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Atendimento a crianças com malformações por causa do zika traz desafios para famílias

12 Setembro 2017 - 13h33

Quando o país se deu conta de que uma geração de crianças brasileiras poderia conviver a vida inteira com anomalias provocadas pelo víruz da zika, o Ministério da Saúde colocou em prática, em março de 2016, um protocolo de acompanhamento para que elas tivessem atendimento garantido foi criado, inclusive, um registro só para elas: o Siram (Sistema de Registro de Atendimento à Crianças com Microcefalia).

O que está previsto

Pela complexidade do atendimento aos bebês, o ministério formulou no ano passado uma série de políticas que previam que toda criança com síndrome congênita provocada pelo zika deveria ter o seu diagnóstico garantido e um adequado acompanhamento na atenção básica e nos ambulatórios de especialidades -- além da garantia de vagas em serviços de reabilitação.

Além de fisioterapia, consultas com neurologista, pediatra e terapia ocupacional, as medidas previam ainda possíveis visitas de especialistas ou profissionais de saúde em domicílio, ajuda psicossocial e acesso a serviços de estimulação precoce: a ideia era que, com o devido estímulo nos primeiros anos de vida, as consequências nefastas do zika ao sistema nervoso seriam amenizadas e essas crianças poderiam ter relativa autonomia no futuro -- com menos pressão, inclusive, aos serviços de saúde.

Redução do atendimento?

Um boletim do Ministério da Saúde apresentado em agosto, em comparação com os números de fevereiro, mostrava uma diminuição de 35,8% no atendimento com estimulação precoce e uma queda de 16% no atendimento especializado. Foi registrada ainda uma baixa de 9,4% em atendimento de puericultura para essas crianças -- tipo de serviço oferecido a todos os bebês brasileiros e que envolve, dentre várias abordagens, o acompanhamento do seu desenvolvimento, a cobertura vacinal e instruções sobre aleitamento.

Segundo o ministério, os números podem ser explicados porque crianças que iniciaram a estimulação precoce podem ter sido redirecionadas para serviços especializados ou vice-versa -- embora a queda tenha sido observada em todos as frentes de atendimento. A pasta diz ainda que houve uma mudança de metodologia na coleta de dados durante o período, e é possível que a notificação de atendimentos contemplasse crianças com anomalias não associadas ao zika.

Dificuldades

Mães que buscam o Instituto Fernandes Figueira (IFF), centro de referência para o atendimento de zika, no Rio de Janeiro, relatam que o encaminhamento para serviços especializados não é tão simples e faltam vagas em centros mais próximos de casa.

"Quando a família vem aqui, a gente primeiro encaminha para uma instituição de reabilitação porque aqui não temos estrutura para atendimento", diz Miriam Calheiros, fisioterapeuta motora do Instituto Fernandes Figueira, no Rio.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) explicou que há 18 locais de atendimento para crianças com microcefalia no estado. Destes, sete estão em Salvador. A Sesab informou ainda que o Cepred (Centro de Prevenção e Reabilitação da Pessoa com Deficiência) atende com equipe multiprofissional 90 crianças e, além disso, é o maior centro acolhedor de crianças com microcefalia na Bahia.

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