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TPM é mito machista, segundo pesquisadora canadense

27 novembro 2012 - 10h00

Não há evidência científica de que a maioria das mulheres fique temperamental e irritadiça na fase que antecede o período menstrual.

Pesquisadoras da Universidade de Toronto revisaram 47 estudos em língua inglesa que tentaram acompanhar alterações de humor femininas no ciclo menstrual.

Resultado: apenas sete das pesquisas mostravam uma relação direta entre mau humor e período pré-menstrual.

Coincidentemente, nenhum desses sete trabalhos que atestavam a existência da TPM tinha sido feito às cegas. Isto é: as participantes sabiam que o assunto pesquisado era TPM e podem ter sido sugestionadas.

"Existe uma crença social de que as mulheres são instáveis, mal-humoradas e irracionais na semana que antecede a menstruação. Nossa pesquisa desconstrói essa tese. Descobrimos que a tensão pré-menstrual é um mito, algo que não acontece com a maioria das mulheres", afirma Gillian Einstein (isso mesmo, é o sobrenome dela), que é professora de psicologia e saúde pública e responsável pelo estudo.

A pesquisa canadense foi feita por um grupo de cinco psicólogas e psiquiatras do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Saúde da Mulher e publicada em outubro deste ano pela revista acadêmica "Gender Medicine".

As pesquisadoras consideram que a TPM seja uma espécie de lenda usada para diminuir as mulheres, mas não contestam a existência do transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) - doença que afeta 5% da população feminina e inclui sintomas como depressão, fadiga e insônia. Também não contestam as alterações físicas causadas pela menstruação, como cólica e inchaço. O foco do trabalho é só o humor.

"Sabemos que existe uma queda hormonal nessa fase, mas isso não é suficiente para abalar a maior parte das mulheres. Poucas das entrevistadas que foram selecionadas de modo randômico e não sabiam o objetivo da pesquisa relataram ter TPM", explica Einstein.

Para ela, a supervalorização da TPM encobre os reais motivos da irritação feminina: "Grande parte das mulheres vive em condições estressantes, com acúmulo de tarefas e falta de suporte social e econômico. É preciso ter uma visão mais crítica sobre a TPM, pensar em quem lucra com essa explicação simplista de que mulheres ficam mal de vez em quando porque essa é a natureza delas", conclui.

A tese mais aceita pelos ginecologistas hoje é a de que a TPM é fruto de uma queda dos níveis hormonais. Ao se preparar para a menstruação, o corpo reduz a produção de estrogênio e progesterona, o que implica em redução na produção de serotonina e noradrenalina, neurotransmissores que controlam o humor.

EXISTE, SIM

A compulsão por doces que as mulheres sentem nesse período é uma das provas de que TPM de fato existe, diz a ginecologista Carolina Ambrogini, da Unifesp: "O açúcar forma triptofano, substância que serve como substituto momentâneo da serotonina".

Segundo a médica, 80% das mulheres sofrem de algum sintoma no período pré-menstrual, como cólica e enxaqueca. Dessas, 40% têm alterações de humor.

"Existe muito exagero em torno da TPM. As mulheres não ficam descontroladas, a maioria tem uma mudança de humor muito sutil. Mas daí a negar a existência dessa condição já é demais", opina.

Para reduzir os efeitos no humor, a ginecologista recomenda que a mulher faça exercícios para produzir endorfina e durma menos: "Parece esquisito, mas a produção de melatonina, hormônio que regula o sono, usa serotonina. Dormir um pouco menos economiza serotonina".

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