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Marinha determina resgate de barcaças do leito do Rio Paraguai

31 julho 2006 - 13h58

A Marinha do Brasil reforçou a determinação de retirada de duas barcaças que há três meses estão afundadas no leito do rio Paraguai com carregamentos de soja e minério de ferro. O reforço sobre a necessidade do resgate aconteceu durante reunião da Capitania Fluvial do Pantanal, realizada na última quinta-feira, 27 de julho, com representantes dos armadores e proprietários das barcaças; da companhia seguradora e de técnicos do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). De acordo com o capitão fluvial do Pantanal, capitão-de-fragata Santos Jorge Esperança Júnior, a posição da Marinha é pelo cumprimento da legislação marítima vigente, que estabelece a responsabilidade dos proprietários das embarcações naufragadas o dever de retirá-las do fundo do rio. "A via navegável não é para ser depósito de embarcações naufragadas", declarou o capitão.Os naufrágios ocorridos na primeira quinzena de abril foram em dois pontos distintos do rio Paraguai. No quilômetro 1.709,3 uma barcaça com carga de aproximadamente 600 toneladas de soja está com 94% de sua estrutura afundada na região do Passo do Amolar, localidade conhecida como Volta do Braz. Com 39 metros de comprimento e 9,5 de largura, todo o carregamento está submerso.A outra embarcação, de bandeira paraguaia, está completamente submersa, numa profundidade aproximada de 14 metros, do km 1.470, nas proximidades da volta Miguel Henrique. Ela está carregada de minério de ferro. A barcaça tem 59,4 metros e largura de 10,6.Embora não apresentem "comprometimento do espaço aquaviário para navegação", como informa o aviso aos navegantes emitido diariamente pelo Serviço de Sinalização Náutica do Oeste, uma vez que os locais estão devidamente sinalizados com tambores luminosos nas cores laranja e vermelha, além da permanente vigilância de barcos de apoio, a preocupação da Marinha é justamente com a segurança da navegação, já que a possibilidade de acidentes nunca pode ser descartada. Poluição da águaOutra preocupação, esta alertada pelo Ibama, diz respeito à possibilidade de poluição do rio pelas cargas submersas. "Há riscos sim, principalmente do carregamento de soja que apodrece", observou o chefe do escritório do Ibama corumbaense, Ricardo Lima. Ele participou do encontro e informou que o órgão ambiental já determinou a realização de laudos técnicos para avaliar se houve algum tipo de dano.Entre as questões preocupantes está o fato de a barcaça de soja naufragada estar em um ponto na região norte, ou rio acima. Como as águas descem pelo leito, passam pela estação de captação de água bruta instalada no meio do rio, na frente do Porto Geral.Segundo o capitão fluvial, durante o encontro com os responsáveis pelas embarcações, eles se mostraram completamente "favoráveis" à retirada, mas questionaram a possibilidade de deixá-las afundadas como estão atualmente. Iniciativa que não é permitida pela Marinha.  

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