Menu
Busca sábado, 17 de agosto de 2019
(67) 9860-3221
AMAZÔNIA

Diretor do Inpe rebate Bolsonaro, reafirma desmatamento e não deixa cargo

21 julho 2019 - 07h58Por G 1

O diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro, que acusou o órgão de pesquisa de mentir sobre dados de desmatamento e de estar "agindo a serviço de uma ONG". Disse também que não deixará o cargo.

"Fazer uma acusação em público esperando que a pessoa se demita. Eu não vou me demitir", afirmou Galvão.

As acusações de Bolsonaro foram feitas na úktima sexta-feira, dia 19 de julho, durante café da manhã com jornalistas estrangeiros. Neste sábado, Galvão se defendeu em entrevista ao site do jornal "O Estado de S.Paulo". Procurado pela TV Vanguarda, afiliada da Globo, ele reafirmou as críticas. Veja a seguir um resumo do que disseram Bolsonaro, na sexta, e Galvão à TV Vanguarda, neste sábado.

Acusações de Bolsonaro

"A questão do Inpe, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos, e nós vamos chamar aqui o presidente do Inpe para conversar sobre isso, e ponto final nessa questão."

"Mandei ver quem está à frente do Inpe. Até parece que está a serviço de alguma ONG, o que é muito comum."
"Se for somado o desmatamento que falam dos últimos 10 anos, a Amazônia já acabou. Eu entendo a necessidade de preservar, mas a psicose ambiental deixou de existir comigo."

Bolsonaro fez referência a dados que o Inpe havia divulgado na quinta-feira (18), sobre o atual estado do desmatamento na Amazônia. Procurado pela TV Globo, o Palácio do Planalto disse que não vai se manifestar sobre o assunto.

Respostas de Galvão

"Esses dados sobre desmatamento da Amazônia, feitos pelo Inpe, começaram já em meados da década de 1970 e a partir de 1988 nós temos a maior série histórica de dados de desmatamento de florestas tropicais respeitada mundialmente."
"Tenho 71 anos, 48 anos de serviço público e ainda em ativa, não pedi minha aposentadoria. Nunca tive nenhum relacionamento com nenhuma ONG, nunca fui pago por fora, nunca recebi nada mais do que além do meu salário com o servidor público."

"Ao fazer acusações sobre os dados do Inpe, na verdade ele faz em duas partes. Na primeira, ele me acusa de estar a serviço de uma ONG internacional. Ele já disse que os dados do INPE não estavam corretos segundo a avaliação dele, como se ele tivesse qualidade ou qualificação de fazer análise de dados."

'Piada de um garoto de 14 anos'

Galvão, disse ainda que respeita o presidente Bolsonaro como um representante eleito, mas criticou seu comportamento. "Sou republicano e [acredito] que ele tem várias propostas que vão em benefício do país, mas ele tem tido realmente comportamento que não respeitam a dignidade e liturgia da Presidência".

"Principalmente quando ele tem essas entrevistas com a imprensa ou mesmo em outras manifestações, ele tem um comportamento como se estivesse em botequim. [...] Ou seja, ele fez acusações indevidas a pessoas do mais alto nível da ciência brasileira, não estou dizendo só eu, mas muitas outras pessoa", afirmou Galvão. "Isso é uma piada de um garoto de 14 anos que não cabe a um presidente da república fazer."

O Inpe disse em nota que sua política de transparência permite o acesso completo aos dados e acrescentou que a metodologia do instituto é reconhecida internacionalmente. "O Inpe teve um papel fundamental na utilização de satélites para imagem de sensoriamento remoto. O Brasil foi o terceiro país no mundo a usar imagens do satélite landsat, método desenvolvido pelo Inpe. Todos os nossos métodos são desenvolvidos pelo Inpe".

O pesquisador também defendeu seu histórico como cientista e as escolhas feitas pelo ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações para cargos de pesquisa, como o que ocupa na diretoria do Inpe. "O presidente Bolsonaro tem que que entender que eu sou um senhor de 71 anos, professor titular da Universidade de São Paulo, membro da Academia Brasileira de Ciências, fui presidente da Sociedade Brasileira de Física durante 3 anos, membro do Conselho Científico da Sociedade Europeia de Física durante 3 anos".

"Todos os diretores dessas unidades de pesquisa não são escolhidos por indicação política ou por que o pai deles quis dar um filé mignon pra eles. Eles são escolhidos por uma comitê de busca nomeado pelo governo, por 5 especialistas de renome nacional, tanto na área científica quanto na área tecnológica", reiterou.

Galvão também disse que é preciso defender quem "trabalha bem para o governo", e citou o ministro de Ciências, Marcos Pontes. "Ele sempre manifestou que as questões do desmatamento e das mudanças climáticas são questões cientificas e não políticas. E têm que ser tratadas cientificamente, e ele sempre mostrou grande respeito pelo Inpe", afirmou.

"No entanto, o ministro Ricardo Salles vem atacando, desde o começo do ano, os dados do Inpe. Realmente não sei com que intenções. Algumas pessoas dizem que ele tem intenção de transferir esse trabalho feito pelo Inpe para empresas privadas. Não sei se é verdade, porque ele aparentemente desmentiu."

O diretor do Inpe afirmou que, antes da polêmica com o presidente, havia enviado um ofício ao ministro Pontes, propondo que fossem abertos canais de comunicação para esclarecer sobre esses dados e criar ferramentas para que o governo pudesse usar essas informações de forma mais clara e transparente.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
Mia Khalifa cria atrito no pornô internacional ao renegar passado na indústria
ESCOLARES
Modalidades individuais dos Jogos Escolares da Juventude terão como sede Corumbá e Nova Andradina
EMPREGO
MS tem a 4ª menor taxa de desocupação do país no segundo trimestre de 2019, diz IBGE
BRASIL
Remédio para cólica menstrual tem efeito para tratar esquistossomose
DOURADOS
Acidente com morte pode ter ocorrido após motociclista ser fechado por carro
GUIA LOPES
Homem é flagrado com couro de onça e multado pela PMA
BR-163
Passageira morre após homem colidir moto contra placa de sinalização em Dourados
MELHOR IDADE
Confira os vencedores da etapa do voleibol adaptado e bocha
ESTELIONATO
Homem perde R$ 14 mil ao cair em golpe pela internet
CAMPO GRANDE
Decisão anula TAC que estabelece remoção de empresas de antigo lixão

Mais Lidas

DOURADOS
Polícia apresenta dupla presa por envolvimento em sequestro e identifica resto do bando
DOURADOS
Defensoria flagra pacientes sem água e comida no Hospital da Vida
POLÍCIA
Após denúncias, trio é preso por tráfico na Vila Cachoeirinha
DOURADOS
Um ano após crime, TJ ainda vai decidir se pai e madrasta vão a júri por morte de bebê