Menu
Busca quarta, 22 de maio de 2019
(67) 9860-3221

Economia e ecologia não devem ter conflitos, por Marcus Eduardo

27 dezembro 2012 - 10h55



Em nome do que se convenciona chamar “progresso econômico”, a agressão ambiental em escala mundial não deixa espaço para dúvidas: o forte desequilíbrio no sistema natural é decorrente das mãos humanas que procura responder às ordens do mercado de consumo. Mais produtos, menos ambiente. Mais economia, menos ecossistema. À medida que o consumo ganha - pela ordem da imposição macroeconômica tradicional - maior proporção e torna-se sinônimo de prosperidade material, os recursos naturais são dilapidados de forma assustadora e o meio ambiente, eixo do sistema-vida, sofre as consequências. Disso decorre o desequilíbrio no sistema de chuvas, altera-se radicalmente o clima, desmata-se, polui-se, agridem-se os lençóis freáticos, chove onde deveria fazer sol, há seca onde deveria ter água. Essa “salada química” é intensa: monóxido de carbono, dióxido de enxofre, eutrofização (degradação do ambiente aquático), pesticidas.

Na busca desenfreada pelo bem-estar o homem moderno se fecha dentro de uma visão míope e rompe seus laços cordiais para com a Mãe Natureza. Que espécie de bem-estar é esse que degrada o ambiente? Que tipo de melhoria de vida é possível num ambiente natural caótico, desequilibrado e dilapidado?

Ainda em nome da expansão industrial, o ritmo alucinado do crescimento de algumas economias - modernas no nome; porém, arcaicas no conceito -, somente tem violentado sobremaneira a natureza. Dentro desse modelo, valoriza-se mais o som da buzina dos automóveis ao som do canto dos pássaros. A fumaça das fábricas passa a ter mais valor que o cheiro do mato. Da macroeconomia convencional vem à palavra de ordem: CRESCER. Pouco importa se a consequência seja DESTRUIR. Inverter esse procedimento é a necessidade mais premente dos dias atuais.

O relacionamento entre o Meio Ambiente e a Economia precisa ser harmonioso, visto que a segunda condição (a atividade econômica) depende da primeira (os recursos da natureza). Nesse pormenor, sempre é oportuno reiterar que o crescimento econômico não pode acontecer sobre as ruínas do capital natural. Contudo, infelizmente, é exatamente isso o que tem acontecido. Atentemos ao seguinte fato: de 1950 a 2000 a economia global foi multiplicada por sete. Nesse mesmo período, a produção de bens e serviços saltou de US$ 6 trilhões para US$ 43 trilhões, e hoje (2012), o PIB global atinge quase 80 trilhões de dólares. Entretanto, ainda não foi devidamente respondido a que “preço” esse elevado crescimento foi alcançado.

Enquanto a economia for responsável por sustentar essa produção/consumo exagerada que ocorre em benefício de poucos, haverá, por brevíssimo período, na outra ponta, uma mesma economia que “sustentará” a mais brutal agressão ambiental já vista. Que tenhamos então condições intelectuais suficientes para entender que a economia e a natureza não nasceram para condenar as pessoas à humilhação, à exploração, à pobreza material ou a dilapidação dos recursos naturais. Antes, Economia e Natureza, juntas, podem representar uma via de acesso às melhorias que levam ao almejado padrão de bem-estar social, desde que caminhando conjuntamente formem uma “parceria” capaz de crescer sem explorar, de progredir sem destruir, pois é perfeitamente possível parar de crescer e continuar a se desenvolver.

Talvez seja por isso que Jean-Michel Cousteau ponderou que “a economia e a ecologia não devem ter conflitos porque hoje são exatamente a mesma coisa”. O curioso é que num passado não muito distante, a ecologia chegou a ser chamada de “a economia da natureza”, dada a íntima relação entre o ato de “produzir” e o de “retirar” recursos da natureza.

Desse argumento de Cousteau resulta reiterar que a economia e o meio ambiente devem sim caminhar em conjunto, pois um é o complemento do outro, apesar de ser a economia um subconjunto do meio ambiente. Para tanto, a ideia central em torno da busca pelo crescimento econômico deve ser revista, pois esse não pode ser patrocinado pela dilapidação/exaustão dos recursos naturais. A própria palavra exaustão (na origem: extremo cansaço) já determina como será no futuro: é algo que vai acabar.
Portanto, é necessário moderação na busca pela expansão econômica, uma vez que é impossível crescer além dos limites.

Se há limites esses devem ser respeitados, uma vez que a Terra não aumentará de tamanho. A esse respeito à mensagem é única: usou, esgotou, não teremos mais.

Dessa forma, a história entre economia e natureza em conflito pode ser assim resumida: mais economia (crescimento) é sinônimo de menos ambiente. Logo, crescimento sem regras e sem ponderações aponta para profundos impactos ambientais, afinal, ambiente (ecossistema) degradado, é vida mal vivida.

(*)Marcus Eduardo de Oliveira é professor de economia.
Especialista em Política Internacional, com mestrado pela (USP).
prof.marcuseduardo@bol.com.br

Deixe seu Comentário

Leia Também

MS-270
Caminhão possuía 84 fardos de maconha e droga ultrapassa 1,6 tonelada
ASSEMBLEIA
Aprovado projeto de lei de Renato Câmara que garante cadastro provisório à assentados de MS
MS
Acidente deixa uma pessoa ferida na BR-163, próximo a Naviraí
MS
Carga de maconha apreendida próximo a assentamento deve ultrapassar 1t
APÓS ADIAMENTO DE PROVA
MPF recomenda que IFMS não restrinja caráter competitivo de novos concursos
SAÚDE
Você sabe o que é Lúpus?
CONTRABANDO
Carga com 600 mil maços de cigarros é apreendida em MS
HONRA AO MÉRITO
Sessão solene homenageia quem faz a história de Dourados
BONITO
Congresso Holístico terá palestra sobre “liberdade”, com Caroline Figueiró
PEDRO JUAN
Três suspeitos de chacina na fronteira são presos pela polícia paraguaia

Mais Lidas

DOURADOS
Presos fazem motim na PED em ala ocupada por membros de facção criminosa
POLÍCIA
Após pescaria, marido encontra desconhecido na frente de casa e ameaça mulher com arma em Dourados
ACIDENTE
Motociclista avança preferencial, colide com outra moto e morre
EDUCAÇÃO
Greve atinge escolas em Dourados e prejudica merenda, inspeção e limpeza