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“Testemunhas” de crimes, moscas estão na mira de pesquisadores da Universidade Estadual

07 julho 2015 - 18h00

Pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) mostra que uma pequena mosca pode revelar informações preciosas no esclarecimento de crimes. Segundo o coordenador da pesquisa, William Fernando Antonialli Junior, ao decifrar a impressão digital dos insetos que ajudam a decompor os corpos é possível obter indícios de como aconteceu um determinado crime.

A Uems é uma das poucas universidades brasileiras que desenvolve pesquisas com este tema e já estabeleceu os primeiros contatos com a Polícia Civil local com objetivo de apresentar os avanços nas pesquisas com as “moscas forenses” e planejar treinamento e instrução de peritos sobre a operação de equipamentos utilizados nas análises dos insetos.

Para Antonialli Junior, que coordena o Laboratório de Ecologia Comportamental (Labeco) da Uems, e a doutoranda que pesquisa o tema, Michele Castro, por meio das moscas é possível identificar várias informações como: indicação sobre local de um assassinato (se a vítima foi morta no local onde o corpo foi encontrado ou se apenas foi deixada naquele local); qual o tempo de morte do cadáver, entre outras. Sobre a identificação do local do crime, o pesquisador explica que, dependendo do ciclo de vida do inseto é possível saber se o corpo está infectado com larvas de moscas que não ocorrem naquele local e isto demonstra para o investigador ou perito que o cadáver não foi morto no local em que foi encontrado.

O principal desafio que se tem ao usar insetos em perícias é saber com precisão e agilidade de qual espécie é o inseto. Diante disso, as pesquisas da Uems buscam decifrar a impressão digital ou assinatura dos insetos. “O inseto tem em seu tegumento, o que é equivalente a nossa digital, compostos químicos que são cheiros, para ele. Quando um indivíduo passa a antena no outro é como se ele tivesse passando o leitor de código de barras que lhe transmite a informação se aquele indivíduo é de sua espécie”, disse o professor.

Outra linha de pesquisa deste laboratório é a que investiga a composição de venenos Insetos sociais. Esta área de investigação ainda é pouco estudada no Brasil e, de certa maneira no mundo. “Para o animal o veneno é usado para capturar uma presa ou defender a colônia. Mas para os seres humanos, alguns dos elementos dele, podem ser usados na cura ou tratamento de doenças do sistema nervoso, como por exemplo, o veneno da abelha é benigno na cura do reumatismo”, explicou Antonialli Junior.

Os estudos com caracterização de veneno de vespas, abelhas e formigas (himenópteros sociais) ainda são raros, sobretudo no Mato Grosso do Sul. Poucas espécies que ocorrem nesta região tiveram seu veneno descrito, apesar do grande potencial para indústria farmacêutica, principalmente na produção de remédios mais eficazes no combate a microrganismos que apresentam alta resistência aos medicamentos tradicionais, além da sua ação anticarcinogênica – relacionadas com a prevenção ou atraso da progressão do câncer.

Assim, conforme o pesquisador, é possível que estes venenos possam ser utilizados, num futuro breve, entretanto é preciso saber o que contém neles primeiro, e ação do veneno bruto contra microrganismos patógenos. São nestas etapa que a o Labeco/Uems está concentrando seus estudos, para depois descobrir qual o efeito de cada elemento isolado.

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