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Consulado dos EUA dá visto, mas segura passaportes em SP

01 Dezembro 2012 - 17h43

"Horrível, estou desesperado. Por favor, não quero mais o visto só meu documento e sair de aqui!". O empresário Márcio, 29, gritava ontem à supervisora do Centro de Solicitação de Visto dos EUA, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, mas a resposta era sempre a mesma: "Se não foi chamado é porque seu passaporte não foi encontrado". Ele caiu em lágrimas.



É o terceiro dia que Márcio, que não quis dar o sobrenome, foi lá, na frente daquele escritório, idealizado para agilizar a concessão de vistos dos brasileiros para viajar aos Estados Unidos.

Ele organizou uma viagem para o filho mais novo conhecer o parque Disney, na Flórida, mas o programa ainda pende por um fio.

Um mês após solicitar o visto norte-americano, ele conseguiu retirar os documentos de toda a família, mas o do menino não apareceu.

"Enviamos e-mails perguntando, mas eles enviam respostas automáticas", disse. As passagens são para hoje.

SERVIÇO SUSPENSO

Após os Correios conseguirem, no final de outubro, que a Justiça impedisse a DHL de continuar com a entrega de passaportes, o Consulado dos EUA ainda não faz o envio a domicílio dos documentos.

"Há 14 mil passaportes misturados aí dentro, se o seu ainda não foi encontrado, não posso fazer nada pelo senhor," afirmava a supervisora para Tiago Donato, 28, outro empresário indignado após ter cancelado sua viagem de negócios.

"Ontem apareceu na internet que meu passaporte estava pronto, hoje entrei no site e a informação não está mais lá. Não entendo mais nada", disse Donato depois de cinco horas de espera.

A DHL foi contratada pela CSC, responsável pelos centros de solicitação do visto, até os Correios a denunciar pela quebra do monopólio postal que a estatal possui. Com a suspensão de envio dos passaportes, eles se acumularam e o consulado parou de agendar horários de retirada dos documentos.

A alternativa, agora, é ir ao centro de atendimento do consulado no Alto de Pinheiros, dar o nome e esperar várias horas até os funcionários encontrarem o documento.

"Isto é uma cachorrada", lamentava Munida Haddad, 75, que, sem prioridade, aguardava em pé pela supervisora. Ontem, ao menos 70 pessoas, a maioria sem agendamento, esperavam para retirar o passaporte, mesmo sem garantias.

Os Correios informaram que, desde 29 de outubro, realizaram oito teleconferências e uma reunião presencial com a CSC para restabelecer os envios de passaportes. "Apesar dos Correios estarem prontos para recomeçar imediatamente a distribuição dos documentos, a CSC não se posicionou", disse à Folha a gerente de relações institucionais da estatal.

O Consulado dos EUA disse que "no momento não tem atualizações sobre o processo de devolução de passaportes" e desconhece quaisquer problemas na entrega.

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