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O trem e os erros do passado, por Dirceu Cardoso

10 dezembro 2012 - 13h40






Depois de abandonado e sucateado, o trem de passageiros volta a adquirir prestígio como meio de transporte. O governo promete desengavetar estudos de uma década atrás para trazer as composições de volta aos trilhos, com o objetivo de levar a população ao trabalho, aos estudos, etc. Na verdade, deverá ser mais um meio de transporte a integrar-se com outros (ônibus e metrô, principalmente) com a finalidade de evitar os grandes congestionamentos hoje registrados nas metrópoles e até nas cidades grandes e médias do interior. A idéia é o trem percorrendo trajetos entre 30 e 100 quilômetros, implantados e operados através do sistema de parceria público-privada (PPP).


Se tem a pretensão de equiparar-se aos centros mais avançados do planeta, o Brasil precisa resgatar o trem e dele fazer um importante participante da malha logística. Não colocá-lo para fazer concorrência aos demais modais – rodoviário, aeroviário e aquaviário -, mas para com eles se completar. Os passageiros que o trem absorver servirão para diminuir a superlotação dos ônibus e o número de carros particulares nas ruas e, com isso, tudo tenderá a funcionar melhor. Da mesma forma, há que se criar oferta e integração dos modais para que as cargas sejam transportadas pelo meio mais adequado. Isso evitará que caminhões saiam, por exemplo, do Brasil Central e transporte grãos até os portos, no litoral, periclitando o trânsito nas rodovias e destruindo o pavimento. Também servirá para evitar acidentes e congestionamentos.


Vivi a infância e a juventude na cidade de Adamantina (SP), num tempo em que o trem ainda era o principal meio de transporte entre as capitais e as cidades interioranas, muitas delas surgidas a partir da chegada dos trilhos, que desbravava o sertão. As ferrovias, na maior parte, foram construídas por particulares – fazendeiros interessados no escoamento de suas safras – sob concessão e fiscalização do governo. Na época em que foram instaladas, não havia a disponibilidade atual de automóveis e nem estradas por onde pudessem trafegar. Por conta disso, o trem era o mais moderno meio de transporte, concorrendo apenas com os tróleis e carroções de tração animal. Assim permaneceu por décadas.


Quando os automóveis, caminhões e as estradas começaram a chegar, nos anos 40 e 50, a maior parte das ferrovias já estava em mãos do governo que, por diferentes razões, as encampou e não cuidou de sua modernização. Restam muitas críticas daquele tempo onde o grande erro foi priorizar a rodovia e sucatear a ferrovia em vez de fazê-las funcionar em conjunto. Ainda hoje falta a intermodalidade para que todos os meios de transporte cumpram suas vocações e o país se beneficie dessa fluidez. As grandes distâncias devem ser percorridas em barcos hidroviários ou trem, cujo custo do frete é menor que o rodoviário. O transporte rodoviário deve ser utilizado apenas nas pontas e em locais não servidos pelo trem e pela hidrovia. O avião também deve participar desse esquema, porém reservado o seu espaço de carga a produtos de maior valor agregado.


É alentadora a notícia de que se pretende a volta do trem. Mas a grande importância não está simplesmente no trem. É o funcionamento conjunto dos diferentes meios de transporte que livrará o país do grande nó hoje dominante na maioria das cidades...





(*)Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

aspomilpm@terra.com.br

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