11/01/2017 14h35

Educação é caminho para ressocialização em presídios


Da Redação
 

Em meio à crise no sistema penitenciário que vem alertando todo o Brasil, Mato Grosso do Sul tem organizado ações de educação como forma de prevenir a violência nos presídios e oferecer aos internos uma alternativa concreta de ressocialização.

Uma parceria estabelecida entre Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem possibilitado o planejamento e a execução de ações de educação a distância e de extensão, tanto direcionadas aos internos de unidades prisionais quanto aos agentes penitenciários.

Para o reitor da UEMS, Fábio Edir dos Santos Costa, a atuação da Universidade junto ao sistema prisional de MS permitirá que, após cumprirem suas penas, as pessoas tenham mais oportunidades de se reestabeleceram na sociedade. "A responsabilidade social de uma universidade não se resume ao que acontece dentro das salas de aula. Nosso papel vai além. Nosso papel é mostrar que as principais transformações que buscamos para o país e para o Estado passam necessariamente pela educação", diz o reitor.

Segundo o diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, internos de algumas unidades prisionais já cursam faculdade a distância, por meio de parceria com instituições particulares. Os cursos são custeados pelos próprios internos ou familiares. "No entanto, consideramos que a parceria com a UEMS será um marco para o sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul", finaliza.

Ciência no Semiaberto

Em 2016, a UEMS esteve presente no presídio Semiaberto Feminino de Dourados, com ações extensão direcionadas à inclusão social. Através da Assessoria para Popularização da Ciência e Apoio ao Desenvolvimento Educacional (Acade), coordenada por Edmilson de Souza, a Universidade promoveu uma introdução à Ciência e à Astronomia às internas.

"Além da observação do céu, a proposta é levar a comunidade acadêmica para contribuir com o projeto, com informações que tenham a ver com o universo delas", explica Edmilson Souza.

Para a diretora do semiaberto feminino de Dourados, Luzia Aparecida, as palestras desenvolvidas pela Acade/UEMS deixaram as internas "encantadas" e melhorou a rotina. "Elas participaram numa satisfação imensa, porque às vezes a sociedade não entende, mas nós temos que tirar delas só a liberdade, os demais direitos nós temos que preservar e é para isto que nos preparamos para esta ressocialização que as pessoas tem muita dificuldade de acreditar. Nós acreditamos neste trabalho de ressocializar e uma das formas que nós encontramos é ensinar a trabalhar, tudo que é feito é feito com acabamento muito bem feito e dando a elas o direito desta oportunidade", disse a diretora.

Próximo passo: Educação a Distância

De acordo com o Diretor de Educação a Distância da UEMS, Wander Aguiar, está em fase inicial de estudo a construção de uma proposta de criação de um curso de graduação tecnológico na modalidade EaD para atender os detentos de Dourados e Campo Grande.

"A Educação a Distância tem se demonstrado uma modalidade educacional extremamente importante e é eficiente no processo de democratização do ensino e na propagação de seu alcance. Ela nos permite chegar a lugares até então considerados inacessíveis", ressaltou Aguiar.

Para o vice-reitor da UEMS, Laércio Alves de Carvalho, "A educação é a única forma de transformação da vida do ser humano e nós acreditamos que os projetos que estão sendo encaminhados devem levar em conta a melhoria destas pessoas enquanto seres humanos".

Ele destaca que também está em fase de planejamento a oferta de cursos de especialização para os agentes penitenciários na área de segurança pública, "para que possamos discutir melhorias e também propor alternativas e soluções para o Sistema Penitenciário de MS. Considerando que os agentes penitenciários têm todo o conhecimento e a prática do dia a dia no sistema prisional", disse o vice-reitor, Laércio Alves de Carvalho.

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