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ECONOMIA

Copom baixa juros para 7,5% e indica que deve reduzir ritmo de cortes

26 Outubro 2017 - 06h48

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira, dia 25 de outubro, a redução da taxa básica de juros da economia brasileira de 8,25% para 7,5% ao ano.

Esse foi o nono corte consecutivo na Selic, o que levou a taxa ao menor patamar desde abril de 2013, ou seja, em pouco mais de quatro anos. A queda de 0,75 ponto percentual já era amplamente esperada pelos economistas do mercado financeiro.

A decisão desta quarta marca a redução no ritmo de corte dos juros, que havia sido de 1 ponto percentual nos últimos quatro encontros do Copom. O próprio BC já havia indicado que essa desaceleração aconteceria.

No patamar de 7,5% ao ano, a taxa básica também está muito próxima da mínima histórica, de 7,25% ao ano, que vigorou entre outubro de 2012 e abril de 2013. A série histórica do Banco Central para a taxa Selic começa em 1986.

A estimativa dos analistas das instituições financeiras é de que o juro continue a recuar nos próximos meses, chegando a 7% ao final deste ano, estabelecendo uma nova mínima histórica, e permanecendo neste patamar até o final de 2018.

Como as decisões são tomadas

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Para 2017 e para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, de modo que o IPCA pode variar entre 3% e 6% nestes anos sem que a meta seja formalmente descumprida.

Normalmente, quando a inflação está alta o BC eleva a Selic na expectativa de o encarecimento do crédito freiar o consumo e, com isso, a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.
Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC reduz os juros. É o que está acontecendo neste momento.

O que diz o Banco Central
 

O Banco Central indicou, em nota divulgada nesta quarta, que deverá reduzir novamente o ritmo de corte dos juros na próxima reunião do Copom, marcada para o início de dezembro.

"Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização [corte dos juros], o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", informou o BC.

O Copom ressaltou ainda que o processo de "flexibilização" continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação.

O BC informou também que, considerando a previsão do mercado financeiro para juros e câmbio, suas estimativas de inflação estão em torno de 3,3% para 2017, de 4,3% para 2018 e 4,2% para 2019.

Esse cenário do mercado, observou a autoridade monetária, supõe trajetória de juros que encerra 2017 e 2018 em 7% e eleva-se para 8% ao longo de 2019.

"O Comitê julga que o cenário básico para a inflação tem evoluído conforme o esperado. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária", concluiu.

Comparação com outros países

Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil permaneceu no terceiro lugar no ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.

Com os juros básicos em 7,5% ao ano, a taxa real do Brasil soma 2,89% ao ano, atrás da Turquia e da Rússia, com juros reais de 4,61% ao ano e de 4,10% ao ano, respectivamente. Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 0,2% ao ano.

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