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Queda do voo 447 da Air France durou 3 minutos e 30 segundos

27 maio 2011 - 10h41

O Airbus A330 do voo Air France 447, entre o Rio de Janeiro e Paris, caiu durante três minutos e trinta segundos antes de tocar a superfície do oceano Atlântico em 1º de junho de 2009. O comandante do avião regressou à cabine de pilotagem durante o acidente, segundo dados divulgados pelos investigadores franceses nesta sexta-feira (27). Segundo o relatório apresentado hoje, os pilotos também viram duas velocidades diferentes nos controles durante menos de um minuto, uma delas indicava uma queda brutal de velocidade.

No momento do acidente, o comandante do avião estava descansando, mas voltou à cabine um minuto e meio depois de ser alertado por um dos copilotos, segundo o Escritório de Investigação e Análise (BEA, na sigla em francês), responsável pela análise das caixas-pretas do avião.

O Airbus atingiu a altitude de 38 mil pés (11 mil metros) quando iniciou a queda. O incidente ocorreu duas horas e meia depois da decolagem, e poucos minutos depois de o principal piloto começar o seu descanso de rotina.

Como foi anunciado na última quarta-feira, os investigadores do acidente anunciaram nesta sexta-feira "as primeiras constatações" sobre as duas caixas-pretas do avião.

Recuperadas no início deste mês, as caixas-pretas estão sendo analisadas pelos especialistas do BEA, que deve publicar apenas em junho o primeiro relatório provisório sobre as causas do acidente do voo 447.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, afirmou nesta quinta-feira que ainda é cedo para antecipar as conclusões sobre as causas do acidente e que "ainda não se pode tirar nenhuma conclusão sobre as causas da catástrofe". "Quanto às responsabilidades, cabe à Justiça, e unicamente a ela, estabelecê-las e anunciá-las quando for o momento", acrescentou o primeiro-ministro.

Nas últimas semanas, as constatações sobre as primeiras informações das caixas-pretas geraram polêmica e uma crise de credibilidade na imagem do BEA, devido ao vazamento na imprensa de informações sobre as primeiras constatações da análise das caixas-pretas.

Na semana passada, o jornal francês “Le Figaro” publicou uma reportagem alegando que as primeiras informações indicavam que havia ocorrido falha humana no acidente, afirmação feita com base em um comunicado divulgado pela empresa Airbus, fabricante do avião, às companhias aéreas, dizendo que "após as análises preliminares das caixas-pretas", em termos de segurança aérea, ela "não tem nenhuma recomendação imediata" a fazer a seus clientes.

Tal mensagem só pode ser emitida com a autorização dos investigadores oficiais. A detecção de qualquer defeito levaria automaticamente a algum tipo de recomendação para evitar por em risco a segurança dos passageiros dos cerca de mil A330s em serviço ao redor do mundo.

A informação foi classificada de “leviana” pelos familiares das vítimas, que em carta enviada a Fillon, mostrou ter "dúvidas" sobre "a independência" do BEA para dirigir a investigação, após a "grande divulgação de informações que deveriam ser confidenciais".

O organismo, que em um primeiro momento não tinha previsto publicar relatórios provisórios antes de agosto, teve que acelerar os prazos e foi obrigado a divulgar o conteúdo das duas caixas-pretas, tanto a que gravou as conversas da cabine como a que registrou os parâmetros de voo.

A última informação vazada na imprensa foi publicada pelo jornal alemão "Der Spiegel", que informou no fim de semana passado que o comandante Marc Dubois não estava na cabine quando o momento mais crítico do voo começou.

No entanto, o piloto correu para seu lugar assim que percebeu que algo estava errado. “Ele instruiu os dois copilotos para salvar a aeronave”, disse uma fonte ao “Spiegel”.

Apesar de a ausência momentânea do piloto indicar que um erro humano pode ter causado o acidente, dados da caixa-preta indicam que o avião se comportava de maneira estranha. Até agora, acredita-se que os pilotos levaram o Airbus para uma região de tempestades. A baixa temperatura acabou por congelar os sensores de velocidade, dificultando o trabalho dos pilotos que, neste momento do voo, precisam manter o avião em uma velocidade precisa.

Desde o reinício das operações, em 21 de maio, 29 corpos já foram resgatados. Os dois primeiros apresentaram resultados positivos para tentar extrair o DNA, o que permitiu continuar com as buscas, previstas para serem encerradas em 1º de junho. Como segundo informações das autoridades francesas ainda há cerca de 50 corpos no mar, não se sabe se a data será prorrogada.

As duas vítimas ainda não foram identificadas porque os legistas do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa não dispõem do material genético dos parentes de todos os passageiros que estavam a bordo do voo 447 para realizar a comparação, segundo a polícia francesa.

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