17/02/2012 17h42
Leia: Chega de charme!, por Michael Nuñez
por Michael Nuñez
Começou ontem e vai até domingo (19) a 12ª edição do Aberto do Brasil de tênis. Pela primeira vez, será realizado na capital paulista, mais precisamente no Ginásio do Ibirapuera.
Trazer o torneio para São Paulo foi, sem dúvida, a decisão mais acertada. Nada contra a Costa do Sauipe, que recebeu a competição até o ano passado. Pelo contrário, tudo a favor. Além da estrutura de primeiro mundo, o clima do lugar dava um toque pra lá de especial aos jogos.
Porém, quando tratado como ferramenta de marketing orientada a negócios, como é o caso (o Aberto do Brasil não tem como objetivo formar atletas, mas sim inserir o país no circuito mundial da ATP – Associação de Tenistas Profissionais) um evento esportivo deve ser analisado de forma pragmática, assim como os projetos de uma empresa. Ou seja, por mais bonito e bem criado que seja um produto, o que vale é retorno sobre o investimento, os resultados. Deu certo, continua. Não deu, refaz ou, simplesmente, tira da prateleira.
Desde a primeira edição, o Aberto do Brasil de tênis sempre foi um torneio muito bonito de se ver. Coqueiros, praia, boa estrutura desportiva e pessoas bonitas e bem-vestidas nas arquibancadas. Mas, sob o ponto de vista de negócio-desportivo, jamais decolou. Primeiro, porque poucos foram os jogadores de primeira linha que se aventuraram a viajar até o nordeste do país para disputar um torneio que rendia poucos pontos no ranking mundial de tenistas profissionais. Além disso, a premiação em dinheiro também era baixa, comparado a outros torneios realizados em outros países, na mesma época.
Sem poder contar com as principais estrelas do circuito profissional, o torneio jamais caiu nas graças da torcida, também. Por mais qualificado que seja o público, o que fará com que o mesmo fique até o match point (ponto final) e volte no próximo ano é a qualidade do espetáculo. Assim como acontece na televisão, o programa só fica no ar se tiver audiência, pois ela é determinante para quem deseja anunciar produtos ou serviços.
Enfim, o pouco que se viu, desde que a organização anunciou sua chegada a São Paulo, é que o evento precisava de novos ares. E o retorno foi imediato: jogadores com melhor colocação no ranking, como o francês Gilles Simon (atual 12°do mundo), aceitaram jogar o torneio; a venda de ingressos aumentou (mais de 22 mil foram vendidos até ontem); e, com a quadra coberta, a chuva, que era a maior preocupação da organização até o ano passado, chegando a cancelar muitos jogos no litoral baiano, deixará o papel principal e será mera coadjuvante este ano.
Sim, o torneio perdeu boa parte do seu charme, mas, pelo menos, nesse “recomeço” o evento contará com um espetáculo desportivo digno de um Aberto do Brasil.
Vamos em frente!
Michael Nuñez possui bacharel em jornalismo, pela FMU/FIAM, e MBA em Gestão do Esporte / Marketing Esportivo, pela Trevisan Escola de Negócios. Iniciou sua carreira como jornalista esportivo, com passagens pela Revista Placar (Abril), Diário Lance, Jornal A Gazeta Esportiva. Foi o responsável pela edição de conteúdo do primeiro site do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Em 2000, participou da cobertura dos Jogos Olímpicos de Sydney (Austrália), pelo Portal Zip.Net. Também trabalhou na cobertura dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Atualmente, Michael Nuñez atua como diretor executivo na NBCom Sports.
