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Quais são os principais tipos de psicoterapia?

26 fevereiro 2019 - 10h35Por Saúde é Vital

Irritação, cansaço, tristeza e ansiedade constantes afetam para valer a qualidade de vida. Esão indícios claros da necessidade de uma consulta com o psicólogo ou psiquiatra (embora mesmo quem não sofra com essas questões possa se beneficiar de uma sessão).

Na hora de ir atrás de um profissional, é importante conferir seu currículo e o histórico. Além disso, conhecer a linha psicoterápica dele é uma boa para saber se ela se encaixa ao seu perfil.

Saiba mais sobre as principais vertentes da psicoterapia nos tópicos abaixo:

Cognitivo-comportamental

Amparada nas evidências científicas mais robustas, essa linha terapêutica leva em consideração a influência dos pensamentos em relação aos comportamentos. “Por meio dessa análise construída num esforço conjunto, nós conseguimos modificar o raciocínio do indivíduo sobre algumas questões, o que leva a mudanças na forma como ele interage com o mundo e com os outros”, explica o psicólogo Wilson Vieira Melo, presidente eleito da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas.

Vamos tomar como exemplo um sujeito com ansiedade generalizada, que convive com uma sensação constante de que algo vai dar errado a qualquer minuto e tudo vai fugir de seu controle. Aos poucos, as sessões evidenciam que tal sentimento não faz sentido algum e que essa preocupação excessiva não traz um ganho sequer, muito pelo contrário. Essa transformação no modo de encarar as coisas, por si só, já vai trazer um alívio considerável da chateação.

Outra característica marcante desse tratamento criado na década de 1960 é a sua objetividade. “Ele tem um foco, e todos os esforços são concentrados para solucionar aquele ponto, inclusive com o estabelecimento de metas e prazos”, diz o médico Antônio Geraldo da Silva, diretor da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Para quem é indicada: trata-se do método com o maior número de estudos sobre sua eficácia. Tem comprovação para tratar depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada, transtornos alimentares (bulimia e anorexia), estresse crônico e traumas.

Interpessoal

Também conhecida por “terapia de alto contato”, foi criada em 1969 por uma equipe de psicólogos capitaneada por Gerald Klerman e Myrna Weissman, da Universidade Yale, nos Estados Unidos. As sessões têm um prazo curto e costumam durar, no máximo, de 12 a 16 semanas, período em que um único problema é observado e tratado.

Baseada na ideia de que as conexões com os outros e as circunstâncias da vida impactam diretamente o humor, e vice-versa, ela mescla conceitos da terapia cognitivo-comportamental com algumas pitadas dos métodos psicanalíticos.

Como existem muitas pesquisas sobre essa intervenção, ela é uma das únicas que fazem parte do currículo obrigatório de ensino e treinamento nas residências de psiquiatria das faculdades de medicina americanas.

O ponto central aqui está na forma de interagir da pessoa com o mundo ao seu redor. “Nós chamamos a atenção para alguns padrões de relacionamento que o paciente estabelece no dia a dia e nem percebe”, resume Rodrigo Grassi-Oliveira.

Ela foi originalmente desenhada para o combate à depressão de adultos, mas aos poucos acabou adaptada para outros transtornos e faixas etárias, com destaque para situações que atormentam adolescentes e idosos.

Para quem é indicada: Além da depressão, é aplicada nos transtornos de ansiedade e nos diversos graus da desordem bipolar. Destina-se tanto a jovens como a sujeitos mais velhos.

Comportamental

Se a terapia cognitivo-comportamental leva muito em conta o raciocínio e o processamento mental, essa linha está vinculada totalmente às questões do comportamento — como, aliás, seu próprio nome revela. O objetivo aqui é desvendar a razão de certas condutas e como o ambiente interfere nessas experiências.

Desenvolvido ao longo do século 20 por pesquisadores dos Estados Unidos, da Inglaterra e da África do Sul, o tratamento é prático e tenta eliminar determinados hábitos negativos, ao mesmo tempo que reforça aqueles que são desejáveis. Por meio de estratégias de aprendizado, a proposta é transformar a forma de reagir do paciente diante de determinadas situações.

Para quem tem TOC, por exemplo, é extremamente complicado abandonar velhos rituais, como lavar as mãos compulsivamente ou apertar o interruptor de luz diversas vezes antes de sair de casa. O sujeito está acostumado a fazer essas ações e imagina que acontecerá um desastre se desistir delas. Ao mesmo tempo, essa repetição toda abala sua vida e causa uma enorme ansiedade.

O terapeuta atua para desmontar todos esses conceitos paulatinamente, sugerindo mudanças no dia a dia e conversando sobre eles.

Para quem é indicada: Há provas de que a terapia comportamental auxilia no TOC e no transtorno do espectro autista. Algumas pesquisas menores indicam que ela pode tratar fobias específicas, transtornos alimentares, dependência química e estresse pós-traumático.

Psicanálise

Uma das primeiras a mergulhar a fundo na psique humana, ela acumulou milhares de seguidores e detratores ao longo da história. Inaugurado por Freud, esse conjunto de teorias tem como premissa a investigação dos processos mentais conscientes e inconscientes.

