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Paulo Guedes chama mulher de Macron de feia e depois se desculpa

05 setembro 2019 - 22h05Por G 1

O ministro Paulo Guedes (Economia) disse nesta quinta-feira, dia 05 de setembro, em Fortaleza que Brigitte Macron, mulher de Emmanuel Macron, presidente da França, "é feia mesmo". Na ocasião, o ministro falou ainda sobre a necessidade de acelerar as privatizações no país e defendeu a venda dos Correios para a iniciativa privada.

Em uma palestra para convidados no evento "A Nova Economia do Brasil - o impacto para a região Nordeste", Guedes falava sobre o que classificou como "progresso" do governo de Jair Bolsonaro em setores diversos quando citou o episódio em que o presidente falou sobre a mulher de Macron.

"Eu tô vendo o progresso em várias frentes, mas nada disso... é... tudo isso é assim... a preocupação é assim: xingaram a [Michele] Bachelet, xingaram a mulher do Macron , chamaram a mulher de feia. Macron falou que tão botando fogo na floresta brasileira e o presidente devolveu: 'que a mulher dele é feia, por isso ele tá falando isso'. Tudo bem, é divertido, não tem problema nenhum. É tudo normal e é tudo verdade. Presidente falou mesmo, e é verdade mesmo, a mulher é feia mesmo [sorri, e a plateia ri e aplaude] . Não existe mulher feia, existe mulher observada do ângulo errado".

A Embaixada da França em Brasília informou que não vai se manifestar sobre a declaração do ministro.

Após a palestra, o ministro foi questionado, durante a coletiva de imprensa, sobre a afirmação que deu a respeito da esposa de Macron, e respondeu: "Chamar a primeira dama de feia? Não sei do que você tá falando". Em seguida, explicou: "O que eu tenho a ver com a opinião a respeito da primeira dama francesa? Você viu que a gente brincando, falando que o presidente é uma pessoa com bons princípios, e às vezes, na forma de falar, ele extrapola, brinca...".

Guedes argumentou, ainda, que as críticas deveriam ser feitas à declaração de Macron sobre fazer uma intervenção internacional na Amazônia. "Vocês deviam estar criticando isso, o Macron tá querendo fazer uma intervenção porque chamaram a mulher dele de feia, olha só que coisa horrível. Quer dizer que se alguém chamar sua mulher de feia você pode fazer uma intervenção internacional? Em quem chamou a mulher de feia? Você devia criticar isso. Você apoia uma intervenção internacional no Brasil, na Amazônia?", questionou.

À noite, por meio de nota, Guedes se desculpou pela brincadeira feita no encontro. "O Ministro Paulo Guedes pede desculpas pela brincadeira feita hoje em evento público em Fortaleza, no Ceará, quando mencionou a primeira-dama francesa Brigitte Macron. A intenção do ministro foi ilustrar que questões relevantes e urgentes para país não têm o espaço que deveriam no debate público. Não houve qualquer intenção de proferir ofensas pessoais".

Comentário

O comentário sobre a mulher de Macron havia sido feito por Bolsonaro em resposta a um seguidor em um post do presidente, no Facebook, sobre a atuação de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em Porto Velho para combater as queimadas na Amazônia.

O seguidor postou fotos dos dois presidentes acompanhados de suas mulheres com a seguinte pergunta: "Entende agora pq Macron persegue Bolsonaro?". O seguidor ainda acrescentou "é inveja presidente do Macron pode crê (sic)".

Bolsonaro respondeu ao comentário dizendo: "Rodrigo Andreaça não humilha cara. kkkkk".

O presidente apagou o comentário. A postagem, feita em 24 de agosto, ficou no ar até o dia 27.

Os dois casais presidenciais, brasileiro e francês, têm em comum a diferença de idade, sendo que Brigitte Macron, de 66 anos, é mais velha que o marido, que tem 41 anos. Já Bolsonaro tem 64 anos, enquanto sua esposa, Michelle, tem 37.

O fato gerou uma polêmica com Macron que, na última segunda-feira (26), disse que o comentário foi "extraordinariamente desrespeitoso". O chefe de Estado francês disse ainda esperar que os brasileiros tenham rapidamente um presidente à altura do cargo.

"O que eu posso dizer? É triste, é triste. Mas é triste, em primeiro lugar, para ele e para os brasileiros. Eu penso que as mulheres brasileiras têm, sem dúvida, vergonha de ler isso de seu presidente. Creio que os brasileiros, que são um grande povo, têm também vergonha de ver esse comportamento -- eles esperam, quando se é presidente, que nos comportemos bem em relação aos outros", afirmou Macron em Biarritz, onde participava do encontro do G7.

E completou: "Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que eles rapidamente tenham um presidente que se comporte à altura".

O porta-voz de Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, afirmou que a publicação foi apagada para evitar "dupla interpretação" sobre o tema.

Em 27 de agosto, questionado sobre o caso, Bolsonaro disse que seu comentário chamou atenção do seguidor para que ele não falasse “besteira”.

“A mulher dele [Macron]... Eu não botei aquela foto. Alguém que botou a foto lá, e eu falei para ele não falar besteira. É isso que eu botei lá”, disse. “[No] meu comentário, eu falava para não insistir neste tipo de postagem”, acrescentou.

Diante da observação feita na entrevista de que seu comentário tinha risadas (kkkkk), Bolsonaro encerrou a entrevista irritado e não respondeu a indagação se pretende pedir desculpas à primeira-dama da França.

'Programa Acelerado de Privatização'

Guedes afirmou ainda durante a palestra que vai acelerar o processo de privatização de empresas no país. "Fizemos uma reunião na semana passada e decidimos, olha, vamos ter de acelerar", disse. "Tinha o PAC, né? Vai ter o PAP, Programa Acelerado de Privatização", completou, em tom de brincadeira.

O ministro reclamou da burocracia que, segundo ele, tem dificultado o processo de venda de empresas públicas. "A gente prepara a a documentação. Manda para o TCU (Tribunal de Contas da União) e aí, volta (...). Demora mais um ano e meio. Não tem como", criticou Guedes, acrescentando que a venda de estatais deveria ser mais desburocratizada. "Quando você está no setor privado, vende em 40 dias", afirmou.

Guedes também defendeu a privatização dos Correios, anunciada em agosto último. "Qual a dúvida de privatizar os Correios? Lá nasceu o mensalão. Ninguém escreve mais cartas", sugeriu. Ao enumerar as vantagens de se privatizar a estatal, ele citou a concorrência de gigantes multinacionais do setor.

"Imagina isso disputado por gigantes como DHL, UPS, Fedex, e imagina as que já estavam por lá, a TAM e Azul, querendo fazer o last mile (contratação de empresa que faz a "última milha" por meio de conexões). Imagina as do futuro, Amazon", afirmou.

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