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PPS quer que Polícia Federal investigue empresa de Palocci

17 maio 2011 - 15h11

O PPS protocolou na tarde desta terça-feira uma representação na Procuradoria Geral da República pedindo investigação sobre a evolução dos bens do ministro Antonio Palocci (Casa Civil).
A Folha revelou no último domingo que, entre 2006 e 2010, seu patrimônio foi multiplicado por 20 vezes, saltando de R$ 375 mil para cerca de R$ 7,5 milhões.

O documento, proposto pelo líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), pede para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, investigue se Palocci praticou crime contra a administração pública.
Para o partido oposicionista, Gurgel deve acionar a Polícia Federal para apurar quem são os clientes, o faturamento e o tipo de serviço da empresa Projeto.

A reportagem mostra que o ministro abriu a Projeto com sua mulher, Margareth, no dia 21 de julho de 2006. A empresa foi criada como consultoria e virou administradora de imóveis dois dias antes de Palocci chegar à Casa Civil.

O ministro adquiriu dois imóveis em área nobre de São Paulo: um apartamento de R$ 6,6 milhões e um escritório de R$ 882 mil. Os dois imóveis foram comprados por Palocci por meio da empresa, da qual ele é sócio principal, com 99,9% do capital.

Segundo o partido, Gurgel deve solucionar pelo menos seis questões surgiram após publicação da reportagem da Folha sobre os bens do ministro.
As perguntas propostas foram as seguintes: "1) Quem eram os clientes dessa empresa? 2) Quanto a empresa faturou no período em questão [de 2006 a 2010]? Quais eram os serviços de consultoria prestados pela empresa? 4) Se o ministro detinha 99,9% do capital social, porque ele não optou por fazer a retirada de lucro e registrar os imóveis em seu próprio nome, ou seja, como pessoa física? 5) Como o ministro encontrava tempo para administrar a empresa, se exercia o mandato de deputado federal e seu sócio minoritário reside nos Estados Unidos? e 6) A escolha da área de atuação da empresa (consultoria financeira e econômica) tem alguma relação com o fato de o então deputado federal Antonio Palocci ser membro da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados?".

"Por que esconder quais foram os clientes da consultoria? Normalmente as empresas têm orgulho da carteira de clientes que possuem. Isso serve até para fechar novos negócios", questiona Bueno.
O deputado diz que no Congresso já se especula sobre a atuação da consultoria.

Gurgel já afirmou que a evolução patrimonial do ministro merece um "olhar mais cuidadoso". Ele disse que esperava o pedido do PPS para iniciar a apuração.

"Estava me preparando para pedir informações para o próprio ministro-chefe da Casa Civil e para a Comissão de Ética Pública [da Presidência], quando fui informado [que a oposição entrará com representação]. Decidi aguardar para ver os elementos que serão apresentados a mim", afirmou Roberto Gurgel.

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