Menu
Busca quinta, 24 de janeiro de 2019
(67) 9860-3221

A invisibilidade gerada pela citricultura

17 dezembro 2012 - 16h00

“O setor de cítricos brasileiro, ao lado dos Estados Unidos, é responsável por 90% da produção de suco de laranja comercializado no mundo”, informa a socióloga Lidiane Maciel.

“A citricultura no Brasil já nasceu internacionalizada e, a partir de 1962, passou a preencher lacunas deixadas pelo mercado americano. Para quem viaja pelo interior paulista, é possível observar ao lado dos imponentes canaviais os profundos laranjais, que resistem ao avanço da cana de açúcar”. Este é o panorama que Lidiane Maciel identifica no interior paulista, especialmente nas cidades de Araraquara e São Carlos, onde a produção de citricultura tem atraído milhares de migrantes.

De acordo com a pesquisadora, “as lavouras de laranja e, principalmente, de cana-de-açúcar substituíram parcialmente as antigas lavouras de café e ocuparam novos espaços para uma produção compassada com o desenvolvimento industrial”. Apesar de ocupar o ranking na posição de maior produtor de laranjas do país, as cidades paulistas que concentram a produção enfrentam problemas sociais por conta dos migrantes que buscam “melhorar de vida”. Segundo Lidiane, que acompanhou a jornada dos trabalhadores para escrever sua dissertação de mestrado, eles têm um jornada que se inicia “por volta das 6h30min, e o almoço é realizado em meio à rua de trabalho”. E acrescenta: “Para que um trabalhador mantenha um salário mínimo, é necessário que colha por dia cerca de 90 caixas de laranja. Por cada caixa colhida é pago cerca de 0,36 centavos”.

Além das dificuldades em relação à jornada de trabalho, Lidiane enfatiza, na entrevista feita por e-mail, que os migrantes são “invisíveis” na região. “A cidade não os reconhece como parte; é impresso neles grande estigmatização. São chamados de ‘boias frias’ de ‘baianos’ ou de ‘povo do norte’. O que de fato impede o fortalecimento de relações sociais fora de seus núcleos familiares e de amizade. Mas também não podemos afirmar que há uma segregação que gere total separação dos migrantes e dos locais”, assinala.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
Mourão descarta “por enquanto” privatização dos Correios
VEÍCULOS
Toyota convoca recall de 380 mil carros por 'airbags mortais'
CAMPO GRANDE
Médico é sequestrado no estacionamento da Santa Casa, mantido refém e ladrões levam BMW
HOMENS
Como se vestir bem no verão: dicas para ficar estiloso no calor
EDUCAÇÃO
Arquitetura e Urbanismo do IFMS tem maior concorrência no 1º dia do Sisu
CHOCOLATE
Torta palha italiana repleta de brigadeiro, super cremosa
NAVIRAÍ
Trio é preso com revólver e maconha quando iam dar uma ‘voltinha’
EDUCAÇÃO
Em Semana Pedagógica, Senai alinha ações e calendário de atividades para 2019 no Estado
INSPIRE-SE
Apartamento de 46 m² com cozinha escondida e adega suspensa
CAPITAL
Governo reforça segurança no Aquário do Pantanal

Mais Lidas

OPERAÇÃO PREGÃO
Ex-secretário de Fazenda João Fava Neto é preso na Capital
POLÍCIA
Rapaz vai parar na cadeia após ser flagrado empinando moto em Dourados
POLÍCIA
Homem é flagrado com mais de 150 kg de cocaína em fundo falso de caminhão
PARANHOS
Sogro de narcotraficante é executado a tiros na região de fronteira