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ARTIGO

Acreditando no otimismo, por Waldir Guerra

18 setembro 2017 - 08h24

Alguns caros amigos, meus leitores costumeiros, me aconselharam deixar de lado o pessimismo, pois os últimos artigos, segundo eles, estariam mostrando isso e não gostaram de ver a ideia em mim.

Não é pra menos; não está nada fácil manter otimismo com todos esses escândalos sendo mostrados todo santo dia nos noticiários. Mas vamos lá...não me custa tanto de um limão fazer uma limonada. É o caso, por exemplo, daquelas enormes malas do Geddel Vieira Lima recheadas de dinheiro. Mais de 50 milhões de reais escancarados ao público, que imagino, deixou todo mundo de boca aberta.

Um escândalo extraordinário porque veio demonstrar o descaramento de um alto membro do atual governo – e de governos anteriores diga-se, pois fez parte de outros governos antes do atual. Considero esse escândalo como um dos melhores gols feitos pela Lava Jato nessa disputada entre ela e os corruptos deste país.

Duas coisas boas aconteceram na descoberta das malas do Geddel (olha meu otimismo aflorando aí): a primeira: o dinheiro já está de volta pro seu dono... e em cash! A segunda: agora fica mais difícil para políticos corruptos; corruptores intermediários e empresários gananciosos alegarem que não era propina, mas doação para campanhas.

Aquela montoeira de malas e caixas cheias de dinheiro está gravada no subconsciente das pessoas e tende a desmoralizar todos os atuais políticos, acusados ou não; infelizmente. Ou você, caro leitor, se atreveria hoje a dizer em alta voz: este não, ponho a mão no fogo por ele?

Uma boa consequência disso? A transparência nos gastos públicos começa a ficar mais clara e veio da presidência do STF através de uma determinação da ministra Cármen Lúcia para que todos os ganhos dos ministros do Supremo sejam devidamente explicitados. Certamente isso vai gerar um efeito cascata, de cima para baixo – é o que se espera – e todos os funcionários da Justiça terão seus ganhos detalhados ao público.

Outras duas consequências boas vieram da delação premiada de Antonio Palocci nessa semana passada; a primeira: liquidou de vez com a candidatura de Lula à Presidência da República e a segunda porque passou um verniz protetor no juiz Sérgio Moro fortalecendo-o muito, tanto que nenhum político irá enfrentá-lo na ofensiva. Se Lula imaginava fazer de seu depoimento no dia 13 um palanque para 2018, errou o pulo.

Como o tempo está ficando curto, nesta semana o Congresso deverá definir as normais quanto às eleições de 2018. De importante nada deve ser aprovado porque a preocupação dos atuais congressistas é com eles próprios e suas campanhas. Mas seja você também caro leitor um otimista: em pouco mais de um ano o Congresso será outro e prevejo atitudes corajosas e muito ousadas no novo Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados – a Casa do Povo.

Este crucial momento político em que o País está mergulhado será uma ótima oportunidade para expiarmos os erros e implantarmos uma nova ética na sociedade e assim todos nos beneficiaremos no futuro. Winston Churchill, homem que governou a Inglaterra, uma das maiores nações do mundo durante um período de grandes dificuldades da história moderna disse: "O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê uma oportunidade em cada dificuldade".

Agora só nos resta acreditar no exemplo de Churchill e sermos otimistas.




Waldir Guerra *

Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Governo e deputado federal. (wguerra@terra.com.br)


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