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O Jornalismo enquanto campo de batalha profissional, por Helton Costa

03 dezembro 2012 - 10h35


Quando o leitor recebe notícias diariamente nos mais diversos suportes
midiáticos, não tem ideia da luta que trabalhadores do jornalismo
enfrentam dentro das redações para organizar fragmentos de uma
realidade complexa em forma de notícia, recorte de um todo que acaba
por ser influenciado pela visão de mundo do próprio jornalista e
também do meio de comunicação onde está inserido.

Não que esses textos, escritos ou falados não sejam reais, porque o
são, a verdade é que eles não são uma realidade como uma realidade
plena, são partes dela, construídas ou reconstruídas, como bem lembra
o professor e pesquisador Nelson Traquina.

Nesse processo de transmissão de parte dessa realidade, o profissional
acaba sujeito a rotinas jornalísticas onde há que se levar em
consideração, desde o grau de formação intelectual de quem se propõe a
exercer a profissão até qual o posicionamento ideológico do próprio
veículo de comunicação onde esse profissional labuta.

No que tange à formação intelectual, uma formação superior é um bom
“ponta pé” de partida para quem quer entrar no campo profissional.
Porém, o jornalista não controla todo o processo.

Em sete anos de profissão, já ouvi, presenciei e vivi casos em que
simplesmente a notícia é barrada pela direção do jornal por “atentar”
contra os princípios comerciais da empresa ou por ter um foco
diferente do que a direção entende ser o correto.

Isso explica em parte ao leitor, porque determinados assuntos são
tratados de um jeito e não de outro, mas também pode gerar algo
perigoso à democracia, que é a autocensura profissional, quando o
jornalista começa a ignorar certos assuntos para manter-se no cargo
que ocupa.

Pior que isso é alinha-se ao procedimento empresarial ou ainda
praticar o famoso “jabá”, recebendo de anunciantes ou grupos
capitalistas privados ou públicos (governos, por exemplo) para não
noticiar ou só noticiar assuntos de interesse desses grupos. Quando
isso acontece, a função social da profissão cai por terra e o informar
transfigura-se em mero divulgar.

Ética e realidade profissional se chocam e o jornalismo, em princípio
um instrumento de comunicação social, depara-se com o interesse do
mercado, comprometido com o lucro puro e simples.

Nesse campo de batalha, o jornalista não precisa ser o exército de um
homem só. Deve claro, refletir sobre seu fazer profissional, ampliar
essa discussão dentro da própria cabeça diariamente, mas de pode
fazê-la também de maneira coletiva no sindicato da categoria. Quando
há uma reflexão verdadeira, quem ganha é a sociedade, que deveria ser
nosso verdadeiro “patrão”. O benefício será para aquele leitor do
começo do texto, que recebe a informação sem saber a luta diária que
se dá dentro das redações e de cada um de nós.

(*) Jornalista, mestre em Comunicação pela Unesp, filiado ao Sindicato
dos Jornalista Profissionais da Grande Dourados e professor
universitário.

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