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Alfabetização de jovens e adultos motiva a educação em MS

16 março 2005 - 11h53

Laurinda Nogueira de Morais aprendeu a escrever o próprio nome com 66 anos e não parou, hoje com 77 anos ela é uma das alunas do Curso de Educação de Jovens e Adultos. A ‘Vozinha’, como é conhecida na sala, cursa o EJA, antigo supletivo, na escola Estadual Professora Clarinda Mendes de Aquino.
E ela explica porque demorou tanto para começar a estudar. "Eu não estudei quando era criança. Já estou no curso há três anos e adoro ir para o colégio". Criada em 2001, a escola pretendia atender alunos com mais de 17 anos que ainda não eram alfabetizados ou que não terminaram o ensino fundamental e médio.
As 13 salas, que podem abrigar de 30 a 45 alunos, funcionam em um prédio adaptado no Jardim Petropólis, em Campo Grande. Hoje a escola atende 800 alunos do EJA nos períodos vespertino e noturno, e comemora no dia 18 de abril, três anos de fundação. Para a diretora da escola, professora Márcia Meira Machado, que trabalha com educação há 21 anos, o exemplo de dona Laurinda mudou seu modo de ver o projeto.
 "Essa escola era um extensão de uma outra, e quando eu vim para ser diretora não imaginava que a demanda de alunos era tão grande. Eu não acreditava no curso. Depois desses três anos vejo o quanto é importante para a inclusão social.
Eu me perguntava, o que um senhora de 77 anos vai aprender? Mas ela descobriu que tem um mundo para viver pela frente". E a tecnologia também chamou a atenção da dedicada vovó. "Quando implantamos a sala de tecnologia no ano passado, a dona Laurinda aprendeu a viajar, navegar na internet, e ela me disse: ‘Eu vou arrumar um namorado via internet’.
Pode estar chovendo, frio, ela vem todos os dias, não falta uma aula. Eu aprendi que não sei nada da vida", afirmou a diretora. Mesmo com tanta dedicação às vezes fica difícil acompanhar o ritmo. "A aula é muito boa, mas pra mim é difícil.
Tenho dificuldade em aprender matemática", afirmou dona Laurinda. Outros exemplos de perseverança nos estudos nunca são esquecido pela diretora. "A teoria é muito bonita, mas a prática é formidável. No ano passado um aluno nosso, que ficou 25 anos sem estudar e terminou o ensino médio aqui, passou no vestibular, no curso de engenharia civil, na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul)", disse orgulhosa.
 A patrona da escola, professora Clarinda Mendes de Aquino, também é educadora e aos 76 anos ela acredita na mudança através do ensino. "Ela sempre me dizia ‘ou você acredita na educação ou sai fora dela’.
Os programas de alfabetização são ótimos, mas deve ser investido mais, não só na alfabetização, mas na continuidade disso", explica Márca. Em Mato Grosso do Sul 45 mil estudantes participam do EJA, são 23 mil estudantes no ensino fundamental, que começa com a alfabetização e 22 mil no ensino médio. As classes especiais para jovens e adultos acima de 17 anos estão presentes em todos os 77 municípios do Estado. A técnica pedagógica da Secretaria Estadual de Educação, Márcia Wilhelms, explica como funciona o método de ensino. "Na maioria das vezes os alunos são trabalhadores que só podem estudar de noite, que não tiveram a oportunidade de estudar na idade própria ou interromperam os estudos antes de terminar. E agora querem retornar porque o mercado de trabalho. Mas o método é simples. O ensino fundamental é dividido em quatro fases e o médio em duas. Cada fase corresponde a 180 dias letivos". Para dona Laurinda, que deve terminar o curso em mais alguns anos de estudos, o futuro ainda não está planejado. "Ainda não pensei, mas se puder e der certo eu quero fazer vestibular. O curso ainda não escolhi", afirmou. E para educadores como a diretora Márcia, o mais importante é propagar a educação. "Nós professores temos o saber dos livros e nosso alunos têm o saber da vida. Demos um sentido a vida deles, que eram excluídos da sociedade e eles deram vários sentidos para a nossa vida".

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