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Reflexões de um vereador recém-eleito, por Marcelo Mourão

30 novembro 2012 - 10h33

Quando me lembro de como foi a minha campanha de candidato a vereador, chego a soluçar meus pensamentos na pausa constante de cada momento da dura caminhada. O contato direto com uma realidade desigual entre poderes e poderosos. O carinho sincero do eleitor consciente e o abraço abstrato do “amigo” mercenário. Percebi, porém, que muitos eleitores não estão acostumados a ouvir um não do candidato. Percebi que muitas vezes falar a verdade decepciona até mesmo quem jura nunca ter mentido. Dois lados de um mesmo caminho.

Em uma eleição se vê de tudo. Suor, lágrimas, gemidos e muitos interesses. Campanha tem pedido de voto e tem voto sendo vendido. Provar essa compra quase nunca é possível, pois quem vende e quem compra são cúmplices até no discurso.

Imaginem perder a eleição por um voto. Imaginem vencer a eleição por um voto. Voto a voto se constrói um caminho. Chegar ao topo nem sempre significa ser campeão de votos. Adversários agora, companheiros de chapa na próxima eleição. O jogo é assim. Todos por um e um voto decide um futuro inteiro.

Quero ver ganhar sem trapacear e sem mentir. Quero ver ser eleito com o voto dos conscientes. Quero ver fazer campanha diferente num universo onde todos os jugam iguais.

Fazer o quê se perder a eleição? Ora, continuar a militância da vida. Perder hoje significa ganhar amanhã. Ou quem sabe depois de amanhã. O importante mesmo é não ser corrupto, mensaleiro, canalha, mentiroso... O gostoso disso tudo é que numa campanha a eleição de alguém é certa. E diante disso, votar é uma obrigação, quando na verdade deveria ser uma missão. Missão de ser cidadão. Cidadão que mesmo descrente não nega sua história, tampouco ignora a sua força e o seu poder.

Quem sabe diante de tantas campanhas eleitorais, surjam líderes que amem seus iguais mesmo pensando diferente. Quem sabe o diferente,um dia, seja uma coisa boa de verdade e não mais uma mera enganação. Vencer uma eleição por mais difícil que seja, é fácil diante da imensa responsabilidade que é ser um grande político. Antes de ser candidato. Sou homem temente a Deus. Sou alguém que escolheu pagar o preço de ser um idealista que escreve o que o coração pensa e o que a cabeça sente.

Sou do avesso. Sou caminhante do tropeço, sou fim, meio e começo. Serei vereador por um determinado tempo. E humano por todo sempre, pois tenho consciência de que o poder é transitório. Não faço discurso, eu falo o que eu penso. Apenas isso. Julgas-me e condena-mepor ser assim? Que pena! Você não sabe como foram as minhas campanhas e as minhas lutas até chegar aqui.






Marcelo Mourão

Comunicador, escritor, membro da Academia Douradense de Letras e vereador eleito de Dourados-MS pelo PSD – Partido Social Democrático.

http://www.facebook.com/marcelopmourao

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