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Integração lavoura pecuária contribui com intensificação da produção

Durante as atividades realizadas na 54ª Expoagro, na manhã de terça-feira, 15/5, os participantes tiveram uma aula sobre a importância do solo e conheceram algumas estratégias de manejo adequadas para sua conservação

16 maio 2018 - 14h05Por Da Redação

Os participantes do Painel “Intensificação e Integração na Agricultura”, que aconteceu na terça-feira, 15 de maio, no auditório do Parque de Exposições, na Expoagro, conheceram inúmeros detalhes da produção agrícola que podem contribuir com melhores resultados de produtividade. E o solo foi o assunto de maior destaque no painel.

A primeira palestra foi realizada pelo pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas, que falou sobre o “Efeito do sistema de produção na a dinâmica de plantas daninhas”. Ele destacou que em toda a região central do Brasil, o modelo de produção agrícola predominante é o de sucessão soja e milho. “Este modelo de produção tem gerado muitas modificações nos agroecossistemas, algumas são positivas e outras nem tanto”. Dentre os aspectos negativos, explicou que o esse tipo de manejo prejudica a fertilidade do solo, em relação as suas características química, física e biológica, pois geralmente, a soja colhida em solo com altos teores de umidade, que associado ao uso de maquinário agrícola favorece a sua compactação e contribui com aumento dos nematoides. Além disso, o uso de grade em favor da plantabilidade também é prejudicial ao solo.

“Com degradação do solo as plantas daninhas ganham força e isso exerce uma pressão muito forte sobre custo de produção das lavouras, que passam a demandar muito mais insumos. “O agroecossistema passa a ser um ambiente simples, com pouca bidiversidade, e essa simplificação leva a redução da capacidade de autorregulação do agroecossitema, que passa a ser instável e suscetível a entradas de energia externas e aumento de populações de insetos, nematoides e plantas daninhas”, explicou Lamas.

Segundo ele, a buva ocupa hoje uma área de aproximadamente 8 milhões de hectares em todo território brasileiro, o que demanda um gasto de 1,3 bilhão de reais para controle. Outro dado apresentado se refere ao capim amargoso, com população crescente, ocupando 5,5 milhões de hectares no território brasileiro e demando gastos da ordem aproximada de 1,7 bilhão para seu controle. Fernando destacou ainda o Amaranthus palmeri, uma planta daninha de difícil controle e que está presente na Argentina e em áreas bem restritas de Mato Grosso. “Essa planta demanda aumento do uso de herbicidas e já tem sido responsável atualmente, por aumento significativo no custo de produção de grãos naquele país, bem como nos Estados Unidos. O Brasil precisa fortalecer suas barreiras sanitárias e estar atento para conter a disseminação dessa planta daninha em nossas lavouras”, destacou ele.

Lamas apresentou ainda algumas medidas preventivas indicadas para evitar o surgimento de plantas daninhas resistentes aos herbicidas, confira: monitoramento das mudanças nas populações de plantas daninhas na área; praticar a rotação de culturas, utilização de aplicações sequenciais de herbicidas, utilização do manejo integrado de plantas daninhas, monitoramento de plantas-escapes e uso de ferramentas para eliminar as plantas daninhas.

Doenças nas lavouras – Na sequência, o analista da Embrapa Agropecuária Oeste, Alexandre Dinnys Roese, falou sobre “Doenças de solo em Sistemas Integrados de Produção Agropecuária”.  Ele explicou que quanto mais diversificadas forem as fontes de carbono, mais saudável será o solo da propriedade, pois os microrganismos se alimentam das fontes de carbono e contribuem com inúmeras características do solo agrícola.

“Uma doença de solo ocorre em função de desequilíbrio na qualidade do solo e as doenças do solo são causadas por microorganismos (fungos, bacterias, entre outros). A atividade microbiana é que define a saúde do solo e essa atividade microbiana acontece em alguns ambientes do solo, chamados de hotspots (os principais são a rizosfera, a detritosfera, e os bioporos)”, explicou Roese.

De uma maneira geral, Alexandre enfatizou a importância de buscar formas que possam proporcionar o equilíbrio do ecossistema, pois isso gera um ambiente favorável para a produção. “O agricultor tem liberdade de escolher o que vai plantar e isso determina a saúde do solo”, disse.

Ele enfatizou a importância de escolhas por sistemas integrados de produção agropecuária, que explorem sinergismos e propriedades emergentes, frutos de interações nos compartimentos solo-planta e deu exemplos de sucesso no controle de doenças através de diversos arranjos de integração envolvendo lavoura de grãos, pecuária e cultivo de espécies florestais. Entre os exemplos, mencionou a redução do mofo branco e do tombamento de plantas, além de facilitar o controle biológico”.

Ao final aconteceu um debate, que foi moderado pelo professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Luiz Carlos Ferreira de Souza e contou com os seguintes debatedores: o Gerente Técnico do Departamento Agronômico da Cooperativa Agrícola Sul Matogrossense (Copasul-Naviraí/MS), Antônio José Meireles e o engenheiro agrônomo da Associação das Empresas de Assistência Técnica Rural de Mato Grosso do Sul (AASTEC-MS), Gilberto Darci Bernardi. O Painel foi uma realização da Embrapa Agropecuária Oeste, em parceria com o Sindicato Rural de Dourados, Universidade Federal da Grande Dourados e Copasul.

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