Menu
Busca domingo, 19 de janeiro de 2020
(67) 9860-3221

Fechamento de carvoarias provoca desemprego na fronteira

08 agosto 2006 - 09h37

A ação das autoridades ambientais do Paraguai com a cooperação do governo brasileiro por meio do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) deixou centenas de pessoas desempregadas na região de fronteira que já vinha sofrendo com a crise no setor da agropecuária nos últimos três anos por conta da estiagem e mais recentemente com focos de febre aftosa que “nocauteou” toda a economia da região. A grande maioria dos agora desempregados, que trabalhavam nas carvoarias e serrarias da região atingida pela operação, são brasileiros que retiravam o sustento da exploração do carvão vegetal e das industrias de madeira. Agora, expulsos do país vizinho, tendem a aumentar a já vasta lista de desempregados nas cidades brasileiras da fronteira. Em Sete Quedas, por exemplo, onde pelo menos 500 pessoas perderam o emprego, o comércio vive clima de apreensão e, de acordo com a ACISQ (Associação Comercial e Industrial de Sete Quedas), com a crise no agronegócio ao longo dos três últimos anos muitas famílias acabaram passando a trabalhar na extração de carvão, o que garantia a renda familiar e o movimento no comércio. “Agora vivemos um clima de incerteza. Muitas pessoas perderam o emprego e isso certamente vai atingir em cheio, principalmente o setor de comércio em Sete Quedas”, disse o empresário Adão Sílvio, tesoureiro da entidade. Adilson Diozébio Nogueira, 38 anos, casado e pai de quatro filhos, foi um dos que perdeu o emprego com a ação das autoridades paraguaias apoiada pelo governo brasileiro na semana passada. Ele trabalhava há mais de três anos em uma carvoaria a cerca de 38 quilômetros da cidade de Sete Quedas e a 12 quilômetros da linha internacional entre Brasil e Paraguai, em território paraguaio, onde recebia em média, dois salários mínimos, em torno de 700 reais por mês como comissão. Adilson, em companhia de outro trabalhador brasileiro, Lídio Ferreira, 47 anos, que também ficou desempregado, disse que os paraguaios teriam determinado a saída imediata das 22 famílias de brasileiros que trabalhavam na carvoaria. Elas só não saíram com apenas a roupa do corpo porque fiscais do Ibama teriam pedido a extensão do prazo para a saída das famílias para 72 horas e o pedido foi atendidos pelas autoridades paraguaias. Sem emprego, sem ter para onde ir e sem se quer os pertences pessoais, já que temem votar a carvoaria para retirar suas mudanças. O casal Agnaldo Machado e Lurdes Conceição, que são da região de Paranhos, mas há tempos trabalhavam na mesma carvoaria, também está na mesma situação que Adilson e Lídio. Com quatro filhos com idades entre 9 e 14 anos e desempregados, eles não tem perspectivas de arrumar novo emprego tão cedo, já que o mercado de trabalho está totalmente saturado na região e temem até passar fome, caso não consigam outro emprego logo. Para o dono da carvoaria onde as três famílias trabalhavam, Otacílio Rodrigues Melo, 70 anos, com o prejuízo acumulado e agora sem fonte de renda não existe a menor possibilidade de manter os empregos. “Trabalho há mais de cinco anos com essa carvoaria. Sempre procuramos manter a documentação em dia e nunca imaginávamos uma situação dessas”, disse Otacílio ao se dizer consternado em ter que dispensar 22 famílias de uma só vez, mas, sem a renda do carvão, não tem como manter os empregados. Na região de Paranhos madeireiras fechadas durante a operação também já começaram as demissões. Segundo um empresário do setor que empregava mais de 20 famílias de forma direta, oito delas foram dispensadas na última sexta-feira e, se as proibições continuarem, todas as demais deverão ser dispensadas nos próximos dias. O fechamento das carvoarias e das madeireiras na região de fronteira além de afetar diretamente centenas de famílias que perderam, de forma repentina seus empregos, também acaba afetando de forma indireta vários outros setores. Trata-se de motoristas que realizavam os transportes das cargas que ficarão sem serviço, borracharias que terão a demanda de trabalho reduzida a exemplo de oficinas mecânicas e auto-elétricas, além de diminuir os abastecimentos nos postos de combustíveis e, sem recursos para comprar, o comércio em geral acaba deixando de vender ou receber dívidas antigas.

Deixe seu Comentário

Leia Também

VIOLÊNCIA
Homem é executado com 11 tiros na Capital
POLÍCIA
Funcionária de supermercado tem celular furtado enquanto trabalhava
DEODÁPOLIS
Pecuarista é multado por degradações ambientais em áreas protegidas
PONTA PORÃ
Caminhonetes são encontradas incendiadas no lado brasileiro da Fronteira
ECONOMIA
Brasil assina acordo de cooperação agrícola com a Alemanha
DOURADOS
Concursados da PM, Bombeiros e GM se unem para cobrar convocação
FRONTEIRA
Polícia de MS alia forças ao Paraguai para captura de foragidos de presídio em Pedro Juan
DOURADOS
Casal têm celulares roubados durante caminhada no Jardim Progresso
POLÍTICA
Novo partido não usará fundo eleitoral sancionado, diz Bolsonaro
SÃO GABRIEL DO OESTE
Adolescente é morta a tiros pelo marido após discussão

Mais Lidas

CAPITAL
Veterinária deixa motel em surto e morre embaixo de caminhão
TRÁFICO
Polícia flagra esquema de venda de droga no cartão em Dourados
DOURADOS
Mulher é trancada no banheiro durante assalto no BNH 3º Plano
GUARDA
Traficante que queria ganhar R$ 12 mil vendendo drogas é presa em Dourados