Menu
Busca domingo, 26 de janeiro de 2020
(67) 9860-3221

JOGO DA VIDA

02 agosto 2006 - 13h22

Desde a Antiguidade, as elites pouco se preocuparam com as condições de vida do povo, mas, sempre tiraram dele “objetos” para seu “entretenimento”. A diversão podia ser pessoal, privativa, ou coletiva. Nesse último caso, gente do povo era usada para distrair seus pares de problemas do cotidiano: pobreza, desemprego, opressão, corrupção... Cada tempo teve o seu "pão e circo", e os esportes, quase sempre violentos, tiveram um papel importante em cada contexto!Num universo onde a crueldade imperava, os mais hábeis gozavam de algumas vantagens; os sobreviventes alcançavam o status de heróis, liberdade e ascensão social; mas muitos nunca deixaram de ser escravos...Hoje, a evolução da civilização deu outras ênfases ao esporte: saúde, espírito de grupo etc; mas ele continua sinônimo de entretenimento, no bom e mau sentido. Para a elite ele é um prazer, mas para os menos favorecidos, muito mais que isso, ele é um meio de sair da miséria. É o caso, no Brasil, do futebol, mais do que qualquer outro esporte! Mas nem sempre a finta, o jogo de cintura, a finalização ou desarme, precisos, e a coragem e garra em campo servem para enfrentar o jogo da vida. Ele pode ser muito mais implacável que qualquer marcador “cabeça-de-bagre”! Mas o mundo do futebol exerce um fascínio quase irresistível sobre alguns, sobretudo os mais jovens.Dinheiro, fama, glamour e sensualidade são atrativos que podem iludir com facilidade quem mal saiu da adolescência e está, por isso mesmo, com os hormônios a mil por hora, enquanto os neurônios ainda estão subutilizados. A ilusão é de que com a fama: o feio vai ficar bonito, o mal-educado vai virar excêntrico e o errado vai virar certo!Muitos “olheiros” e empresários usam esses argumentos para vender ilusões em busca de lucro, mas poucos preparam seus "pupilos" para lidarem com os riscos inerentes: O néctar da glória inebria! O fogo da fama queima! Para piorar, aos sonhos de glória, das crianças, somam-se as ambições dos pais, num contexto sócio-político de muita discriminação e poucas opções. A transição social também é complexa, pois os amigos se multiplicam e, principalmente, os maus amigos vão querer continuar sendo íntimos. Também há os assédios moral, sexual e, agora, internacional. Mal adquiriram a consciência de si próprios, e já correm o risco de perder a identidade cultural e nacional!O impacto psicológico é dramático e transtorna e cega alguns, que passam a acreditar que o efêmero é eterno, ou que sendo efêmero precisa ser aproveitado intensamente, sem medidas ou cautelas. As festas de embalo, a promiscuidade sexual e o vício passam a fazer parte de suas vidas. Não vêem, ou não querem ver, relacionamentos interesseiros. Tiram proveito temporário deles, é verdade; mas a paixão "oportunista", em breve, vira pensão judicial, indenização...Tudo é festa! Mas o tempo esportivo é curto, e poucos se preparam, financeira, profissional e psicologicamente para o ocaso... Enxergam o futuro, mas não aprendem com o passado.Grandes ídolos tiveram suas carreiras destruídas por excessos e más companhias, ou viveram decadências meteóricas, mental e financeira, por investirem mal, não buscarem opções profissionais, por não conseguirem lidar com a "síndrome de abstinência" de fama, ou com o esquecimento das massas, volúveis. Podem ter conhecido o mundo; aproveitado, materialmente, tudo do bom e do melhor; vivido com luxo e extravagância, mas não conseguiram amadurecer, nem se tornarem pessoas melhores, nem cativar ou merecer relacionamentos sinceros. E um dia, quando tudo termina, muitos não resistem e se entregam, definham ou coisa pior... Ganharam no campo, mas perderam no jogo da vida!O esporte já livrou muitos da miséria, mas também devolveu a ela outros tantos!Por isso, é importante que os clubes, empresários e, principalmente, os pais lembrem que não estão lidando com uma mercadoria, mas com seres humanos em formação: frágeis e inexperientes! Não basta treiná-los física, técnica e taticamente. É preciso prepará-los psicologicamente para enfrentar esse universo onde fantasia e crueldade se alternam abruptamente. Afinal, se a fama nos leva às alturas, é indispensável estar preparado para jogar e vencer, também nesse tipo de altitude elevada... * Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
Mourão inaugura estátua de D. Pedro I em São Paulo
CRIME AMBIENTAL
Paulistano é multado em R$ 21 mil por derrubar mata atlântica em MS
Grupo de Trabalho
Reunião discute combate ao feminicídio em Mato Grosso do Sul
BRASIL
Grupos de estudantes podem agendar visitas às sessões plenárias e das Turmas do STF
ESTADO
MEC aprova 1ª Residência Multiprofissional em Saúde da Família da UEMS
BRASIL
Chuvas em Minas Gerais já fizeram 7 mortos
CONTRABANDO
Casal é preso com mais de R$ 400 mil em relógios e celulares
POLÍTICA INTERNACIONAL
Brasil e Índia assinam acordos em tecnologia, energia e segurança
CAPITAL
Homem é atacado por pitbull em praça quando brincava com os filhos
TRÁFICO DE DROGAS
Cocaína apreendida em Ponta Porã seria levada para Brasília

Mais Lidas

TRAGÉDIA
Pai e filha moradores de Dourados morrem em acidente no Paraná
DOAÇÃO
Órgãos captados em Dourados vão salvar vidas em três Estados
TRÁFICO
‘Espaço de lazer’ em Dourados era usado para guardar drogas e abrigar fugitivos
DOURADOS
Assassinato na Vila Rosa aconteceu por ciúmes durante manutenção em porta