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Negros e índios não preenchem cotas em 75% dos cursos

12 dezembro 2009 - 14h00

Única instituição pública a adotar a política de cotas no Estado, a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) tem como principal desafio encontrar candidatos negros e índios para preencher as vagas disponíveis.

No vestibular de verão de 2010, que será feito por cerca de 10 mil inscritos no domingo, o número de candidatos não preenche as vagas destinadas aos cotistas, em 75% dos 52 cursos distribuídos em 15 campi.

Levantamento realizado pelo Campo Grande News mostra que 39 cursos tiveram menos negros e índios inscritos do que vagas ofertadas. No caso dos negros, que têm direito a 460 vagas, 28 cursos tiveram a concorrência inferior a um inscrito por vaga. Outros dois não receberam inscrição, apesar da disponibilidade.

A UEMS não registrou a inscrição de nenhum índio para disputar as vagas oferecidas na parte de cotas (10% do total) em 14 cursos. Em outros 13, a concorrência é inferior a zero.

Até cursos disputadíssimos, como é o caso de Direito Matutino em Paranaíba, que oferece quatro vagas para índios, não teve nenhum candidato inscrito. Um dos motivos pode ser o fato de não haver aldeias na região que também abrange Cassilândia, onde três cursos oferecem 14 vagas para indígenas e o número de inscritos também foi zero.

Entre os negros, a concorrência ficou em 3 por vagas, enquanto na geral é de 10 candidatos para cada vaga. Em Dourados, onde fica uma das maiores reservas indígenas do País com 12 mil índios, o curso de Engenharia Física não teve nenhum índio inscrito para disputar as cinco vagas disponibilizadas na cota.

Negros – Os negros também não conseguiram preencher parte de 20% das 2,3 mil vagas oferecidas este ano pela Universidade Estadual. Dois cursos, de Turismo com Ênfase em Ambientes Naturais Matutino de Dourados e Ciências Econômicas de Ponta Porã não tiveram candidatos negros inscritos.

Em Aquidauana, os negros tiveram a concorrência inferior a um candidato por vaga em três cursos (Agronomia, Engenharia Florestal e Zootecnia). Já entre os índios, a concorrência nestes cursos oscilou entre 1,8 a 2,8 por vaga.

Nas vagas gerais, onde os demais candidatos disputam 1.610 vagas, a concorrência oscilou entre 1,7 e 21,9 candidatos por vaga. O mais disputado é o curso de Direito em Dourados.

Remanejamento – A pró-reitora de ensino da UEMS, Elisângela Scaff, explicou que as vagas sem candidatos são preenchidas com o remanejamento entre as cotas. Antes de destinar a vaga prevista em lei para os demais candidatos, a universidade tenta colocar índios nas vagas não preenchidas pelos negros e vice-versa.

Ela afirmou que os índios não preenchem as vagas destinadas nas cotas nos municípios sem reserva indígena e longe de aldeias, como Cassilândia e Paranaíba. Como os índios possuem uma ligação muito forte com a terra e a família, a maioria não sai de casa para estudar em outras cidades.

Já no caso dos negros, ela contou que os candidatos precisam do aval de uma comissão formada por membros indicados por entidades de defesa dos direitos da raça negra. “Tem um número razoável que é indeferido”, revelou, sobre os candidatos que se declaram negros para disputar as 460 vagas destinadas para a cota.

Além de provar que são negros ou índios, os cotistas só são contemplados se atenderem outros requisitos, como ter estudado em escola pública e integrar família comprovadamente carente.

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