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Fórum divulga manifesto contra usinas no Pantanal

03 dezembro 2003 - 11h53

O Fórum Permanente de Defesa do Pantanal quer a participação de toda a sociedade na luta contra a instalação de usinas de álcool na bacia do Pantanal, que pode representar o fim daquele Patrimônio da Humanidade. Durante reunião esta semana, quinze ONG’s (Organização Não Governamental), juntamente com outras pessoas e segmentos da sociedade elaboraram um manifesto público em defesa daquela região (veja a íntegra abaixo) elencando diversos pontos negativos dessa investida contra o Pantanal.Entre os itens apresentados está a produção de vinhoto que é dez vezes maior que do álcool. Trata-se de um produto altamente perigoso para o meio ambiente e que a alegação das usinas de que esse material é utilizado como fertilizante, não é verdadeiro, pois somente uma pequena parte pode ser usada com este fim, o restante fica armazenado em grandes reservatórios abertos no solo, contaminando inclusive o lençol freático. Quando esse produto vaza e cai num leito de rio, córrego ou riacho, provoca mortandade de peixes e animais da região, como ocorreu no mês passado com a usina Santa Olinda em Sidrolândia.De acordo com o presidente do Fórum, empresário Astúrio Ferreira dos Santos, além do vinhoto, existem inúmeros outros poluentes como a água de lavagem da cana que é cáustica, detergentes e anticorrosivos usados na manutenção dos equipamentos.Para se ter idéia do perigo que o meio ambiente poderá enfrentar, são 19 usinas que estão para ser instaladas na região e sobre tecnologia de segurança, apenas uma hoje no Brasil, do grupo Ometo, em São Paulo, têm o certificado ISO, de qualidade ambiental.Astúrio convocou também pessoas da comunidade, entidades de classe a comparecer na audiência pública amanhã na Assembléia Legislativa, para discutir sobre a instalação ou não de usinas no Pantanal.Veja a seguir a íntegra do manifesto público do Fórum, divulgado agora a pouco: Manifesto PúblicoEm defesa do Pantanal Sul-mato-grossense Na década de 80, toda a nossa sociedade se mobilizou contra a instalação de usinas de álcool no Pantanal. Não que elas não fossem bem vindas, mas não podia ser no sopé da Serra da Bodoquena, dentro da bacia pantaneira. O clamor popular do primeiro grande movimento ambiental brasileiro, fez com que o governo da época fizesse uma lei proibindo a instalação de indústrias poluentes dentro desse Patrimônio da Humanidade. Decorridos mais de vinte anos, volta o governo do PT, que esteve naquela época ao lado da sociedade, a fazer um decreto apresentando a mesma proposta que condenou no passado. Como um decreto não podia passar por cima de uma lei, o próprio governo retirou o seu decreto da pauta de votações, com a promessa de que a mesma viria como Projeto de Lei. Agora, através do deputado estadual Paulo Corrêa, esse projeto de lei é apresentado, dispondo sobre a instalação de empreendimentos agroindustriais, sendo permitida a construção de usinas de álcool na área correspondente aos cursos d’água de influência direta na bacia pantaneira.Como dizia Jânio Quadros, só podemos atribuir determinadas decisões, a forças ocultas, que fazem com que um governo que veio para mudar, contrariando toda a lógica, decida contra a sociedade a favor de pequenos grupos que sempre estiveram contra esse mesmo governo revolucionário do Partido dos Trabalhadores.Por isso, voltamos a nos mobilizar e a contra gosto, reconvocar a sociedade, para juntos lutarmos não só pelo nosso futuro, mas, principalmente pelo futuro das novas gerações. Já que não adianta ter progresso, “entre aspas”, se esse progresso não tiver qualidade de vida. Abaixo elencamos os motivos pelos quais a sociedade deve estar atenta e consciente.§         O Pantanal projeta-se numa superfície de cerca de 200 mil quilômetros quadrado; é uma superfície tão plana,que a sua variação de altitude em toda essa área vai de zero a dez metros, por iss, o fenômeno das cheias e secas, onde o Pantanal renasce e vive a cada momento. Devido a essa falta de declividade a velocidade dos córregos e rios se torna baixa,dificultando até mesmo a dissolução de poluentes.§         Qualquer interferência nessa cadeia de ações naturais, pode provocar o seu total ou parcial desequilíbrio, como foi nessa mesma época em que não  fomos ouvidos, quando o ‘boom’ da soja, que acabou com as matas ciliares e hoje, aterra a planície pantaneira com milhões de toneladas de areia por dia. §         Destruindo e desfigurando o Panantal na sua forma natural, ele perderá suas características e sua vocação econômica e social de tradição centenária  de pecuária, pesca e hoje de turismo.§         A monocultura do açúcar e do álcool é altamente destruidora das formas de vida no seu meio, principalmente a microflora do solo. Ela usa em grande escala, desde o tratamento das mudas, grandes quantidades de herbicidas e inseticidas altamente tóxicos.§         Uma usina produz dez vezes mais vinhoto que álcool, produto altamente perigoso, que absorve todo o oxigênio da água, matando por asfixia toda vida aquática. Apenas uma parte serve para irrigação da própria lavoura para não saturar o solo. Sendo na sua maioria armazenada no próprio solo, que fica encharcado, indo atingir o lençol freático que é de pouca profundidade na região, indo prejudicar a vida microbiana.§         Além do vinhoto, uma usina lança no solo uma grande quantidade de outros poluentes: água de lavagem de cana que é cáustica, detergentes e anticorrosivos usados na manutenção dos equipamentos.§         Geralmente a grande extensão da monocultura requer desmatamento, onde o controle é tecnicamente ineficiente, ocasionando a poluição e o assoreamento dos cursos d’água.§         Além do mais, esse tipo de indústria onde se instala, trazem agregado desde os tempos do império, os vários problemas sociais, sendo um dos maiores , a mão de obra temporária, desmistificando os milhares de empregos gerados. Mas, segundo o presidente do BNDES, só Mato Grosso do Sul tem 23 projetos à espera  de financiamento do governo brasileiro.§         Esse novo projeto apresentado às carreiras, é para a quarta reedição do Proálcool, que tanta dor de cabeça tem dado à sociedade e ao governo brasileiro. Agora o Japão se propõe a comprar o nosso álcool, para fazer mistura com a sua gasolina para diminuir a poluição e cumprir as recomendações de Kioto. Contudo o grande problema está no Brasil, porque no Japão o nosso álcool entra limpo, deixando aqui o desmatamento, a monocultura, os venenos no solo, a poluição atmosférica e os problemas sociais. Será que o custo benefício  compensa essa corrida maluca? Porque o que se sabe é que até agora não existe nenhuma tecnologia segura. Isso é tão verdadeiro, que no Brasil só existe  a usina do grupo Ometo, em São Paulo, que serve de modelo  e referência. De todas as usinas do nosso País, só esta, desta dentro dos padrões aceitos sem restrições e até com o certificado ISSO de qualidade ambiental. §         Esperamos que os vários projetos de desenvolvimento sócio-ambiental que foram feitos para o Pantanal pelos mais diversos governos que já passaram por Mato Grosso do Sul, voltem a pauta de discussões para que possamos  analisar e aprovar o que concilie melhores os interesses do governo, dos empresários, da sociedade e o meio ambiente.  Fórum Permanente de Defesa do Pantanal 

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