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DEPOIMENTO

Presidente deve conversar até com ‘malandro’, diz FHC ao juiz Moro

12 junho 2018 - 07h41Por Metrópoles

Ao depor nesta segunda-feira, dia 11 de junho, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, disse ao juiz federal Sérgio Moro que um presidente deve ouvir “malandros” no exercício do cargo. Na ocasião, FHC falou como testemunha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo responsável por investigar o político petista por reformas executadas em um sítio em Atibaia (SP). As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Segundo a reportagem, a declaração de Fernando Henrique foi feita quando ele mencionou audiências que tinha, como presidente, com políticos e empresários. Inicialmente, a defesa de Lula perguntou a Fernando Henrique sobre encontros com Emilio Odebrecht, patriarca da empreiteira que leva o sobrenome de sua família.

O tucano afirmou ter conversado não só com empresários, mas com líderes sindicais e religiosos durante o período de seu mandato. De acordo com Fernando Henrique, na vida pública, não é possível escolher quem será seu interlocutor.

“É natural que o presidente se comunique com os representantes da sociedade. Tendo influência, ele deve falar. É parte da vida presidencial ouvir, conversar, discutir. MST, conversei inúmeras vezes. Sindicato, nem se fale. Igreja, nem se fale”, afirmou FHC durante depoimento, segundo o jornal carioca.

O ex-presidente, então, relembrou uma situação na qual ainda estava na Universidade de São Paulo (USP) para justificar que não se pode “discriminar” malandros.

“Mesmo o malandro, você sabe que ele é malandro, você não vai entrar na malandragem dele,” afirmou. “E ele não pode ser malandro o tempo todo, tem vez que não é. Ele não deve ser discriminado. Quem tem função pública tem a obrigação de ouvir, além de levar o país para a direção certa”, completou.

De acordo com O Globo, o depoimento do ex-político durou cerca de 30 minutos e levou em consideração outros temas, como a composição do ministério no presidencialismo de coalizão. Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de ter dividido as esferas de influência dos partidos na base aliada na Petrobras com PP, MDB e PT, dividindo as diretorias da estatal com representantes dessas legendas.

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