Menu
Busca quarta, 20 de junho de 2018
(67) 9860-3221

SUS atende 2,6 vezes mais mulheres vítimas de violência do que homens

25 novembro 2012 - 19h30

A violência contra mulheres no Brasil causou aos cofres públicos, em 2011, um gasto de R$ 5,3 milhões somente com internações. O dado foi calculado pelo Ministério da Saúde a pedido da Agência Brasil. Foram 5.496 mulheres internadas no Sistema Único de Saúde (SUS), no ano passado, em decorrência de agressões.

Além das vítimas internadas, 37,8 mil mulheres, entre 20 e 59 anos, precisaram de atendimento no SUS por terem sido vítimas de algum tipo de violência. O número é quase 2,5 vezes maior do que o de homens na mesma faixa etária que foram atendidos por esse motivo, conforme dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

A socióloga Wânia Pasinato, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), destaca que além dos custos financeiros, há “enormes prejuízos sociais” gerados pela violência contra a mulher. Ela citou estudos que indicam, por exemplo, que homens que presenciaram cenas de violência doméstica durante a infância tendem a reproduzir, com mais frequência, características de dominação e agressividade em suas relações afetuosas.

“Os danos para a sociedade são enormes, com perdas em diversas esferas. Além de impactar a forma como os filhos dessas relações vão constituir suas próprias relações no futuro, as mulheres vítimas de violência deixam de produzir e de se desenvolver como poderiam no mercado de trabalho”, explicou, acrescentando que também é comum que as vítimas incorporem a violência e a agressividade em seus relacionamentos e nas formas de comunicação.

A diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, organização não governamental que atua em projetos de defesa dos direitos da mulher, Jacira Vieira de Melo, destacou que os números confirmam que, apesar de a Lei Maria da Penha, criada há seis anos, ser uma referência nacional e conhecida pela maioria da população, a violência contra a mulher ainda é um grave problema social. Ela defende que para enfrentar a questão é preciso fortalecimento das políticas públicas e incremento orçamentário.

“Pesquisas de opinião indicam que mais de 95% da população já ouviram falar na lei, que prevê punições severas para os agressores. Ela tem contribuído para que a violência contra a mulher cada vez mais seja vista como violação de direito fundamental, como crime, mas as estatísticas mostram que a questão continua sendo um grave problema social”, disse, lembrando que a violência é a maior causa de assassinatos de mulheres no Brasil.

Dados do Mapa da Violência 2012, estudo feito pelo sociólogo Julio Jacobo, atualizado em agosto deste ano, revelam que ,de 1980 a 2010, foram assassinadas no país quase 91 mil mulheres, das quais 43,5 mil somente na última década. De 1996 a 2010 as taxas ficaram estabilizadas em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres.

Deixe seu Comentário

Leia Também

ECONOMIA
Dólar fecha em alta, de olho no exterior e à espera de decisão do Copom
BRASIL
STF valida delações premiadas negociadas pela Polícia Federal
ORDEM DO DIA
Aprovada atualização de lei sobre devolução de troco em espécie
PRIVACIDADE VIRTUAL
Europa sugere lei que pode acabar com os memes da internet
COPA DO MUNDO
Espanha vence com “gol estranho” de brasileiro
EDUCAÇÃO
Vagas do ProUni estão disponíveis para consulta
SAÚDE
Mortes por gripe em MS voltam a aumentar e chegam a 20
MIRANDA
Caminhoneiro é multado e tem veículo apreendido com carga de madeira ilegal
TRÁFICO
Caminhão com 3t de maconha é encontrado abandonado em MS
CAMPO GRANDE
Presidente do TRE diz que cheque de R$ 165 mil era para “segurar” veículo

Mais Lidas

COMPLICAÇÃO APÓS CIRURGIA
Juiz aposentado e ex-diretor da Agepen, Ailton Stropa, morre em São Paulo
RESERVA INDÍGENA
Homem é flagrado nu sobre menina de 7 anos em Dourados
DOURADOS
Dupla é presa por tentativa de homicídio contra vendedor de espetinhos
DEFRON
Traficante condenado a mais de 12 anos é preso em Dourados