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Leia "Dois problemas para o Ano Novo", por Waldir Guerra

10 dezembro 2012 - 09h05

O ano está acabando e para os que imaginavam que a presidente Dilma Rousseff teria apenas um grande problema para carregar pra dentro do Ano Novo, a recuperação da economia brasileira, agora pode acrescentar mais um: um possível desgaste na sua imagem.

Os especialistas em questões econômicas dizem que o crescimento da economia brasileira ficará em torno de 1% do PIB. Isso está gerando discussões sem fim, especialmente entre eles, economistas. É uma preocupação muito grande e insistem em passar essa questão como sendo muito importante.

Nunca é demais relembrar que o PIB, Produto Interno Bruto, é uma medida do volume de bens e serviços produzidos na economia brasileira em certo período.

Cá pra nós, você saberia dizer quanto é 1% do PIB? Também não sou bom nisso, afinal, não sou economista, mas sei que o PIB do Brasil é de 4,1 trilhões de reais e enquanto você calcula o que dá esta conta vou fazendo aqui outras considerações.

Se os que entendem do assunto se queixam por nossa economia não estar crescendo fico vendo o que acontece com os outros países. Acompanho o desespero dos europeus e sei que a Grécia – aquele país maravilhoso onde nasceu a democracia – anda caindo pelas tabelas mais que meu Palmeiras. A Itália, terra de meus avôs, endividada até o pescoço, assim como Portugal e Espanha. A Argentina, esta merece uns parágrafos somente pra ela...

Os hermanos – nossos vizinhos e parceiros no quase falido MERCOSUL – estão numa pior. A bolivariana presidente Cristina Kirchner, se medirmos seus índices negativos, veremos que no mês de abril passado tinha apenas 28,9% de desaprovação em seu governo, agora, sete meses depois, 62,9% dos argentinos desaprova o seu governo. A inflação na Argentina está acima de 20% e Cristina esconde a verdade, diz que é de apenas 5%.

Há poucos dias a presidente Dilma Rousseff, num bate e volta, foi a Buenos Aires para dar-lhe uma força. Sei não, mas a situação de Cristina Kirchner não está boa. Credores andaram confiscando até o seu navio-escola “Libertad” para cobrar contas do seu governo. O navio continua preso lá na África, no porto de Accra, capital de Gana. Uma desmoralização para os portenhos!

Imagino que a nossa presidente, Dilma Rousseff, não esteja propriamente preocupada com a má fase econômica da Argentina, ou mesmo com a situação política dela. E muito menos por conta da conhecida solidariedade feminina. Não é nada disso não.

O motivo que pode tê-la levado a Buenos Aires foi a preocupação de um possível desgaste na sua imagem. O fato de a Argentina também estar sendo governada por uma mulher e comparações machistas possam ser iniciadas aqui já que Dilma também não consegue deslanchar nossa economia.

Sendo mais claro, a presidente Dilma poderia estar com medo de perder os altos índices de aprovação que desfruta junto ao povo brasileiro. Aliás, ela tem aprovação maior que o próprio Lula, seu padrinho.

E tem mais: suas rápidas decisões demitindo imediatamente a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, mesmo sabendo que era íntima de Lula, foi também para que esse escândalo não alcance seu governo.

O ano acaba e a presidente leva consigo para dentro do Ano Novo dois graves problemas para resolver: reativar a economia brasileira e se desvencilhar dos escândalos do seu antecessor.



Waldir Guerra*

* Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.

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