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CORUMBÁ

Médico é suspeito de cobrar R$ 1 mil por cirurgia paga pelo SUS

12 julho 2019 - 19h20Por G1

Um médico de Corumbá, cidade localizada na região de fronteira com a Bolívia, é suspeito de cobrar R$ 1 mil para fazer cirurgia de retirada de um pólipo do útero, cirurgia custeada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A paciente, de 26 anos, e o marido dela gravaram conversa com ele e registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil. O casal não chegou a fazer o pagamento. O profissional diz que não houve ilegalidade e que aguarda as citações jurídicas.

De acordo o boletim de ocorrência, a paciente deu entrada na maternidade da Santa Casa de Corumbá no dia 23 de abril, dizendo estar com dores e sangramento no útero. Lá, o médico, depois de dizer que ela estava com "frescura", afirmou que seria preciso uma operação para retirada de um pólipo e que cobraria pelo procedimento.

"Aí, foi quando ele começou com uma história de que o SUS pagava muito pouco para ele. [...] E que, se ele me pagasse esse mesmo valor, eu iria fazer faxina na casa dele. Eu fiquei, assim, perplexa com essa história", conta a jovem, que prefere não se identificar.

Já internada pelo SUS, a paciente disse que ficou sem reação e que, após a chegada do marido, foi com ele até o consultório do médico, no próprio hospital, onde gravaram a conversa. No áudio, a declaração atribuída ao obstetra diz:

"Eu não faço pelo SUS, tá? Por motivo simples. O SUS paga R$ 24 pra fazer isso. Eu não vou botar a mão no útero de mulher desse tamanho com cinco cesáreas anteriores por R$ 24". O interlocutor altera a voz quando fala sobre a característica física da paciente.

A conversa continua: "...eu posso manter ela com a cirurgia pelo SUS e a gente faz acerto à parte. Em dinheiro, sem recibo e antecipado, tá? [...] Eu posso tentar te ajudar. Isso te custaria mil reais, tá? [...] Só que isso é ilegal, tá? Mas eu tenho duas opções: ou o ilegal ou eu não faço".

Após a conversa com o médico, a jovem fugiu do hospital, tentou registrar boletim de ocorrência na Polícia Civil, mas, segundo ela, o investigador que a atendeu afirmou que não havia crime na situação relatada. O registro policial só foi feito dia 9 de julho, na Delegacia de Atendimento à Mulher, e pelo crime de corrupção passiva.

A TV Morena procurou pelo médico no hospital no horário em que ele deveria estar trabalhando, no entanto, ele não estava. Por telefone e sem saber que estava sendo gravado, afirmou ter conversado com a paciente, mas negou o conteúdo.

"...não conheço esse áudio. Mas eu sei exatamente o que foi dito lá dentro e não houve nenhuma colocação nesse sentido de ilegalidade", disse.

Ministério da Saúde

Sobre o caso, o Ministério da Saúde disse em nota que a gestão do SUS é tripartite, cabendo à União as diretrizes das políticas de saúde e aos estados e municípios a execução dos serviços, bem como a responsabilidade de toda a organização da Rede de Assistência à Saúde. "O Ministério não é responsável pela contratualização de médicos e servidores, e sim, os gestores locais", diz a nota.

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