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Maconha não reduz dor, mas a torna tolerável, diz estudo

24 dezembro 2012 - 10h43

A maconha pode tornar a dor mais tolerável em vez de realmente reduzi-la, segundo sugere um estudo da Universidade de Oxford.

Com a ajuda de exames de ressonância magnética no cérebro, os pesquisadores descobriram que o ingrediente psicoativo da maconha reduz a atividade na parte do cérebro ligada aos aspectos emocionais da dor.

Mas o efeito na dor sentida variava consideravelmente, segundo eles.

Para a pesquisa, publicada na revista especializada Pain, os cientistas de Oxford recrutaram 12 homens saudáveis, que receberam um comprimido com 15mg de THC (o ingrediente psicoativo da maconha) ou um placebo.

Os voluntários tinham então que passar um creme na pele da perna para induzir a dor - um creme sem efeito ou um que continha pimenta malagueta, para causar uma sensação dolorosa de queimação.

Cada participante foi submetido a quatro exames de ressonância magnética, que revelaram como suas atividades cerebrais mudavam quando sua percepção da dor era reduzida.

Benefício seletivo

"Descobrimos que com o THC, as pessoas na média não relatavam nenhuma mudança na queimação, mas a dor os incomodava menos", afirma o coordenador do estudo, Michael Lee.

Para ele, as descobertas podem ajudar a prever quem poderia se beneficiar do uso da maconha para alívio da dor - porque nem todo mundo se beneficia.

"Podemos no futuro prever quem responde à maconha, mas precisaríamos de mais estudos em pacientes com dor crônica em períodos mais longos de tempo", afirma.

Segundo Lee, a maconha "não parece atuar como um remédio convencional para a dor", já que "algumas pessoas respondem bem a ela, outras não têm nenhum efeito".

"Os exames cerebrais mostram pouca redução nas regiões do cérebro que codificam a sensação de dor, que é o que vemos com outras drogas como os opiáceos", observa Lee.

"Em vez disso, a maconha parece afetar principalmente a reação emocional à dor de uma maneira altamente variável", diz.

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