Menu
Busca domingo, 20 de outubro de 2019
(67) 9860-3221

"Aty Guassu" critica morosidade na demarcação de terras indígenas

02 dezembro 2012 - 10h07

Em um documento cuja cópia foi entregue ontem, dia 1º de dezembro, a representantes do governo federal, do Ministério Público Federal (MPF) e a parlamentares sul-mato-grossenses, os cerca de 300 índios guaranis kaiowás e nhandevas que participaram do Aty Guasu denunciaram episódios de violência e exigiram a rápida demarcação de terras. "Não aceitaremos mais promessas vazias e conclamamos toda a sociedade brasileira e internacional a continuar exigindo do governo brasileiro a demarcação de todas as nossas terras."

Tradicional assembleia guarani, a Aty Guasu reúne lideranças de todas as comunidades da etnia existentes em Mato Grosso do Sul, além de idosos, crianças, homens e mulheres que se reúnem para discutir os problemas e as principais reivindicações de cada terra, aldeia ou acampamento guarani sul-mato-grossense. Este ano, a assembleia ocorreu entre quarta-feira (28) e ontem (1), na Aldeia Lagoa Rica-Panambi, e contou com a presença de representantes de vários órgãos da estrutura federal, como a presidenta da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marta Azevedo. Essas mesmas autoridades participaram, ontem (30), de um encontro para tentar achar soluções para o conflito fundiário entre índios e fazendeiros, que há décadas disputam terras no estado.

No documento aprovado ao fim da assembleia, os índios fazem uma série de reivindicações e voltam a criticar o governo federal pela "morosidade em demarcar as terras indígenas" já identificadas. Os guaranis exigem que os governos federal e estadual consultem a Aty Guasu sobre qualquer iniciativa ou procedimento que afetem os interesses indígenas e pedem que medidas mais as eficazes sejam tomadas para garantir a vida das lideranças, sobretudo daquelas de comunidades em áreas de conflito.

A Aty Guasu também pede mais atenção e recursos à saúde indígena, alegando que os guaranis são vítimas de um processo de "etnocídio" e estão "condenados a um sistema de saúde sucateado", no qual faltam profissionais dispostos ou aptos a atender as áreas indígenas. Situação semelhante à encontrada no campo da educação indígena, de acordo com o documento entregue às autoridades.

Os índios também criticam o Poder Judiciário, que, no documento, é classificado como o maior "executor de penas que causam a morte de nosso povo". "Processos de demarcação há anos se arrastam nos porões do Judiciário; ordens de despejo são dadas a todo o momento e indiscriminadamente [...] quando é obrigação do governo brasileiro garantir escola, saúde, alimentação e documentação para nosso povo, onde quer que ele esteja", criticam os líderes indígenas presentes à Aty Guasu, afirmando que o Estado só age para garantir os direitos indígenas quando pressionado pela repercussão midiática e social de certos temas.

"Repudiamos todas as violências, ameaças às lideranças e mentiras levantadas contra nossos parentes e reafirmamos para toda a sociedade que estamos unidos com o mesmo objetivo. Não permitiremos que outros povos sejam massacrados como o nosso. Por isso exigimos a demarcação das terras do povo Terena, Kinikinau e Ofaié, além da imediata devolução das terras do povo Kadiwéu".

Deixe seu Comentário

Leia Também

IMPASSE
Representantes da UFGD recorrem à bancada federal para nomeação de reitor
10 MESES
Bombeiros encontram mais um corpo da tragédia em Brumadinho
INVENTÁRIO
Juiz da Capital pode estar ligado a mais um esquema de corrupção
UEMS
Dourados sedia na próxima semana o IV Congresso de Línguas
INTERNACIONAL
Incerteza sobre 4º mandato de Evo marca eleição amanhã na Bolívia
Céuzinho
Jovem sobrevive após cair de altura de 20 metros em cachoeira
JUDICIÁRIO
Gilmar Mendes suspende lei municipal que barrava ensino de gênero
CAPITAL
Aquaplanagem pode ter causado acidente que matou violeiro, diz motorista
UEMS
Semana Técnica de Computação começa segunda-feira em Dourados
CRIMINOSOS
‘Escritório’ da falsificação: Preso tinha contratos com grupo de estelionatários

Mais Lidas

PONTA PORÃ
Empresário é executado por pistoleiros na fronteira
CAMPO GRANDE
Cantor Ivo de Souza morre em acidente no macro anel da BR-262
DOURADOS
Homem é assaltado por travesti após parar carro no Centro
DOURADOS
Mãe de criança morta após parto segue internada sob escolta