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PROTESTO

'Marcha das Vadias' pede legalização do aborto durante protesto

30 maio 2015 - 16h08

A quinta edição da "Marcha das Vadias" de São Paulo teve como tema central a legalização do aborto. O grupo de ativistas se concentrou no vão livre do Masp e saiu em caminhada na Avenida Paulista no início da tarde deste sábado, dia 30 de maio. Cerca de 150 pessoas participam do ato, segundo balanço da Polícia Militar (PM).

Integrante do coletivo da "Marcha das Vadias", uma funcionária pública de 29 anos que preferiu não se identificar contou ao G1 sobre um aborto que fez aos 14 anos, quando engravidou do primeiro namorado. "Nunca tinha ido ao ginecologista. Não vou dizer que não tinha nenhuma informação, mas não estava totalmente preparada para me prevenir", relatou.

Com o apoio dos pais, ela realizou o aborto em uma clínica clandestina, "com toda a segurança, toda a higiene, com um obstetra e um anestesista", pontuou. A jovem não teve nenhum tipo de sequela e disse que o processo não causou nenhum trauma, mas milita pela causa porque "muitas meninas não têm condições, tem que ir para um 'açougueiro' mesmo ou comprar Citotec [remédio abortivo] de um modo clandestino e perigoso".

Na concentração do evento, uma oficina de Sling - tecido que serve para carregar o bebê junto ao corpo - reuniu mães feministas. A ilustradora Camila Conti, de 34 anos, conta que já participou da marcha outras vezes, mas levou pela primeira vez o filho, de 1 ano e um mês.

Ela disse que fez parto domiciliar, aprendeu muito sobre maternidade ativa, e hoje luta contra a violência obstétrica e outras causas de gênero relacionas à maternidade. "Quando me vi mãe, vi que o mercado de trabalho fecha as portas", contou. "Sou a favor da legalização do aborto. Acho fundamental que a maternidade seja uma escolha, e não um castigo".

Integrante do coletivo da marcha das vadias, Samanta Dias, de 30 anos, afirmou que a meta é pedir a legalização do aborto até pelo menos a 12 semana, garantido pelo SUS e determinada apenas pela escolha da mulher. A ativista também defende que a medida "garantiria a sobrevivência das mulheres negras e pobres, que são as que sofrem mais sequelas [do aborto clandestino]".

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