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Nossa história: rádios atuais são frutos da década de 40

20 julho 2009 - 14h56

A história das rádios de Dourados começou há mais de 60 anos
em Dourados. Segundo
o jornalista e professor Osni Tadeu Dias, um indígena teria sido o primeiro à trabalhar com comunicação radiofônica. Na década de 40, segundo ele, usando uma corneta um índio com o apelido de “Coruja”, andava pela Avenida a Marcelino Pires, hoje principal avenida da cidade, com uma corneta na mão, fazendo propaganda das lojas e anunciando os filmes em cartaz no antigo cine Santa Rita, mais ou menos como fazem atualmente os carros de som.
A rádio como conhecemos hoje só entraria no ar de fato em 1955 com a Rádio Clube de Dourados, em caráter experimental até 1957, quando foi homologada pelo Ministério da Educação e pelo Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações), que na época era o órgão responsável pelos veículos de comunicação.
O prefixo da rádio era o “ZYX 23”. Os irmãos Brunini foram os primeiros proprietários da emissora, contratando Flávio Araújo como seu primeiro diretor. “Depois dele, foram diretores Jesualdo de Oliveira, Edmundo Linato Ribeiro, descendente do tenente Antonio João Ribeiro, combatente na Guerra do Paraguai (...), Antônio Moraes dos Santos e Rachid Saldanha Derzi, tendo Theodorico Luiz Viegas na direção. Em 1963, Jorge Antonio Salomão adquiriu a rádio em sociedade com Saldanha Derzi, então deputado federal, passando a administrar a emissora”, conta Osni.
“Quando comecei no rádio, as dificuldades eram muitas. Eu sou pioneiro, em matéria de rádio. Só para a Rede Piratininga, montei dez estações, desde a base. Depois ajudei a dirigir uma rede com 36 estações. Em Dourados as coisas foram completamente diferentes.
Em São Paulo
tínhamos energia elétrica, bons técnicos, facilidade de comunicação, transporte, e todas as condições para trabalhar. Aqui não havia energia elétrica e o sistema de telecomunicações e o transporte eram precários (...). Não havia recursos humanos nem tampouco ouvintes”, contou Jorge Antônio Salomão para o Jornal “O Progresso” em 12 de setembro de 2002.
Em 1969, Dourados passou a ter energia elétrica e em 1970 chegou ao município a primeira transmissora de TV e as rádios se expandiram na cidade.
Jorge Antônio Salomão ainda trabalhou até 2003, quando abandonou o microfone em razão dos problemas de saúde. Faleceu às 17h30 do dia 2 de maio de 2004, vítima de parada respiratória, aos 88 anos de idade, deixando esposa, filhos, netos e bisnetos.
Fazer rádio em Dourados hoje é mais fácil e o trabalho que foi iniciado na década de 40 deu suporte à cidade, que possui atualmente várias rádios, entre as quais se destacam a Boa Nova, Grande FM, 94 FM, Cidade 101, Coração, Clube e Caiuás.
 

Fonte: Osni Tadeu Dias em “Jorge Antonio Salomão, o precursor do rádio em Dourados”, 2004.
 

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