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Aeroportos brasileiros são vilões de desperdício de água

03 junho 2011 - 15h00

A três anos do maior evento midiático do planeta, o Brasil deveria iniciar um planejamento sério para realizar uma Copa Azul em 2014. A defesa é da H2C, consultoria especializada em programas de uso racional de água. “O Brasil concentra a maior reserva de água doce do planeta, mas ao mesmo tempo figura entre os países que mais desperdiçam o recurso. Precisamos reverter esse quadro negativo, ainda mais num momento de grande visibilidade para país”, alerta o consultor Paulo Costa.

A Copa Azul, como propõe a H2C, envolve diversas ações. Entre elas, a implantação de programas de uso racional da água em prédios públicos, como aeroportos, estádios, hospitais, e em áreas de hospitalidade. “Os turistas que vão circular pelo Brasil farão uma análise crítica da situação desses locais”, ressalta Paulo. Para o consultor da H2C, uma das áreas mais sensíveis são os aeroportos. Levantamento realizado pela consultoria em sanitários públicos de 15 terminais que vão servir as cidades-sede durante a Copa indica que o potencial de economia de água nos locais é considerável.

Um dos pontos que poderia ser aprimorado, diz a consultoria, é a troca de torneiras economizadoras mecânicas, vistas na maioria dos terminais visitados, por modelos eletrônicos. Mais eficientes, essas torneiras gastam 300 ml de água por minuto, contra 405 ml de água por minuto das mecânicas. Percentualmente, a diferença é de 35%. Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador são alguns dos aeroportos que contam com os equipamentos.

De acordo com o levantamento da consultoria, o aeroporto de Cuiabá (Marechal Rondon) é o que apresenta o maior potencial de economia de água e o de Recife (Gilberto Freire), o que está mais próximo do ideal. “O aeroporto de Cuiabá possui bacias sanitárias que consomem 18 litros por acionamento, enquanto Recife possui bacias sanitárias a vácuo, que utilizam em torno de 1,2 litros por acionamento”, revela o consultor.

A diferença entre os dois aeroportos mostra que há muito que melhorar. Por exemplo: embora boa parte dos banheiros apresente mictórios eletrônicos (800 ml de água/acionamento) e bacias sanitárias de baixo consumo (6 litros/acionamento), a economia poderia ser ainda maior com a substituição por bacias sanitárias a vácuo e mictórios a seco. “São mudanças que poderiam ser planejadas como parte das reformas dos terminais da Copa”, pontua Paulo Costa.

Considerando uma economia potencial de 30%, advinda da substituição dos equipamentos, no aeroporto de Manaus (Brigadeiro Eduardo Gomes), por exemplo, que consome cerca de 18 milhões litros de água por mês, a economia em um ano poderia chegar a cerca de 65 milhões de litros de água, equivalente a 26 piscinas olímpicas.

Outra sugestão para racionalizar o uso da água diz respeito à manutenção, que dever ser preventiva e não corretiva, de forma a preservar a desempenho dos produtos sanitários. Durante o levantamento, foram vistas torneiras com vazamentos e válvulas desreguladas, indicando que há problemas nesse quesito. Outra situação comum é a variedade de metais e louças sanitárias nos diferentes aeroportos. “Como há diferenças no controle de qualidade das marcas, a falta de uniformização sugere desequilíbrios no consumo da água, além de falta de planejamento e gastos excessivos”, alerta o consultor.

Além das melhorias citadas, uma medida que teria impacto na economia de água nos aeroportos brasileiros seria a implantação de sistemas de captação de águas pluviais. O exemplo vem da Alemanha: no aeroporto de Frankfurt, um dos maiores do mundo, graças à utilização desses sistemas a economia de água tratada chega a 70%. “Podemos obter percentagem de economia similar nos aeroportos do Brasil, ainda mais que temos alto índice pluviométrico.”

Outras ações importantes propostas pela H2C para a Copa Azul em 2014 são a despoluição dos mananciais de água e a ampliação do acesso ao saneamento básico até 2014. “No Rio de Janeiro, por exemplo, a despoluição da Baía de Guanabara foi incluída na projeto de candidatura da cidade à Olimpíada 2016. As cidades-sede da Copa também poderiam assumir compromissos semelhantes em relação à qualidade da água e deixar um legado para a população.”

O estudo completo da H2C sobre o uso da água nos sanitários públicos dos aeroportos da Copa será divulgado no dia 13 de junho.

A H2C

Empresa de consultoria e planejamento de uso racional da água, membro do Green Building Council Brasil (GBC Brasil). Por meio do conhecimento de seus consultores e da experiência de seus técnicos, a H2C oferece a mais completa gama de soluções, permitindo resultados que surpreendem seus clientes. No portfólio da empresa constam mais de mil projetos que proporcionaram economia de água de até 67% em empresas brasileiras e multinacionais, tais como a construtora Hochtief, os bancos Itaú, Unibanco e Real, a Sodexho (catering), o hospital Albert Einstein, além condomínios residenciais e comerciais.

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