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ARTIGO

A chuva, a enchente e o prefeito

11 Janeiro 2017 - 14h05

Estamos no pico da estação das chuvas na maior parte do território brasileiro. Dezembro, janeiro e fevereiro costumam ter as maiores precipitações do ano e, com elas, os desastres frequentes. Inundações de vias públicas e de imóveis que muitas vezes causam vítimas fatais e invariavelmente causam prejuízo a muita gente. Todos os anos, nessa época, as chuvas fortes e repentinas produzem desabrigados, detonam a infraestrutura das cidades e prejudicam o funcionamento de muitos negócios. As causas, na maioria das vezes, estão vinculadas à negligência. A população, mal educada, joga lixo na rua e o material é tragado pela rede de galerias pluviais que, entupida, não cumpre a sua função de escoamento. Para agravar o quadro, muitas

São muitas as causas determinantes dos acidentes decorrentes da chuva. A raiz está na ocupação indevida do solo. Durante muitas décadas, as cidades se formaram junto às margens dos rios e muitas construções se ergueram dentro do aluvião, aquela reserva que a natureza reservou para receber a água excedente durante as cheias. De outro lado, a ocupação agrícola acabou com as matas ciliares e a terra das margens foi levada para o leito dos rios, ocupando o lugar originalmente destinado ao escorrimento da água.

Já faz pelo menos 40 anos que a preocupação ecológica vem sendo divulgada no Brasil. Mas, infelizmente, em vez de resolver os problemas, governantes demagogos transformaram o tema em instrumento de campanha e promoção política. Dezenas de militantes da causa elegeram-se para os diferentes níveis de governo e do parlamento mas, em vez de fazer o básico, cuidaram de propostas fantasmagóricas e incompatíveis com o momento nacional. Enquanto discutiam grandes temas, as galerias continuavam entupidas, os rios assoreados e as inundações cada dia mais violentas.

Neste momento, quando muitas localidades sofrem com as cheias, os novos prefeitos assumem seus mandatos, já tendo de socorrer vítimas da negligência de seus antecessores. Que aproveitem a experiência agora vivida e, pelo menos, na estação seca do ano – que vai de abril a setembro – mandem limpar os bueiros e redes de galerias de suas cidades. Também seria aconselhável que fizessem campanhas para evitar que o povo descarte lixo nas ruas e cursos d’água e, nos casos mais extremos, tivessem a coagem de multar os infratores. É lógico, que não podem se esquecer de buscar recursos para obras que venham a resultar os gargalos provocados pelas chuvas em suas cidades.

A solução das enchentes tem de ser encontrada no tempo seco, e depende da responsabilidade e do interesse de todos...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) aspomilpm@terra.com.br

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