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EDUCAÇÃO

UEMS e Senar comprovam potencial de integração lavoura-pecuária

03 junho 2015 - 16h15

Da Redação

Um projeto de extensão do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Aquidauana, comprova o potencial da região de transição entre o bioma Cerrado e Pantanal na utilização da integração de lavoura-pecuária. Executada em uma propriedade rural em Miranda, a iniciativa foi desenvolvida em parceria com o programa Mais Inovação do Senar/MS – Serviço nacional de Aprendizagem Rural - e demonstra a viabilidade econômica e sustentável da associação de diferentes culturas na região.

Desde agosto de 2014, a acadêmica da UEMS, Lohany Sthepany Basso, desenvolve uma pesquisa chamada “Recuperação de pastagens com integração lavoura-pecuária”, que está mostrando aos produtores de bovinocultura, maioria no município, a possibilidade de integrar a atividade com plantio de soja. Foram semeados nove cultivares diferentes da oleaginosa em uma propriedade que trabalha com bovinocultura de corte e os resultados superaram as expectativas, variando de 35 a 58 sacas por hectare.

“Estou satisfeita por acompanhar uma iniciativa que proporcionará o aumento na produtividade dos produtores de Miranda e região”, demonstra a acadêmica. Os resultados obtidos nos cultivares serão publicados em uma revista científica com foco no setor de agronegócios, detalha a universitária, que tem outras publicações científicas sobre soja e pastagens.

De acordo com o orientador do trabalho, o engenheiro agrônomo professor doutor Francisco Eduardo Torres, o trabalho contou com apoio dos profissionais de ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural do Senar/MS e mostra que a região, considerada de transição entre os biomas Cerrado e Pantanal, possui potencial para desenvolvimento do método integração lavoura-pecuária. “Trabalhamos com a semeadura de cultivares diferentes de soja e acompanhamos todas as etapas do desenvolvimento da planta. Além dos resultados na produtividade, o experimento apontou quais as melhores a serem cultivadas na região”, argumenta.

“A pesquisa é inédita e surpreendeu até o proprietário que concordou com o acompanhamento, a partir do segundo ano de plantio. Conseguimos a adesão de mais 12 produtores que receberão atendimento, a partir da 2ª quinzena de junho”, esclarece o zootecnista e instrutor do programa ATER Mais Inovação, Daniel Dantas Lopes.

A propriedade utilizada na pesquisa pertence à família de Massao Ohata, 55 anos. Ele conta que a atividade principal sempre foi bovinocultura, mas que resolveu plantar por conta própria a soja e percebeu que poderia aliar as atividades. “Participei do evento Dinapec em março e fiquei sabendo do trabalho de ATER e quando voltei procurei o Sindicato Rural para ter acesso a mais informações. Quando me convidaram para participar da pesquisa aceitei e, garanto que o projeto é muito bom, pois atende necessidades específicas de propriedade”, opina o produtor.

Questionado sobre a expectativa da próxima safra, Ohata é cauteloso na previsão, mas, confirma uma produção acima da média obtida no primeiro ano de plantio. “No segundo ano verificamos um aumento expressivo da produção, mas, os fatores climáticos na região, inibiram a produtividade neste ciclo. Ainda assim, acredito que teremos um aumento de 10% na produção”, conclui.

Dantas está confiante na mudança de atitude dos produtores que ainda receiam investir na integração lavoura-pecuária após a demonstração científica confirmar bons resultados. “Ajudamos o participante a investir na produção de novos cultivares de soja, contudo garantimos a produtividade por meio da mais tradicional como a ‘Potência’ e o cultivo de forrageira para o gado. Queremos conscientizar os produtores que é possível alternar as atividades, aumentando a produtividade e os lucros e para isso contamos com o apoio da UEMS que nos oferece pesquisas e profissionais”, conclui Daniel.

Segundo a Divisão de Extensão da Universidade, em 2014 foram realizados 257 projetos de pesquisa e extensão nas 15 unidades da UEMS, sendo 22 voltados no campo de atuação da Agronomia, nos polos de Aquidauana e Cassilândia. “O trabalho desenvolvido em Miranda atraiu não só produtores, mas, também alunos da Universidade. Tanto que este ano estou orientando mais três acadêmicos, dispostos a participar da pesquisa”, complementa o docente, que possui doutorado em Fitotecnia.

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