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Ciro vai propor mudança no acordo com FMI já

15 agosto 2002 - 13h53

Mauro Benevides Filho, o assessor econômico da Frente Trabalhista, afirmou que na próxima segunda-feira o candidato Ciro Gomes vai propor, em reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso, alterações no acordo feito pelo governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
- Um acordo para endividar o Brasil não adianta. Esse acordo tem de ser acompanhado de mudanças na política econômica. O Ciro Gomes vai propor na discussão de segunda-feira alterações já, junto ao Congresso Nacional - declarou Benevides Filho, professor de Economia da Universidade Federal do Ceará, que concedeu entrevista à Rádio CBN.
Para o assessor econômico de Ciro, os mercados no país passam por um momento de turbulência não por causa do crescimento dos candidatos de oposição nas pesquisas eleitorais, mas pela demonstração de incapacidade do governo de honrar seus contratos.
- Se por um lado o acordo com o FMI pode dar um alívio, no curto prazo, com relação à escassez da moeda americana, por outro lado os investidores estrangeiros e nacionais começam a ficar preocupados com a capacidade de o governo honrar seus compromissos - afirmou, lembrando que o acordo com o Fundo tem de ser alterado nos primeiros seis meses do próximo governo.
- O que o mercado deseja é a segurança intertemporal de que pelos menos os juros ele receba. Com o superávit primário de 3,75%, o país não é capaz nem mesmo de pagar os juros da dívida pública brasileira - completou o economista, ressaltando que não há problema para o pagamento da dívida pública externa, já negociada com prazos de até 18 anos.
De acordo com o economista, o governo Fernando Henrique elevou a dívida nacional de 29% do Produto Interno Bruto (PIB), em 1994, para 58% do PIB.
Segundo Benevides Filho, os problemas econômicos do país seriam resolvidos com reformas tributária e previdenciária, além da redução da vulnerabilidade externa.
- Essas três ações permitirão a redução da taxa de juros, que permitirá o crescimento econômico e a geração de empregos - ressaltou o economista.
Segundo ele, essas reformas que até hoje não foram feitas podem ser realizadas logo no início de um governo Ciro Gomes.
- Temos confiança que sim. O período em que o governante tem a sua maior taxa de confiança são os primeiros oito meses. Portanto, logo no início nós temos de implantar essas reformas - afirmou.


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