a doença que tem um potencial de destruição grande da lavoura se não for combatida.

D.N- Como é feita a fiscalização?

Normalmente eles (Iagro) vão até porteira da propriedade e fazem essa fiscalização in loco. Acredito que se baseiam em um mapeamento das áreas mais críticas, das áreas que já tem histórico e começam por estas localidades. Por meio disso realizam um bom levantamento a nível de estado.

D.N- Quando a doença aparece o que é feito para controlar ou acabar?

R.A.G- Quando a doença já se manifestou na planta você aplica o produto para evitar que a doença se alastre mais ainda e cause mais danos. Mas, quando acontece isso o dano já está lá, é necessário tentar impedir que o mesmo aumente e cause mais perdas. Esse método é eficaz mas não é 100%, dificilmente vai se ter um produto que cure a lavoura em totalidade. Quando os produtos são aplicados nas condições certas, o controle é rápido.

D.N- O que ela causa na plantação? Ela pode passar para propriedade do lado ou seja, se alastrar?

R.A.G- A doença tem essa característica de disseminação pelo vento, então ela se alastra por causa da estrutura reprodutiva do fungo e pode seguir por uma grade distância. O fungo penetra na folha e forma hifas que vão dificultar o processo de fotossíntese da planta que começa a ser colonizada pelos fungos.

D.N- Acredita que essa medida tem sido eficiente ou deveria se traçar novas formas para prevenção da doença?

R.A.G- Bom, o vazio sanitário tem sido uma ótima estratégia desde que seja respeitado já é mais de meio caminho andado. O que a pesquisa está trabalhando bastante é o desenvolvimento de cultivares mais tolerantes ou propriamente resistentes. Aí seria interessante ou seja, escolhe uma cultivar, faz a semeadura e essa doença não vai conseguir se manifestar nessa cultiva, essa é uma característica que estamos trabalhando, tentar desenvolver cultivares resistentes a doença, aí o problema estaria praticamente resolvido.


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