Menu
Busca quarta, 15 de agosto de 2018
(67) 9860-3221
BAIXARIA

Debate sobre arte termina em baixaria com Roger, do Ultraje

14 setembro 2017 - 14h05

Intervenção é o nome que se dá para a manifestação feita por um artista sobre algo que parece pronto, acabado – quando acontece em espaço público, sobre uma placa de rua ou a parede de um edifício, por exemplo, é chamada de intervenção artística. A ideia é deslocar significados, tirar algo de contexto e, assim, causar um certo estranhamento, provocar. Fazer pensar.

É diferente, pela intenção, da brincadeira de mau gosto de Roger Moreira, o roqueiro do Ultraje a Rigor que se orgulha de ter um QI (quoeficiente de inteligência) acima da média. Ao ler uma entrevista à Folha em que Adriana Varejão, uma das participantes da exposição abreviada pelo Santander em Porto Alegre depois da grita reacionária nas redes sociais, a Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, defende a liberdade para a criação artística, Roger fez uma brincadeirinha.

Ele rabiscou uma foto da artista plástica: cruzes sobre os olhos, um falo gigante sobre a boca e, sobre a camisa branca, em cor negra, a palavra "Puta". O que Roger queria não era questionar — ele queria, claramente, agredir alguém que pensa diferente dele.

Roger tripudia de modo grosseiro sobre uma pessoa que ele acaba de derrotar. "Sempre consegui tudo o que quis", disse o músico, em 2001, em entrevista a VEJA sobre o seu QI avantajado. E agora o roqueiro conseguiu outra vez: a mostra Queermuseu que ele, como os histéricos membros do MBL (Movimento Brasil Livre), acusa de incitação à pedofilia, entre outros crimes jamais comprovados, saiu de cartaz um mês antes do previsto. Isso não parece ter satisfeito a sanha ultraconservadora de Roger, um roqueiro que já escreveu versos tão pudicos como "Quando a coisa fica dura", de Pelado, aquele clássico dos anos 1980 que foi tema da novela Brega & Chique, da Globo.

A intervenção artística tem caráter político ou de denúncia social quando se volta contra um poder estabelecido. Isso justifica, por exemplo, os protestos contra Donald Trump. Eles não são contra Trump em pessoa, ou não apenas contra ele, mas contra tudo o que ele representa: misoginia, autoritarismo, distorção da realidade pela pulverização de notícias falsas, para ficar em apenas três pontos. Donald Trump está no poder. Já Adriana Varejão acaba de ser tirada de cartaz por um movimento de que o próprio Roger Moreira é representante.

Atacá-la é espezinhá-la, uma agressão gratuita que, a título de defesa, ele chama também de humor. No Twitter, o músico vem alegando que, como a arte, o humor deve ser livre. Uma posição controversa que leva a discussões entre os próprios humoristas, a reflexões e a crises de consciência. Neste ano, a americana Kathy Griffin se deixou fotografar segurando a cabeça cortada de Trump. Era encenação, claro, e Trump é um poder constituído, mas pouco depois Kathy avaliou que passou dos limites e pediu desculpas.

Deixe seu Comentário

Leia Também

PROVOCOU
Nat Tanajura posa de fio dental cavado e confessa: "Sou danada"
BRASIL
Câmara aprova texto que permite à polícia agir para proteger mulheres
BRASIL
Cármen Lúcia tem reunião com grupo pró-Lula e grevista de fome
CIDADES
Inquérito Civil vai averiguar aumento indevido da conta de água e esgoto na Capital
BRASIL
STF retira de Moro trecho de delação sobre Lula e Mantega
MOUNTAIN BIKE
Atleta do MS conquista campeonato brasileiro no ES
ARTIGO
"Sempre é tempo de mudar"
COTAÇÕES
Dólar fecha em queda nesta terça, abaixo de R$ 3,90
DIGITALIZAÇÃO
Até outubro, todas as capitais receberão apenas sinal digital de TV
TRÁFICO
Polícia apreende carga com 165 kg de maconha e porção de skunk

Mais Lidas

DOURADOS
Polícia não descarta crime passional em caso de cabeleireiro morto a facadas
DOURADOS
Motociclista invade a contramão e executa homem no Piratininga
DOURADOS
Casal é preso por tráfico no João Paulo II após denúncia de populares
DOURADOS
Homem é assassinado no Jardim Piratininga