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Corte nos juros reais pode estimular crescimento do País

26 dezembro 2012 - 13h05

Para quem iniciou 2012 encabeçando o ranking de maiores pagadores de juros do mundo, pode-se dizer que os esforços do Brasil para reduzir a taxa real de juros deram resultado ao longo deste ano. O índice nacional subiu 0,1 ponto percentual após a manutenção da taxa básica (Selic) em 7,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, indo de 1,7% para 1,8% e fechando o mês de novembro na terceira posição da lista de 40 países pesquisados pelo relatório da Cruzeiro do Sul Corretora. O número é o mesmo que, no final de agosto, colocou o País na classificação inédita de quinto lugar na lista devido, entre outros fatores, à menor medida inflacionária em diversos países.

Há pelo menos dois anos, o Brasil apresenta uma queda bastante acentuada do índice, cujo cálculo Ex Post (realizado no levantamento) resulta a diferença entre a Selic e a taxa projetada de inflação para os próximos 12 meses pela pesquisa Focus. Por se tratar da taxa que remunera o capital acima da inflação, que é estimada atualmente em 5,4%, a sua elevação tem implicação direta sobre o consumo e o investimento produtivo no País. Não só o movimento encarece financiamentos, empréstimos, cartões de crédito e cheque especial, como refreia o investimento das empresas diante da instabilidade do mercado. Dependendo do contexto, mesmo a tendência de queda da inflação acarretada pela diminuição do consumo pode não compensar o impacto da medida sobre o crescimento econômico do país.

Entretanto, para Mauro Rochlin, professor de Economia do Ibmec (RJ), os cortes consecutivos na Selic pelo Banco Central e a permanência da taxa real de juros a níveis mais baixos não geraram uma situação desconfortável. "Alguns economistas tinham medo que ela pudesse levar a um aumento substancial do consumo e, com isso, à pressão sobre os preços. Mas verificamos que essas taxas mais baixas, tanto a nominal quanto a real, não acarretaram uma explosão do consumo e nem a inflação superpressionada pela demanda", explica. Uma das razões para isso foi o crescente endividamento das famílias brasileiras nos últimos oito anos devido à facilidade do acesso ao crédito, o que elevou os índices de inadimplência.

O professor acredita que há espaço para uma redução maior na taxa real de juros. "Nesse momento, o PIB anda mal, o crescimento da economia é muito pífio e, por outro lado, a inflação não dá mostras de descontrole. Apesar de estar em um patamar relativamente alto em relação a um PIB tão pequeno, houve forte influência de fatores externos, como secas em outros países, que pressionaram o preço dos alimentos", afirma Rochlin. O corte e a manutenção da taxa real de juros em números muito baixos ou negativos têm sido uma das estratégias de combate à crise adotadas pelos Estados Unidos e pelos países europeus para reanimar suas economias: segundo o estudo da corretora, a Grécia está 24ª lugar no ranking com -0,8% em juros reais, com os americanos (-1,9%) em 31º e a Espanha (-2,7%) na 37ª posição.

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