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Uma reflexão sobre as músicas de hoje, por Erika de Souza Bueno

08 janeiro 2013 - 15h25



As músicas de hoje são, em sua maioria, destinadas apenas à dança. Mas nem sempre foi assim. Já houve tempos em que elas se valiam mais de suas vibrações para transmitir conteúdos que as palavras, sozinhas, não eram capazes de passar.


Entre uma nota e outra, até mesmo o silêncio denunciava a angústia de inúmeras pessoas que tiveram seus gritos de socorro sufocados durante períodos obscuros da história do Brasil. Elas, as poderosas músicas, já foram capazes de atrair multidões que lutavam pela liberdade e pelo fim de um regime cruel, traduzindo em belíssimas melodias os pensamentos de toda uma nação.


A falta de bons equipamentos nunca foi capaz de impedir a voz daqueles que a utilizavam como protesto, estimulando vidas que se deixavam desgastar em prol da liberdade de tantas outras. As palmas, os assobios e os clamores invadiam as ruas e formavam música como nunca antes tinha sido ouvida, deixando profundas marcas na pele e no coração daquelas pessoas.


Como um poderoso produto cultural, a música chegou aos nossos dias com características muito diferentes do que pode ser observado na história brasileira. Os tempos mudaram, é fato, mas ainda há muito para se lutar. É preciso tomar as rédeas e valorizar todos os benefícios que foram conquistados para nós.


Com conteúdos destinados apenas para dar prazer ao corpo por meio da dança, a música de hoje parece abandonar as suas inegáveis potencialidades. Mas não é nada com ela, mas sim com aqueles que a produzem, visando atingir o maior número de pessoas possível. E atingem. As pessoas hoje se satisfazem com apenas um ritmo dançante, não se preocupando com o conteúdo e, muito menos, com a função inicial da música.


Ela é uma das grandes marcas de um tempo, de uma época, de uma sociedade e, por isso, merece ser mais bem-composta, mais bem-apreciada, pois é uma das grandes representações do nosso amado Brasil. Mas quem gritará por ela? Quem rogará por canções que denunciem as mazelas de tantos brasileiros que parecem esquecidos pelo poder público? A educação, certamente, pois é nela que a criança, o jovem e o adulto têm a oportunidade de refletir sobre tudo o que os envolve diariamente.


No caminho para a casa, ao ir à padaria da esquina, ao ligar a televisão, ao passar por alguma loja no centro da cidade, enfim, a todo o momento todos nós estamos envolvidos pela música. Esta, a exemplo do que aconteceu no passado, precisa fazer valer as suas mais altas qualidades e características.


Unidos, sons, silêncios, vozes, instrumentos e vibrações podem produzir sensações como as de um guerreiro, o qual não se curva diante das formas impostas por políticas desumanas. Um guerreiro como tantos outros que lutaram pela liberdade de que hoje desfrutamos, liberdade que, infelizmente, tem sido muito utilizada de modo equivocado.


A música, com todo o seu potencial, precisa assumir-se novamente em suas funções para a promoção do bem, da paz, da alegria e, enfim, da real liberdade.



(*) Erika de Souza Bueno é editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br); coordenadora educacional da empresa Planeta Educação; professora e consultora de Língua Portuguesa pela Universidade Metodista de São Paulo; articulista sobre assuntos de Língua Portuguesa, educação e família.

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