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Fiscal do Ibama é preso em flagrante no MT

20 dezembro 2003 - 11h04

Policiais federais prenderam em flagrante o fiscal do Ibama Wilson Leite da Silva, 53 anos, por crime de concussão (tirar benefício para si de serviço público). O fiscal havia cobrado R$ 30 mil para não emitir uma multa no valor de R$ 300 mil contra um fazendeiro de Juara. A prisão aconteceu pouco depois do pagamento da propina, em um shopping center da Capital. Os policiais federais filmaram o pagamento e apreenderam os cheques que estavam no bolso do fiscal. Conforme o delegado Adriano Barboza, o fiscal iria multar a fazenda de Emerson Kasuo Guinosa, em virtude de uma queimada de mil alqueires, praticada fora da época permitida. A constatação da queimada aconteceu no mês de agosto desse ano. O proprietário da fazenda alegou que a queimada aconteceu acidentalmente. Porém, ao invés de emitir a multa o fiscal passou a assediar o advogado e procurador do proprietário, Vitor Toyana, para que aceitasse a sua proposta. O advogado procurou então a Promotoria da cidade de Juara que informou a polícia federal sobre o que estava acontecendo. A PF orientou o advogado a aceitar um encontro para que o dinheiro fosse entregue ao fiscal. Por coincidência Wilson tinha de comparecer a Superintendência da PF, em Cuiabá, para que fosse ouvido em um processo ontem à tarde, e marcou o encontro no shopping antes de sua audiência. A ação foi agrava por uma equipe da PF e também pelo circuito interno de vídeo do shopping. O advogado assina cinco folhas de cheque do Banco do Brasil e as entrega ao fiscal que as guarda no bolso esquerdo de sua bermuda. Conforme o delegado Adriano Barboza, não houve indução ao flagrante já que não foi forjada nenhuma situação. "O Código de Processo Penal prevê o flagrante esperado. Quando se espera a perpetração do crime", observou. Ao ser preso o fiscal, que trabalhava há 29 anos no Ibama, disse que não tinha conhecimento a respeito dos cheques encontrados em seu bolso esquerdo. Posteriormente a essa versão, ele alegou que o advogado do fazendeiro é quem o tinha procurado oferecendo o valor de R$ 30 mil para que a multa não fosse emitida. ¿Mesmo que o advogado o tivesse procurado ainda assim seria crime por corrupção passiva¿, analisou o delegado.  

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