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ARTIGO

O pior da crise passou, por Waldir Guerra

30 outubro 2017 - 08h02Por Waldir Francisco Guerra
 
O pior da crise política já passou, contudo, fiquei com a sensação de começar o dia tendo um café da manhã com pão amanhecido, ou pior: que preciso comer desse pão velho por mais de um ano.
 
Não me iludo, governo ruim por mais um longo período, mas seria muito pior trocar este (Michel Temer) por qualquer outro da vez – ainda mais quando me ponho a pensar em toda a discussão e perda de tempo com acusações inúteis que deixaram de acontecer.
 
Que nossa vida não vai ser fácil nesta espera para termos um novo governo também sei, só espero que não chegue à situação dos cariocas que além dos problemas políticos ainda têm o pior: total falta de segurança. No Rio de Janeiro já são 113 policiais assassinados neste ano. Em algumas localidades, especialmente em favelas, quem comanda tudo são as gangues de bandidos.
 
Também acompanhei com certa ansiedade a votação que derrubou o pedido de investigação e julgamento solicitado à Câmara dos Deputados do presidente Michel Temer. Sim, ele venceu, mas saiu como “pato manco” desse julgamento. Ou seja: seu governo não tem mais condições de aprovar as reformas necessárias para recolocar o Brasil no caminho do desenvolvimento.
 
Você caro leitor pode ter lá uma outra razão como prioritária, mas a minha continua a mesma de sempre: a infraestrutura precisa ser melhorada. Não temos mais estradas suficientes e o setor de transporte de cargas está pior que a área da saúde neste país. Um caos – se não está, vai ficar porque a produção agrícola vai aumentar no ano que vem, assim dizem os órgãos encarregados.
 
Enquanto o governador Geraldo Alckmin escreve que irá implantar mais 3.500 quilômetros de duplicações e modernizações nas estradas paulistas neste próximo ano, o governo federal diz que terá um déficit de mais de 100 bilhões para o ano que vem; ou seja: não terá nenhum centavo para estradas novas – muito menos para consertar as existentes. 
 
Todos já estão fartos de saber que o agronegócio está bancando o respeito pelo Brasil perante os demais países do mundo. Sim, não é mais o futebol e a nossa música – que na verdade fizeram sua parte na divulgação do nosso país perante os países mais desenvolvidos.
 
Depois de 14 anos de governos petistas no Brasil desprovidos de capacidade administrativa – inclua aqui este próprio governo peemedebista também, por favor – o agronegócio adquiriu o respeito dos demais países pela sua capacidade de produzir alimentos. Desde a gigante China até o minúsculo Mônaco consomem os milhares de produtos derivados da soja brasileira e precisam das carnes de aves e gado brasileiros.    
 
O agronegócio brasileiro tem números impressionantes que não podem ser ignorados: somos uma importante força alimentícia já que produzimos alimentos suficientes para abastecer um terço da população mundial. 
 
O setor do agronegócio detém vantagens em relação aos outros setores da economia pois, mesmo com toda crise, continua investindo e gerando empregos e movimentando toda economia.
 
O agronegócio, como os outros setores, também sofrerá neste próximo ano, mas é o melhor preparado para lidar com as adversidades e, por isso, está na hora do governo federal pensar com seriedade em políticas que favoreçam o campo para que os produtores rurais tenham condições de manter a produção de forma sustentável. Para isso o governo precisa dar-lhes uma infraestrutura melhor. 
 
O pior passou, mas se prepare caro leitor, ainda temos mais de um ano comendo desse pão dormido. 
 
Waldir Guerra *
 
* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, Secretário do Governo e deputado federal (wguerra@terra.com.br)

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