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João Gilberto 80 anos: como vive hoje o músico que criou a bossa nova

09 junho 2011 - 19h41

“Você mora no Leblon! Olha a baixaria!”, grita João Gilberto, o compositor que completa 80 anos nesta sexta-feira (10). Sim, o pai da bossa nova, conhecido pelo canto sussurrante acompanhado de banquinho e violão, grita. Do lado de fora do apartamento, o vizinho esmurra a porta e responde: “Você também mora no Leblon e fumar maconha é crime! Então apaga essa merda dessa maconha”.

A frase talvez tenha sido a única que alguns poucos vizinhos ouviram diretamente do músico, que vive há mais de uma década no oitavo andar de um prédio na rua Carlos Góes, na zona sul do Rio. O apartamento alugado, de 130 m2, é um original quatro quartos transformado em três e conta ainda com sala, cozinha, dependências e três banheiros, com direito a uma vaga na garagem. São quatro imóveis por andar.

Discreto, João quase nunca sai de casa e raramente é visto nas dependências do edifício, segundo relatos de moradores e funcionários. Para alguém que preserva tanto sua intimidade, o registro de uma manifestação pública – e ainda por cima dirigida a um “estranho” - é uma nota dissonante.

“Deve ter um mês mais ou menos que um morador foi até lá e bateu tanto que quase pôs a porta abaixo! O problema é a maconha. Parece que ele fuma e o cheiro entra pela janela da casa do rapaz. Aí os dois ficaram se xingando”, contou ao iG uma vizinha que preferiu não se identificar na última sexta-feira (3). O vizinho ameaçou chamar a polícia.

Ao porteiro do prédio, João afirmou, através do interfone, que em sua casa faz o que quiser. E questionou: “E isso (fumar maconha) é crime?”. O porteiro preferiu não tomar partido e apenas comunicou a ameaça de que o vizinho iria telefonar para a polícia. Desde então, nunca mais nenhum morador afirmou ter sentido qualquer “cheiro estranho”.

Conhecido pelas excentricidades, João Gilberto não tem empregada e até alguns meses mantinha um funcionário que ficava na portaria aguardando algum pedido do patrão. O rapaz teria arrumado outro emprego e, desde então, o compositor não o substituiu. “Ele ficava horas na portaria. A gente morria de pena. Meu marido passava e perguntava: ‘Ele ainda não te deixou entrar hoje?’”, lembra outra vizinha.

Pouco se sabe sobre o estado do apartamento do cantor. “Nunca vimos ninguém fazendo obras de melhoria e, há algum tempo, pedreiros precisaram entrar lá porque o vaso dele transbordou. Comentaram que o banheiro estava um horror com bolhas no teto e mal conservado”.

Um entregador do supermercado Zona Sul da rua Carlos Gois endossa. “Tem uns 20 dias que entreguei um pacote com garrafas de água mineral, Coca-Cola e algumas sacolas. Ele abriu a porta e deixei tudo na cozinha, mas fiquei impressionado. Nunca tinha visto uma cozinha tão suja no Leblon! Tinha uma pilha de pratos, copos e embalagens descartáveis em cima da mesa”, lembra o funcionário.

João não tem mais carro. Nem mesmo o Monza grafite 1987 pelo qual tinha paixão. Ou, pelo menos, não o guarda no prédio. Segundo funcionários que fazem a segurança, quando sai de casa, sempre à noite, ele usa táxi, e pega o carro na garagem.
Curiosamente, no apartamento onde João vive, as contas não estão no nome do cantor e sim no de uma ex-secretária. Ele paga o condomínio no valor de R$ 1,3 mil, impreterivelmente, de três em três meses, acrescido da multa.

Fonte: Ig

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