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FÁBIO CASTILHO

"O brasileiro precisa de personalidade para combater a crise", diz economista

04 junho 2015 - 07h15

A entrevista desta semana do Dourados News é com o economista Fábio Castilho, 36, e abordará os diversos aspectos da crise econômica para o país e também para a realidade do douradense. Fábio é natural de Ribeirão Preto- SP e veio para o Mato Grosso do Sul em 2003.

Além da graduação em Economia, Fábio possui Pós em Gestão Ambiental, Gestão Empresarial e mestrado em Agronegócio.

O profissional já atuou na área financeira, comercial e há dez anos leciona, sendo que no momento é professor no Senai, no IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) e na Anhanguera.

Acreditando que o Brasil passa por um momento de reestruturação prestes a completar 21 anos do plano real – “não gosto da palavra crise, gosto de falar em reestruturação” – o economista acredita que o brasileiro vai desenvolver personalidade e aprender a lidar com a situação.

“Penso que 2016 não vai ser um ano tão ruim igual a 2015, o brasileiro já vai estar com uma personalidade/formação mais ‘pé no chão’”, comenta, lembrando que a situação econômica do país tende a melhorar a partir de 2017.

Confira a entrevista na íntegra:

Dourados News - Na sua opinião, o que gerou esse momento de crise no país?

Fábio Castilho - Não gosto da palavra crise, gosto de falar em reestruturação. Falo isso pois no dia 01 de julho vai se completar 21 anos do plano real. Então praticamente se tem um país que saiu de uma realidade de vários planos econômicos desde a década de 1980 e com o real, instituído em 1994 trouxe uma paridade de um por um para o dólar. Em seguida houve uma desestabilização e o dólar passou a valer mais do que o real. Aí, depois disso o Brasil passou por muitas crises e não só ele, como o Japão e os EUA. Então se vê que uma moeda muda o país, muda uma nação mas, ela muda também o mundo. Agora vemos por exemplo, que o Euro está bom mas, não é o mais valorizado do mundo, nesse quesito quem ganha é a libra da Inglaterra. Dos países que vejo hoje em crescimento estão Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul que devem despontar em produtividade, qualidade de vida e população. Só que todos esses são dependentes dos outros países. Quem tem uma economia estabilizada é o Estados Unidos, o Japão, alguns países europeus, e tem passado por dificuldades também. Então pode-se ver que a reestruturação que o Brasil está seguindo é um plano real que está dando certo. O que deve ser reestruturado é a nossa política econômica, monetária, fiscal e eleitoral. Mudando esses aspectos que citei se muda uma nação.

DN - Pode-se dizer que o Brasil segue bem nesse caminho para se desenvolver mesmo em meio a tão falada crise?

FC - O Brasil tem várias situações para que possa se afirmar isso. Temos agricultura e pecuária forte, recursos naturais, uma população qualificada em algumas regiões e muita tecnologia. O que tem que ser feito é pegar a matéria prima do campo, repassar para indústria e chegar para nós um valor agregado melhor. Se pegarmos para analisar o impostômetro, por exemplo, já se tem esse ano mais de R$ 900 bilhões arrecadados, então se vê que o problema não é dinheiro, dinheiro até tem e não é campeão em arrecadação de impostos, quem ganha nesse quesito é a Suécia que tem uma realidade administrativa diferente da nossa.


DN – Como você enxerga a situação atual do Brasil em relação a crise econômica?

FC - O Brasil atualmente tem tudo para crescer, têm recursos naturais, agricultura forte, pessoas, tecnologia e como vai crescer? Através da organização, pois é o que deveria ser melhor feito por aqui. Porque outros grupos estrangeiros investem no Brasil? Por verem rentabilidade, grana. Esses grupos vêm para cá devido ao país deles não serem competitivos e eles tem grana para investir. Para o Brasil é bom, só que na realidade eles levam nossa riqueza para o país deles. Isso é mercado.

DN - O senhor falou em melhor organização, como isso deveria ser feito?

FC - Quem deveria se organizar melhor primeiramente é o governo. O governo não faz lição de casa. Está com quase R$ 900 bilhões arrecadados em impostos e uma máquina pública muito ‘inchada’. Por exemplo, hoje se tem os cargos de confiança, certo? É uma coisa que a pessoa é especialista para aquilo e ele deveria tratar melhor nosso dinheiro como um administrador, só que o que acontece é que não é assim que funciona. A carga tributária que pagamos hoje é absurda em vários produtos. Um exemplo é no cigarro e na bebida que chegam a quase 80%. Em itens fundamentais, como a energia por exemplo, esse valor de imposto chega de 35 a 40%, gasolina 40% aqui no Estado. Então, quem deve fazer o primeiro ‘dever de casa’ é o governo. Claro, nós consumidores temos que analisar isso e verificar o imposto de cada item que por lei tem que ter no cupom fiscal e ficar atento a esses abusos e cobrar seus direitos.

DN – Acredita que o pior já passou ou podemos ter mais retração ao longo do ano?

FC - Falo que se pudéssemos pular 2015 nesse sentido de crise já poderia pular, é um ano perdido. Acredito que está ruim, como realmente está! E para piorar, há inadimplência, recessão e desemprego e isso já está acontecendo muito e ainda vai acontecer bastante. Só que nesse meio tempo vão se abrir muitas oportunidades, temos que ficar atentos.