“Nas sessões, é permitido que o paciente fale sem restrições, visando a introspecção e o exame de suas características mais profundas e intensas”, define o psicólogo e professor da USP Rogério Lerner, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

Engana-se quem pensa que essa intervenção esteja interessada apenas em remoer o passado para conectar esses episódios antigos com traumas e transtornos. “Isso é um estereótipo. Nós estamos preocupados com o que atrapalha o presente”, desmitifica Lerner.

Diferentemente das outras opções terapêuticas, que são mais focadas e objetivas, a proposta está em realizar avaliações holísticas, que não levem em conta apenas um punhado de sintomas, mas o sujeito como um todo.

Como trilhou o caminho das ciências sociais e das humanidades, a psicanálise reúne hoje uma menor quantidade de pesquisas científicas quando comparada a suas primas-irmãs e, não raro, é encarada com ceticismo por alguns profissionais de saúde.

Para quem é indicada: não há consenso se a psicanálise tem atuação certeira contra esse ou aquele distúrbio. De forma geral, ela está indicada para quem procura aprimorar seu autoconhecimento, esteja numa crise ou não.

Arteterapia

Lápis, pincel, tinta, tela e demais recursos são ferramentas para externar as emoções sem precisar necessariamente da fala. A expressão audiovisual vira um meio para acessar o inconsciente e interpretar os sentimentos, que muitas vezes não aparecem de outras formas convencionais.

É curioso notar como alguns dos pintores mais talentosos da história, como o holandês Vincent van Gogh (1853- -1890), tinham transtornos mentais e faziam da arte a manifestação de suas psicoses.

Dramaterapia

Vale-se do processo teatral ao interpretar determinadas passagens que refletem algo de relevante na vida do paciente ou no seu processo de autoconhecimento. Ao assumir outra personalidade temporariamente, o sujeito se vê distante de si e consegue analisar seu contexto sob outro olhar.

Ela pode ser realizada individualmente, mas é comum (e desejável) que seja praticada ao menos em dupla ou com um grupo de apoio para facilitar a dramatização.

Ludoterapia

É a adaptação de muitas das abordagens, como a psicanálise e a terapia cognitivo-comportamental, para o universo infantil. Leva em conta a ideia de que o ato de brincar é a forma como a criança transmite seus sentimentos automaticamente e alivia a tensão, a agressividade e o medo. Serve tanto para o diagnóstico das doenças quanto para o tratamento. É possível utilizar brinquedos físicos e inventar histórias fictícias com um propósito.

Constelação familiar

Ganhou os holofotes quando foi incluída no grupo de terapias alternativas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Bolada pelo terapeuta alemão Bert Hellinger durante serviços missionários na África do Sul, recorre a um intrincado sistema de símbolos e representações teatrais para analisar a dinâmica entre os diversos membros de um grupo ou de uma família, de modo a discutir e, se possível, melhorar o relacionamento entre eles.

O contato próximo com cachorros, gatos, tartarugas, cavalos e outros bichos alegra e acalma. Além disso, cuidar de um pet promove a criação de laços de afeto interessantes para o bem-estar do paciente com diversas doenças, como o TOC e o autismo.

A pioneira na aplicação dessa modalidade foi a psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999), referência mundial na humanização dos antigos hospícios e manicômios.

Biofeedback

O especialista utiliza equipamentos para fazer medidas do organismo, como a pressão arterial, a temperatura corporal, os batimentos cardíacos, o ritmo da respiração e a tensão muscular. Daí ele avalia como esses parâmetros se modificam diante das mais variadas situações e sugere mudanças no modo de encarar as coisas.

O objetivo é promover o relaxamento e aplacar o estresse, que está na origem de muitas das contendas psicológicas.

Consulta numa tela?

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) acaba de atualizar suas diretrizes e agora permite que os profissionais da área realizem o atendimento em plataformas digitais como WhatsApp e Skype. “Não podemos ignorar a época em que vivemos e o papel da tecnologia. O que fizemos foi justamente regulamentar e criar regras para algo que já era praticado informalmente”, avalia Paulo Aguiar, da CFP.

Se, por um lado, a medida aumenta o acesso aos tratamentos, por outro, pode mascarar sintomas observados por meio de gestos, da postura e da entonação da voz. “O meio eletrônico é um complemento, mas não substitui o contato pessoal”, acredita Hélio Deliberador, supervisor da Clínica-Escola de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

E onde entram os remédios?

Junto com a psicoterapia, eles formam o pilar da recuperação na maioria das desordens mentais. “Um potencializa o outro e, juntos, trazem benefícios ainda maiores”, ressalta o psicólogo Leandro Fernandes Malloy-Diniz, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais.

Os fármacos agem diretamente na química cerebral, reequilibrando os níveis dos neurotransmissores, substâncias que regulam a comunicação entre os neurônios. Os comprimidos ou gotas precisam da prescrição do médico, que vai orientar sobre a dosagem e o tempo de uso.

Para evitar efeitos adversos, nunca tome por conta própria.

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