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Leia o artigo, O Brasil de sempre, por Dante Filho

11 janeiro 2013 - 13h00


O Brasil é um País estranho: depois da divulgação do pibinho de 2012 muita gente reclamou, a oposição fez muxoxo, e, logo em seguida, começaram as previsões sombrias para 2013. A economia - comentam os profetas do apocalipse - vai desandar de vez. Mas, surpreendentemente, nem se passaram duas semanas, muitos agora revisam o alarmismo de antes para dizer que se o País crescesse na base de 5% ( como previsto pelo sempre otimista ministro Guido Mantega) estaríamos vivendo um processo tenebroso de racionamento de energia, com apagões multiplicados por todas as regiões brasileiras.



Dá pra entender? Difícil. De repente temos que ficar satisfeitos com o reiterar alguns dos conceitos dos economistas ortodoxos: o Brasil não pode crescer muito ( acima de 3%) porque sua infraestrutura não permite; mas se continuar com as taxas medíocres de crescimento, a perspectiva de futuro será temerosa, mantendo intocadas as taxas de desigualdade, com saúde, educação e segurança pública em situação caótica. Às vezes fico até desconfiado: será que os magos do marketing do governo não "inventaram" essa crise de energia para desviar a atenção dos problemas reais do País?



Trata-se de um dilema histórico. Talvez seja destino: por muitas e muitas décadas seremos comandados por uma minoria desonesta que governa uma maioria de impotentes. Quem viaja pelas regiões consideradas mais desenvolvidas – como fiz no período de fim de ano – fica assustado com o intenso favelamento ao redor das grandes cidades. Na subida da serra entre a baixada santista e a grande São Paulo pude ver no meio do nada, incrustadas nas encostas de morros, "pequenas cidades" formadas de construções precárias, lugares empilhados de sujeira, sem ruas, saneamento básico, luz, enfim, pontos que mostram o crescimento da miséria sem perspectiva de reversão. São lugares imensos, repletos de ramificações, lembrando de longe os lugarejos labirínticos da faixa de Gaza.



Viajei pelo interior paulista e litoral carioca por quase 15 dias. Salta aos olhos o contraste entre a civilização e a barbárie. Aqueles que acreditam na propaganda oficial de que o Brasil está mudando deve rever os conceitos. O excesso de divulgação de números médios ( alguns maquiados pelo fervor ideológico) está intoxicando a percepção da realidade. Fato: os locais que representam o topo da pirâmide realmente são ilhas de excelência, com padrões de vida superior a muitos países europeus, com luxo, sofisticação e abundância.



Mas descendo na direção das classes C e D ( a grande maioria da população) percebe-se a precariedade, as condições sofríveis, a falta de compromisso do Estado, a miséria visível na pele e na boca de homens, mulheres e crianças, coisas que são mitigadas, talvez, pelo consumismo ilusório de curto prazo.



Para aqueles mais otimistas digo sem medo de errar: não há nada para se orgulhar. O Brasil continua reproduzindo em termos reciclados o velho conceito da Casa Grande & Senzala. E o grave é que as medidas que estão sendo adotadas para tentar reverter esse processo concentracionista e altamente excludente do ponto de vista social são populistas e de curto alcance.



Se o Brasil viver uma fase de queda das taxas de emprego formal este ano não haverá chance de almejar melhorias nas próximas décadas. O quadro tenderá a se deteriorar sem que haja propostas consistentes de mudança da atual agenda. Politicamente não há ninguém no radar da sociedade que galvanize qualquer processo de transformação qualitativa. Por enquanto, tudo segue na direção da manutenção do statu quo, com Dilma comandando a máquina e a mesma constelação de partidos garantindo a governabilidade. Ousadia e vontade política são termos em desuso no momento. Cautela e paciência são as palavras da moda. Até quando?



jornalista (dantefilho@terra.com.br)

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