DN - O que ocasionou esses aumentos e essa situação agora?

FC - Isso [crise] “estourou” com os aumentos, mas, eles já eram anunciados há doze anos no governo Lula porque se criou muita coisa, um exemplo são os “bolsas” – família, escola -, onde deveria existir melhor critério. Foi a visão do governo, onde se faz o que, “pega” o dinheiro de 50 e passa para 10, mas deve ter critério, pois desses 50 que tá se tirando para passar para minoria, deveria ser por um período específico e depois ser retirado para que pudessem “andar com as próprias pernas”, o que não ocorreu, e o programa da bolsa só cresceu. Tudo isso é um reflexo e se vê corrupção, falhas no programa, pessoal desviando...

DN – O que as pessoas devem fazer para superar esse momento?

FC - Se organizarem, planejarem, colocar gastos na ponta da caneta mesmo e priorizar mais os gastos necessários como vestir, se alimentar e outros. Cortar os supérfluos como lazer, bem duráveis devem ficar em segundo plano. Evitar ao máximo o endividamento. Pode estar havendo uma retração em gastos mais supérfluos atualmente, mas, estes não tem sido deixados de lado.

DN - Há perspectivas para que essa situação melhore?

FC - Só vai melhorar a partir de 2017/18, pois, no ano que vem temos eleições municipais e ainda vai mexer um pouquinho com a estrutura do governo municipal. Nesses anos que citei vai se começar a enxergar a crise com outros olhos e o Brasil vai enxergar melhor sua situação frente aos outros países também. Aqui em Mato Grosso do Sul temos indústrias que 99.9% atende só o mercado externo, no meio da bovinocultura, suinocultura, do pescado e outros derivados. Quer dizer que estamos trabalhando para o exterior. Penso que 2016 não vai ser um ano tão ruim igual a 2015, o brasileiro já vai estar com uma personalidade/formação mais ‘pé no chão’.


DN – Quais os setores que mais sentiram a crise?

FC - Na verdade quem sentiu mais foi o brasileiro com os ICMS altos. Agora os setores sofreram num todo, uns mais e outros menos. Acredito que em alguns a situação é mais crítica já que houve até um “desinvestimento”, como no da mineração e na indústria. Companhias nacionais estão paradas, já companhias internacionais estão chegando forte e tem ganhado dinheiro em cima da nossa cultura.

DN - Como a alta do dólar influencia para os brasileiros?

FC - Com a alta do dólar fica mais atrativo as compras no Brasil, e para o estado é melhor.

DN - Observamos que mesmo com a crise, as pessoas continuam gastando em ações supérfluas, por quê?

FC - É o vício do consumo. Na verdade não temos uma educação financeira no Brasil. Isso deveria ser melhor trabalhado nas escolas.

DN - A nível de Estado, como você enxerga esse momento econômico?

FC - O Estado caiu do comando de um governador que é produtor rural, ficou a frente da cidade de Maracaju e tem visão empresarial, e pega uma “máquina” que veio do antigo com alguns vícios, seja eles econômicos ou de mercado e ele está tentando cortar. O ideal seria que ele começasse a cortar os custos indevidos em especial. Os que se tem com a máquina pública, se fizer isso ele coloca o MS nos eixos.

DN - E relacionado ao douradense? Como você avalia o comportamento dele diante da crise?

FC - O douradense vem acompanhando o passo a passo. Se você pegar uma renda familiar por exemplo: antigamente só homem era o responsável por isso, já hoje varia, às vezes é o casal, às vezes é só a mulher, enfim. A renda per capita do douradense melhorou muito com as industrializações do Estado. No setor da agricultura canavieira, de alimentos e agora no ramo de produção de confecções foi anunciado investimentos, e tudo isso são características muito positivas. Há muitas possibilidades na cidade, acredito que hoje só não faz uma faculdade, um curso técnico ou uma especialização por aqui quem não quer.

DN - Qual o melhor investimento neste momento?

FC - O ideal seria não gastar. Mas, tem se a opção de aplicações na poupança para quem é mais conservador, pois não tem imposto de renda e seria viável agora. Outra ideia seria investir em terrenos, já que Dourados tem uma movimentação grande de lotes, condomínios fechados, pois, assim não se perde o valor investido, ele agrega mais com o tempo.

DN - Para aqueles que precisam ‘encarar’ um financiamento a longo prazo, qual a melhor saída?

FC - A melhor saída seria não fazer financiamentos no momento. Houve até o anúncio por parte do governo da taxa Selic que influencia muito em especial no financiamento da casa própria e o consumidor tem que ver a viabilidade disso. Caso contrário, tem que esperar já que a previsão do mercado imobiliário é dar uma estabilizada. É melhor capitalizar, juntar o dinheiro e deixar para comprar depois.

DN - O que se deve evitar ao máximo para não complicar ainda mais a situação financeira?

FC - O cidadão douradense, assim como o sul-mato-grossense tem que poupar, se ele poupar e gastar só com o essencial com certeza vai ser o melhor a se fazer no momento para se passar o ano tranquilo.

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