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PGR

Procurador de Mato Grosso do Sul disputa sucessão de Raquel Dodge

21 maio 2019 - 22h05Por Da redação

O mandato de Raquel Dodge à frente da PGR (Procuradoria-Geral da República) termina só em setembro, mas a disputa por sua sucessão já começa a se acentuar no MPF (Ministério Público Federal). Ao menos três membros já se dispuseram a ocupar o cargo pelo próximo biênio, entre eles, um procurador regional com vasta experiência na PR/MS (Procuradoria da República em Mato Grosso do Sul).

Blal Dalloul atuou em Campo Grande de março de 1997 a dezembro de 2010 e foi Procurador-Chefe por sucessivos mandatos, distribuídos de 1997 a 2003 e, depois, de 2005 a 2010. Secretário-Geral durante a gestão do ex-PGR Rodrigo Janot – que antecedeu Raquel Dodge –, ele atuou em diversos processos envolvendo organizações criminosas no Estado, com ramificações internacionais.

Com experiência na área criminal, sua passagem por Mato Grosso do Sul também é marcada pela atuação em casos envolvendo questões relativas a Penitenciária Federal de Campo Grande, inaugurada em 2006, e casos de grande repercussão que resultaram na prisão de alguns líderes de organizações criminosas, como João Arcanjo Ribeiro, Fernandinho Beira-Mar, além do mega-traficante colombiano Juan Carlos Abadía.

Procurador Regional Eleitoral de 2003 a 2005, Blal Dalloul também acumula trabalhos na área de Direitos Humanos, relacionados aos direitos da pessoa com deficiência.

Em 2010, depois de 34 anos de carreira em Mato Grosso do Sul – sendo 11 divididos entre as funções de assessor jurídico e coordenador jurídico e 23 como membro –, ele foi promovido a Procurador Regional da República da 1ª Região, em Brasília (DF), onde permaneceu até 2013, quando assumiu a função de Secretário-Geral do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) pelo triênio 2013/2016.

De junho de 2016 a setembro de 2017, ele assumiu a Secretaria-Geral do MPU (Ministério Público da União) – que engloba os Ministérios Públicos Federal, Militar, do Trabalho e do Distrito Federal e Territórios. Após 15 meses, foi removido a Procuradoria Regional da República no Rio de Janeiro, onde atua em Turmas Especializadas do TFR2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) em casos envolvendo organizações criminosas.

Mais transparência e respeito na PGR

Em entrevista exclusiva ao Jornal Midiamax, Blal Dalloul – que agora atua em processos da Operação Lava Jato com destaque ao caso do ex-governador Antony Garotinho e em questões relativas à Segurança Pública do Rio de Janeiro – fez uma avaliação do mandato de Raquel Dodge, e elencou algumas ressalvas.

“Doutora Raquel é uma pessoa brilhante tecnicamente, temos uma gestão difícil em relação à situação orçamentária, porque o próprio país está numa situação difícil, mas estou pregando na minha campanha diálogo e transparência, respeito, coisas que na atual gestão, creio que poderiam ser mais efetivos”, pontua.

Sem prejuízo à figura de Raquel Dodge, garante, ele crê que a cúpula da PGR ainda falharia um pouco no que tange ao respeito. “A gestão poderia ser muito melhor. O que eu avalio é que precisamos melhorar e tenho certeza que podemos. Nosso trabalho deve ser feito de forma profissional, técnica, mas humanista também. Acho que falta isso um pouco, está muito disperso e tem a ver com o modelo de gestão”, avalia.

Para Blal, a cúpula da PGR deve ser mais humanitária para que o MPF se fortaleça, e desta forma, a sociedade sinta a diferença. “As pessoas que estão na dita cúpula, PGR e suas equipes, precisam realmente humanizar para que o MPF fique mais agrupado, e agrupado fique forte, e forte fique estável, o que certamente vai trazer benefícios para a sociedade”, pontua.

Ele também frisou as peculiaridades de Mato Grosso do Sul e como drogas e armas que entram no país por nossas fronteiras acabam entranhando-se por outros estados. “Mato Grosso do Sul ainda é a porta de entrada de substâncias entorpecentes e tráfico de armas. Quando atuei na área criminal, MS era responsável pela apreensão de 60% das drogas que eram importadas ao Brasil”.

Blal também destaca a integração com outras instituições para ‘sufocar’ o crime organizado em Mato Grosso do Sul e o que lhe fez candidatar-se à sucessão de Dodge. “A Polícia Federal faz um trabalho espetacular no Estado, sempre integrada com MPF, essa é uma das bandeiras que eu defendo. O MPF além de ser atuante, tem que ter sentido de colaboração. Temos que colaborar com outras instituições e precisamos disso para fazer o melhor que nós podemos. O combate ao crime organizado é fundamental, corrupção, defesa dos direitos fundamentais, MPF tem uma série de atribuições que, inclusive, me fazem ser candidato a PGR”, pontua

Lista tríplice

Qualquer procurador do MPF, atue ele na primeira, segunda ou instância especial, pode candidatar-se ao cargo de Procurador-Geral da República. A eleição fica a cargo da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) e cerca de 1,3 mil membros estão aptos a votar.

A lista tríplice que é enviada ao Presidente da República é elaborada a partir daí e engloba os três candidatos mais votados nessa eleição. Com a lista em mãos, caberá ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) indicar um nome ao cargo. No entanto, Bolsonaro não precisa, necessariamente, aderir à lista, mas essa tem sido a tradição desde 2003.

O escolhido por ele ocupará o cargo por dois anos, mas, antes de ocupar a cadeira de PGR, passará por sabatina no Senado Federal. Além de Blal, já oficializaram candidatura os subprocuradores-gerais Luiza Cristina Frischeinsten e Mário Bonsaglia. A candidatura de Raquel Dodge, no entanto, não é descartada.

A atual PGR tem direito a concorrer a mais um mandato, mas depois de denunciar Jair Bolsonaro pelo crime de racismo, que acabou arquivado, perdeu fôlego – apesar de alas do Centrão serem simpáticos à sua reeleição pela discrição de sua gestão.

Com informações do site Mididmax

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