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LAVA JATO

Ministro vê 'vazamento seletivo' e diz que UTC fez 2% das doações a Dilma

27 junho 2015 - 16h25

O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, afirmou neste sábado (27), durante entrevista coletiva na sede do Ministério da Justiça, que houve "vazamento seletivo" das informações divulgadas em reportagem da edição deste fim de semana da revista "Veja".

A reportagem relaciona os nomes de 18 políticos supostamente citados pelo dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, como beneficiados com dinheiro oriundo do esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Operação Lava Jato. Pessoa teria listado esses nomes em depoimento resultante de acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público e homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre esses políticos, há dois ministros – o próprio Edinho Silva e Aloizio Mercadante (Casa Civil). Ambos admitem ter recebido doações da UTC – no caso de Mercadante, quando disputou o governo de São Paulo pelo PT em 2010 –, mas negam que tenham sido ilegais. Nesta sexta, Mercadante divulgou nota na qual negou irregularidades nas doações recebidas por sua campanha.

Edinho Silva, tesoureiro da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2014, disse que, da arrecadação da campanha, os R$ 7,5 milhões da UTC correspondem a 2% do total.

"Como coordenador financeiro da campanha da presidente Dilma, eu agi estritamente dentro da legalidade", declarou Silva. "Se as mentiras divulgadas pela imprensa forem comprovadas, eu tomarei as medidas judiciais cabíveis. A delação não expressa a verdade dos fatos", afirmou.

Silva admitiu que se encontrou com Ricardo Pessoa e negociou doações para a campanha.

"Estive com o empresário por três vezes. A primeira quando ele me visitou no comitê de campanha da presidenta Dilma em Brasília. Na oportunidade, o empresário, que é conhecido publicamente como uma liderança que faz doações para todos os partidos e para a maioria das campanhas, me disse que ja havia doado anteriormente e que doaria também na campanha de 2014. Portanto, o empresário, quando me procurou em Brasíia, estabeleceu um cronograma de doações para o primeiro turno e, se ocorresse segundo turno, nós voltariamos a dialgoar. Isso ocorreu, e as doações totalizaram R$ 7,5 milhões", contou Silva.

Ele ressaltou que, como coordenador financeiro da campanha, se reuniu com “dezenas” de empresários brasileiros ao longo do ano passado. “Como fizeram os tesoureiros das outras campanhas, até porque não tem como ser diferente. Todos os tesoureiros que cumprem a tarefa de coordenação financeira a cumprem com diálogo com o empresariado para que as arrecadações aconteçam”, disse.

O ministro afirmou que constituirá advogado para defendê-lo e pedirá acesso ao conteúdo da delação premiada de Pessoa. "Pedirei mais. Pedirei para ser ouvido nos autos. Eu faço questão de ser ouvido nos autos", disse.

Ao comentar o que chamou de "vazamento seletivo", Silva afirmou estranhar que as suspeitas recaiam somente sobre a campanha de Dilma.

"A UTC ou as empresas ligadas a ela não fizeram doações apenas para a campanha da presidenta Dilma. Me estarnha que as suspeitas sejam colocadas sometne sobre as doações legais à campanha da presidenta Dilma."

De acordo com Edinho Silva, nos dois encontros que manteve com ele e com Mercadante – na noite desta sexta e na manhã deste sábado –, a presidente Dilma Rousseff deu "total autonomia" para que os ministros se defendam. Neste sábado, Dilma chegou a atrasar o embarque para os Estados Unidos a fim de se encontrar com os ministros.

“A presidenta me concedeu total autonomia para defender a minha honra e tomar as medidas necessárias em defesa da minha honra. Causa estranheza a mim, como causou a outros ministros, que o vazamento tenha, primeiramente, ocorrido e, em segundo lugar, de forma seletiva”, afirmou.

O ministro da Comunicação Social disse reiteradas vezes que não tem conhecimento do conteúdo da delação de Ricardo Pessoa. Ele destacou ainda que as contas da campanha da presidente referente à eleição do ano passado foram auditadas e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“Então, me causa indignação que meu nome tenha sido envolvido em uma delação premiada. Me causa indignação o vazamento seletivo desta delação e ma causa indignação a tese de criminalização das doações à nossa campanha”, acrescentou.

Indagado se a presidente Dilma também irá a público defender suas contas de campanha, Edinho Silva disse que o responsável pelas arrecadações foi ele e quem responde pelas doações é ele. Silva afirmou que seu cargo está “sempre à disposição” de Dilma e que quem “contrata e exonera” os ministros é a petista.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que também se pronunciou, afirmou que Dilma está “tranquila”. "A presidente está absolutamente tranquila. As explicações foram dadas desde ontem [sexta] pelo ministro Aloizio Mercadante e pelo ministro Edinho. Não há por que duvidar. Agora, a gente tem que entender o contexto em que se dá uma delação premiada. É um contexto em que a pessoa quer obter benefícios. Ela pode dizer toda a verdade em tudo, mentir em tudo, dizer parcialmente a verdade, pode ser seletiva, isso tem que ser apurado”, declarou.

Mercadante e Levy

Cardozo e Edinho falaram ainda sobre a comitiva que acompanhará a presidente Dilma na viagem aos Estados Unidos. Segundo Edinho Silva, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, internado com embolia pulmonar na sexta e que recebeu alta na madrugada de sábado, deverá viajar ainda neste sábado – a presidente embarcou no início da manhã para Nova York.

"O ministro foi ao hospital, fez os exames e ficamos tranquilos. Até porque ele foi medicado e liberado. O ministro Levy está em plenas condições do exercício da sua função, que tem sido tão importante para o Brasil e para a condução do governo", disse o ministro.

Embora Aloizio Mercadante estivesse na lista de ministros que acompanhariam a presidente Dilma nos EUA e não tenha embarcado, Edinho Silva disse que ele ficou no Brasil para tocar as questões "administrativas" do governo, enquanto o vice-presidente Michel Temer, presidente do país em exercício, conduzirá "os rumos do país".

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