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Oxi não é droga nova, mas variante da cocaína, diz PF

08 junho 2011 - 19h05

A Polícia Federal divulgou, na manhã de segunda-feira, um estudo que nega que o que se tem chamado de "oxi" seja uma nova droga e informou que tratará como padrão nacional a classificação do entorpecente como uma "diferente forma de apresentação da cocaína". O estudo foi realizado a partir da análise de 20 amostras de "oxi" apreendidas pela Polícia Civil nas ruas e 23 de cocaína apreendidas pela PF em condições de tráfico internacional ou interestadual no Acre.

O Serviço de Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da PF, em Brasília, com a colaboração de equipe do programa de Perfil Químico das Drogas da PF (Projeto PeQui), identificou nas 23 amostras de cocaína teores da droga na faixa de 50-85% (média de 73%), sendo compostas predominantemente de cocaína "não oxidada", na forma de pasta base. Para as 20 amostras de "oxi", foram observados teores de cocaína na faixa de 29-85% (média de 65%), sendo que quatro amostras apresentavam menores teores de cocaína (29-47%) e quantidades significativas de carbonatos, o que a PF informou serem típicos exemplos da cocaína na forma crack.

Diferentemente do que vinha sendo divulgado como composição do "oxi", a PF identificou que não havia quantidades significativas de cal (óxido de cálcio) e de hidrocarbonetos (como querosene ou gasolina) nas amostras da droga analisadas. Sete amostras de "oxi" eram compostas por cocaína "não oxidada" e foram classificadas como pasta base de cocaína, e três amostras eram constituídas por cocaína que passou por algum refino oxidativo, sendo classificadas como cocaína base. O único adulterante encontrado nas amostras de "oxi" foi a fenacetina, cuja concentração em cinco amostras de cocaína era de 0,4-10%, enquanto sete amostras de "oxi" apresentaram índices de 0,4-22%.

"A análise de perfil químico das amostras de 'oxi' apreendidas no estado do Acre indicam que não existe uma 'nova droga' no mercado ilícito. O que se observa são diferentes formas de apresentação típicas da cocaína (sal, crack, pasta base, cocaína base) sendo arbitrariamente classificadas como 'oxi', sem que sejam utilizados para este processo critérios objetivos e técnicos", informou a PF.

O trabalho também mostra que, além do crack e da cocaína sal, os usuários têm consumindo diretamente pasta base (sem refino) e cocaína base (refinada) com elevados teores da droga (acima de 60% de cocaína), o que pode contribuir para "gerar pronunciados efeitos estimulantes e psicotrópicos e aumentar a possibilidade de efeitos deletérios como overdose".

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