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Aluno deve decidir sobre seu processo educativo

30 novembro 2012 - 18h00

A instituição que foi fundada pelos psicólogos colombianos Emilia e Buenaventura Fontán, no fim da década de 80, em um modelo experimental, faz parte hoje do Super Mentor Schools, seleto grupo de escolas mais inovadoras do mundo criado pela Microsoft. Ao estimular que seus alunos fossem autodidatas, o Colégio Fontán foi na contramão do modelo tradicional e apostou na autonomia dos estudantes. A aposta deu certo e chegou a ser reconhecida pelo Ministério da Educação do país como “primeira instituição de inovação educativa da Colômbia”. No Fontán, os alunos têm total liberdade para montar o seu currículo e decidir se estão aptos ou não para passar de nível escolar (leia matéria com detalhes sobre a metodologia desenvolvida no Fontán).

Julio Fontán, diretor da instituição e filho do casal que fundou o colégio, esteve no Brasil a convite do Instituto Natura, falando sobre o trabalho na Colômbia e conhecendo casos inovadores do país. Em entrevista ao Porvir, ele conta como surgiu o modelo de ensino e defende o uso da tecnologia como ferramenta de empoderamento para o aprendizado dos estudantes. Segundo Fontán, infelizmente, muitas escolas ainda não estão preparadas para adotar um modelo como o colombiano por conta do “medo e comodismo dos professores”, o que impede que as crianças se tornem mais autônomas. “Muitas vezes, os alunos não têm senso de realidade e são excluídos da tomada de decisão sobre seu processo educativo; simplesmente fazem coisas prontas”, diz. Confira abaixo a conversa com o especialista.

Como surgiu a ideia do modelo Fontán?

O projeto começou em 1957, na Colômbia, com os meus pais, que eram psicólogos catalães. Na época, eles abriram um consultório de psicologia do aprendizado. As crianças iam para lá e meus pais as ajudavam a resolver seus problemas de aprendizagem. Chegou um momento em que os estudantes não queriam mais voltar à escola e preferiam ficar no consultório. Lá, eles trabalhavam os conteúdos autonomamente e, como forma de validação dos estudos escreviam, uma espécie de relatório, mostrando o que haviam aprendido. Já nos anos 1970, os alunos passaram realmente a estudar no consultório e abandonaram a escola.

Como o modelo passou a ser reconhecido pelo Ministério de Educação?

Nos anos 80, o Ministério de Educação visitou o consultório para conhecer o que estávamos fazendo já que apenas 26% dos alunos do país eram aprovados nos testes nacionais de avaliação de desempenho, enquanto os estudantes do consultório alcançavam 98% de aprovação. O MEC passou a acompanhar nossas metodologias e os especialistas ficaram encantados com o sistema. Em 1987, o ministério reconheceu o modelo como “primeira instituição de inovação educativa da Colômbia”. A metodologia chegou inclusive a inspirar algumas diretrizes do ministério.

O que é preciso para que essas escolas, de fato, se tornem inovadoras?

Inovar nunca pode ser o resultado, mas aquilo que está disposto a realizar. Quem está do outro lado são crianças e qualquer processo imposto pode interferir diretamente na qualidade de vida delas. Inovar em educação é uma coisa séria. Normalmente as escolas adotam certos sistemas de ensino que simplesmente dão as respostas às crianças ou então criam modelos a partir de uma teoria X; que Piaget disse isso ou aquilo e, por isso, deve ser assim ou assado. É como na medicina, que não se pode brincar com a saúde dos pacientes. Na educação é a mesma coisa: não podemos brincar com o futuro das crianças. A inovação tem que partir da pesquisa e da prática, não de ideias fabulosas ditas por alguém, como costuma acontecer.

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